REFLEXÕES Nº 233 — 11/10/2026
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.
AS CAIXAS DE MUDANÇA
Em 1985, tudo que eu tinha cabia numa mala e numa sacola de supermercado. Fui morar em São Manuel com vinte e poucos anos e nenhuma ideia de quanto tempo ficaria. Foi por causa do advogado que fazia o dono da confecção pagar tudo; essa história eu já contei. Não contei que esse mesmo advogado convenceu o dono a me arrumar uma casa para morar. Era uma casa enorme, sem móveis, só um colchão no chão para dormir. Sem geladeira, sem fogão. Eu deveria mobiliar se quisesse ficar, e eu não queria. Sabia que seria provisório. Lembro do eco da primeira noite: qualquer barulho que eu fazia voltava para mim, e a casa ficava ainda maior.
Fiquei um ano nessa vida pela qual jurei nunca mais passar. Voltei para Botucatu quando casei, com a Mônica grávida da Natasha. Voltei com a mesma mala e a mesma sacola, e não sei dizer o que havia dentro de nenhuma das duas.
A vida foi passando e finquei raízes em Botucatu. À casa dos meus pais, em Jundiaí, eu ia pouco. Primeiro deixei de ir todo mês, depois deixei de ir nos feriados, e a distância foi aumentando até minha mãe desencarnar. Não fui mais para lá. Sobraram algumas caixas com coisas minhas num quarto dos fundos, e meu irmão, que ficou morando na casa, deve ter jogado tudo no lixo. Nunca pedi que ele mandasse nada. Nem lembro do que eram aquelas coisas, e se não lembro é porque não precisava mais.
Depois de alguns anos na mesma casa, veio a Ana Luiza e a casa ficou pequena. Construímos uma maior e nos mudamos em meados dos anos 2000. Dessa vez levamos mais caixas, mais malas, mais tudo, e ainda assim fiquei semanas trazendo coisa no carro, uma caixa por viagem, como quem não acredita que a mudança acabou. Achei que seria meu lar definitivo.
Aí a Natasha começou a namorar e foi para Sorocaba atrás do sonho dela. A Ana Luiza terminou o colegial e resolveu que ia morar em São Paulo, primeiro para fazer a faculdade e, quem sabe, ficar por lá. E ficou. Os quartos das duas ficaram um tempo do jeito que estavam, e a casa grande, que eu tinha construído para encher, foi sobrando em volta de mim e da Mônica.
Em 2018, trinta e três anos depois de São Manuel, fomos para perto da Ana Luiza, em São Paulo. Vendemos nossa casa e fomos. Dessa vez era para ficar, e eu disse isso em voz alta para a Mônica, para a Ana Luiza e para quem perguntasse: para o resto da vida. Levamos o que se leva quando se acredita nisso, tudo o que cabia no caminhão e mais um pouco, porque quem vai para ficar não escolhe. Pouco mais de dois anos depois, voltamos. Foi a pandemia nos expulsando e confinando. O apartamento em Botucatu parecia mais seguro. As caixas voltaram com a gente, e algumas ainda estavam fechadas. Abri uma caixa outro dia. Tinha uma extensão elétrica e um quadro sem vidro. Não sei por que levei, e sei menos ainda por que trouxe de volta.
Agora, oito anos depois, é Sorocaba. A casa é da Natasha, e nela teremos um quarto e um banheiro, ela já avisou. Em 1985 eu quase não tinha o que escolher, e em 2018 não escolhi nada, levei tudo. Agora estou decidindo o que sobra. Neste fim de semana, parei na frente da estante com uma caixa de papelão vazia na mão e fiquei um tempo ali, sem pegar nenhum livro. Peguei vários, não sabia qual escolher, e larguei de novo. Afinal, eu poderia estar de volta em breve.
Dessa vez não disse para ninguém que era para o resto da vida. Também não disse para quanto tempo.
A caixa dos livros continua aberta. Não sei quantos cabem num quarto sem estante.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
FLORESCENDO ...
Viver o cotidiano em florescimentos é um presente especial que a vida nos oferece. É encantador contemplar a natureza, as pessoas ao nosso redor, os animais — pequenos édens que nos fortalecem. É transformar o comum em lições eternas.
Florescer também é curar e desapegar. É deixar ir velhos hábitos, mágoas e expectativas que já não pertencem à pessoa que estamos nos tornando.
Ao praticar a gentileza, tornamo-nos mais gentis e, assim, moldamos nossos comportamentos a partir de ações e sentimentos.
Florescer nos jardins da vida envolve leveza e cultivo do bem. Somos como árvores extraordinárias, florescendo nos ciclos que nos compõem.
Cada um de nós carrega uma história única e encantos pessoais. Seja você mesmo: sua essência, seu esplendor.
Portanto, floresça plenamente.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
ÚLTIMA FICHA
Em meio adicção percebi que a vida é igual
um jogo de videogame onde vivemos os prazeres
mundanos intensamente e desperdiçamos a nossa
vida e buscamos o caminho mais fácil e encontramos
o pecado num atalho com isso, desviamos da
palavra de Deus e passamos a conviver com
o inimigo e se autoflagelamos.
E nesse mundo complicado estou tentando me
consertar, mas me perco e acabo caindo, mas me
levanto e tenho uma nova chance por alguns dias,
até que volto para o fim da fila, que é o pior lugar
para um adicto que não reconhece a doença
e não quer recalcular e redefinir a sua rota
e os seus passos que deveriam estar
seguindo em direção a Deus.
Mas sei que preciso ter um verdadeiro encontro
com Deus e ter o meu coração voltado para Jesus,
hoje, a minha alma e o meu corpo estão sendo
curados, Deus seja louvado e em breve, quero
fazer parte desse exército de evangelistas
e desse batalhão, que são viciados em
vidas que tem o propósito e a missão
de espalhar o verdadeiro evangelho
de Jesus Cristo, que é o meu único salvador.

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
TAMBÉM PRECISAMOS DE MÃOS QUE NOS AMPAREM
Durante muito tempo, aprendemos a cuidar, ajudar e resolver os problemas de quem está ao nosso redor. E, sem perceber, podemos acreditar que precisamos dar conta de tudo sozinhos.
Mas a vida também nos ensina que aceitar ajuda é uma forma de coragem.
Nem sempre teremos força para atravessar todos os obstáculos sem companhia. Às vezes, precisamos de uma mão estendida, de alguém que nos dê segurança ou simplesmente nos lembre de que não estamos sozinhos.
Também precisamos aprender que nem toda responsabilidade nos pertence. Podemos amar, cuidar e acolher sem esquecer de nós mesmos.
Amadurecer talvez seja entender que não precisamos provar nossa força o tempo inteiro. Existem momentos de conduzir e momentos de ser conduzido, momentos de amparar e momentos de receber amparo.
Porque ser forte não é conseguir fazer tudo sozinho. É também ter a liberdade de aceitar uma mão quando precisamos seguir em frente.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
PARADA GERAL
Fiquei presa no elevador. Uma sensação sufocante.
Tentei ficar calma e, naquele tempo parado, deu para fazer uma reflexão:
A gente corre tanto… e para quê mesmo?
Naquele momento, senti uma parada geral.
Era só eu e aquele elevador parado.
Talvez seja preciso parar, refletir e continuar devagar, fazendo pausas importantes pelo caminho.
Pense nisso!

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
SONHO FANTÁSTICO
Quando eu era criança, não entendia o mundo.
E o que era o mundo para mim?
Era a minha casa, minha família, meu quintal, minha rua, meus amigos.
Era tudo muito barulhento, cheio de gente, risadas e gritos.
E, na minha cabeça de criança, eu imaginava outros mundos.
Como não tinha acesso ao que as crianças têm hoje, televisão, celular e outros artefatos eletrônicos, eu criava a partir do que estava ao meu redor: um universo povoado por bichos de todos os tipos, casas vizinhas e pessoas diferentes.
E eu me perguntava:
como seria viver em outro lugar?
Observando, percebi que existiam problemas, alguns parecidos com os da minha casa, outros completamente diferentes. Mas houve um “povo” que me chamou profundamente a atenção.
Eram criaturas pequeninas, que andavam em fileiras, organizadas e unidas.
Eram as formigas.
Na minha inocência, desejei morar com elas.
Eu me imaginava deitada numa cama minúscula, carregando folhinhas, cortando, picando, brincando de casinha, um contraste com o meu lar tão barulhento. Nesse devaneio, muitas horas se passavam.
Até que uma dúvida surgiu:
será que eu seria bem aceita naquele mundo tão particular?
Ou seria vista como uma intrusa?
Naquela época, eu ainda não conhecia a história de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Só mais tarde, ao iniciar minhas leituras, descobri aquela experiência fantástica da menina na toca do coelho, e percebi o quanto, sem saber, eu também já havia viajado para outros mundos.
Também não conhecia a passagem bíblica que diz que as formigas não têm chefe, nem oficial, nem dominador, mas ainda assim trabalham e se organizam, ensinando sabedoria aos que observam.
Nem conhecia a fábula da formiga e da cigarra, de Esopo, onde uma cantava enquanto a outra trabalhava.
Minha infância era simples:
sem luz elétrica, sem água encanada, sem brinquedos.
Mas era cheia de imaginação.
Lembro-me que um dia meu pai disse:
Existem formigas capazes de construir casas que se estendem por vários metros, debaixo da terra.
Aquilo me fascinou.
Passei a comparar a nossa casa — grande e comprida — com as possíveis moradas subterrâneas das formigas. Comecei a observá-las ainda mais: suas trilhas, suas fileiras, as folhas enormes que carregavam.
E eu ficava horas tentando descobrir para onde iam…
queria encontrar suas casinhas.
Eu não conseguia vê-las como pragas.
Para mim, era um exemplo de organização e trabalho.
Também não conseguia entendê-las como alimento, como faziam algumas crianças da minha época, que fritavam as formigas tanajuras, misturavam com farinha e comiam.
Para mim, elas eram um povo.
Este é o registro de uma infância que já não existe mais.
Uma infância em que se aprendia com o silêncio, com a observação e com a imaginação.
Hoje, as crianças têm o mundo nas mãos,
mas talvez já não o contemplem com os olhos de quem sonha.
Apesar de nunca ter morado com as formigas, de algum jeito elas moraram em mim.

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
PACIÊNCIA
Temos que exercer a paciência,
Já dizia o grande mestre chinês,
Todos os homens têm que ter consciência,
Que as vitórias na vida não vêm de uma única vez.
Não se escala montanhas em um só passo,
Não se mergulha fundo no mar em um só impulso,
Tudo tem que ter paciência,
A sapiência tem que estar em uso...
Com o tempo, nos tornamos mais maduros,
Experiência nos faz resistentes como muros,
Maleáveis como a água em rio corrente...
A vida nos mostra um modo diferente de olhar,
A existência nos faz mudar,
A vida nos ensina a ser paciente.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
VIDRAÇARIA POR TRÁS DO ESPELHO
Espelhar é uma palavra incrível. No espelho, reflete-se toda a nossa essência de forma material: você consegue enxergar claramente uma ruga, uma espinha ou tirar uma sujeira do rosto. Espelhar reflete na superfície o que vemos, nua e cruamente, e também o que disfarçamos até moldar uma imagem verdadeira ou fantasiada. Afinal, no espelho conferimos como estamos em relação ao que queremos ver.
Inclusive, já houve um texto brilhante sobre espelhos do escritor Luiz Primati no caderno de Reflexões, ed. 216. Vale a pena conferir.
Imagino que, ao se arrumar, qualquer pessoa queira estar de acordo com o ambiente que vai frequentar. Se vai a uma igreja, a pessoa vai comportada; se vai a uma festa, vai mais despojada; se vai trabalhar, se veste de acordo com o estabelecimento. Isso é fundamental.
Mas, e se o espelho aludisse a uma vidraça? E se ele não apenas refletisse o que se vê, mas também pudesse refletir além da placa polida revestida de prata que o compõe? Se o espelho pudesse ser um instrumento de profunda análise, utilizado para que pudéssemos olhar profundamente o que realmente o coração e a alma têm como intenção? Afinal, pode ser que alguém esteja arrumado para sair, mas esteja indo por obrigação a um lugar chato. Pode estar com aquele paletó ou blazer bem bonito, ou com adornos e bela maquiagem, mas sabe que ficará entediado ao chegar no local.
Será que um olhar de cunho mais profundo teria a capacidade de ultrapassar o limite do espelho? Assim, pudéssemos ver a vidraçaria de nossos desejos e intenções verdadeiras, para que fôssemos pessoas realmente autênticas. Logo, a profundidade de nossa essência não precisaria ser maquiada ou mascarada, refletida no espelho e moldada pela satisfação que ele nos dá quando vemos o resultado de toda a produção que finalizamos ao nos olharmos.
Seguiremos o nosso fluxo, sempre tendo que argumentar na hora em que contemplarmos nossa imagem no espelho? Poderíamos, de verdade, tentar observar a vidraça por trás da profundidade do olhar e analisar friamente se não existem erros de intenções mascaradas quando olharmos nossa imagem no espelho do "bem bonitinho e arrumado"?
Não sabemos. Mas podemos tentar perceber se, quando nos arrumamos para ir a algum lugar indesejado, estamos nos tornando vidraças — e vidraças podem ser apedrejadas ou quebrar facilmente. Então, em vez de projetar uma imagem de certezas e caráter que não seja apenas uma forma disfarçada de ser, explanemos nossa forma de viver de um jeito que se sustente muito além das vidraças de comportamento, tal como o ato de suportar uma pessoa chata somente por conveniência, por exemplo.
Universo do Tio Dudú

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
CRIANÇA ÓRFÃ
Às vezes, a vida é dura,
E você busca uma explicação.
São muitas crianças órfãs
Que precisam de amor e proteção.
Criança órfã,
Não pense que está sozinha,
Há anjos no céu para te ajudar,
E o Criador coloca, aqui na Terra,
Pessoas amigas e instituições para te amparar.
Essa batalha é nossa,
Todos podem dar sua contribuição.
Vamos dar as mãos,
Sentir pulsar o coração
Pela mesma razão.
Afinal, somos todos irmãos!
Nosso Deus amoroso conhece as tuas necessidades
E suprirá o que precisas, independentemente da tua idade.
Você é forte, valente e terá um futuro brilhante.
Acredite, dedique-se! Seja um bom estudante.
Veja, nas dificuldades, a oportunidade
De transformar seus sonhos em realidade.
Não dê ouvidos a conversas negativas.
Você é capaz!
ESTUDE, esforce-se cada vez mais,
E sua vida será de sucesso e paz.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
MEU PAÍS
Quero meu país, alegre e feliz.
Quero meu país livre de ódio e rancor.
Quero meu país cheio de paz e amor.
Quero meu país com prato cheio na mesa,
com criança na escola com caderno, lápis, caneta e um livro na mão.
Quero meu país com respeito à natureza,
com o sertão verde e o rio cheio, ainda no verão.
Quero meu país
com mais abraço apertado e sem preconceito ou julgamento.
Quero meu país de gente focada,
trabalhando honestamente, vivendo do seu próprio sustento.
Quero meu país alegre e feliz.
Não só pra mim,
mas para os filhos dos meus filhos, netos dos meus netos.
Um país grande, feliz e abençoado que a gente tenha orgulho de chamar de nosso.

AUTOR Arléte Creazzo
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
SOMOS FEITOS DE FASES
Já reparou como somos parecidos com a Lua? Ambos temos nossas fases, que aparecem de maneiras diferentes, dependendo do momento. A diferença é que a Lua não precisa ficar explicando por que está de mau humor ou feliz.
Na Lua Nova, quase não conseguimos enxergá-la, e isso muitas vezes acontece conosco. Queremos nos recolher, ficar sossegados em nosso canto. Pode ser por não estarmos nos sentindo bem, precisando apenas de silêncio e um bom café. Ou talvez simplesmente estejamos aguardando o momento certo para ressurgirmos de forma grandiosa. Não é preciso estarmos à vista de todos para mostrarmos que estamos aqui.
Depois vêm as Luas Crescente ou Minguante, que vão aparecendo timidamente, mostrando sua luz. Elas chegam devagar, como se observassem tudo e todos, assim como nós em momentos em que estamos mais propensos a ver e ouvir do que a falar. É necessário observar o que acontece à nossa volta para que possamos entender qual é o melhor momento de brilharmos.
Chega, então, a Lua Cheia, majestosa, chamando a atenção de todos. Em muitos momentos, somos assim. Ao entendermos o que nos faz feliz e aprendermos a deixar de lado aquilo que não nos faz bem, podemos mostrar o nosso brilho. E, como a Lua, há os que gostarão de ver nossa luz e outros que se incomodarão com ela. Afinal, nem todos são amantes da noite.
Mas as fases sempre mudam, e conosco não é diferente. Alguma coisa acontece no percurso que nos faz voltar a outras fases, a outros estágios de mudança. O que não é de todo ruim. Afinal, é necessário, algumas vezes, nos aquietarmos para novas observações e aprendizados, para podermos novamente brilhar.
Não é necessário que nossa luz brilhe todos os dias para mostrarmos que estamos aqui. Afinal, a vida não nos exige sempre uma Lua Cheia. É sempre necessário passarmos por nossas fases para que possamos ser completos.
Pode ser que hoje nossa Lua não esteja por inteiro, mas amanhã poderá ser um bom dia para começar a crescer novamente.

AUTOR Akira Ordine
AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.
EM PARAFUSO
Eu, soldado etílico e prosaico, vou nessa guerra junto aos meus
sem armas, recursos e esperança
o esquadrão sem Pelé, Rivellino, Tostão e Zagallo
agora mesmo volto do mercado e minha avó fica feliz da vida
com o pote de sorvete que comprei, vivo nesses momentos e não solto
Desembarco na Normandia e me escondo nas águas foscas
ainda que os homens estejam lá em cima, o leão do Coliseu não coma há meses
e as roupas do escravizado não escondam a casa-grande e a senzala
Coloquei uma baleia no meu aquário que não preenche o vazio da modernidade
vou deixar o isqueiro de lado e acender meu cigarro sempre agora
nas chamas daquela escola, que há três dias é consumida pelas labaredas
olho para o sorriso dela e quero viver nesse instante tão efêmero
Querosene na forma, na métrica, no mundo
Vês? Tudo isso desmancha no ar, ainda assim é tão metade...
vamos nessa, marchando lado a lado e pelas diagonais
nessa imprevisível e embriagada maratona da História






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