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REFLEXÕES Nº 231 — 27/09/2026

há 10 minutos
18 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


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Imagem criada com IA

AUTOR Luiz R Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

O DIA EM QUE MINHA MÃE FICOU MAIS NOVA QUE EU


Não houve dia, na verdade. Ninguém me avisou. O telefone não tocou, o calendário não trazia marca nenhuma em vermelho. Numa manhã qualquer eu tinha cinquenta e sete anos e alguns meses, e minha mãe, a Dona Mercedes, tinha ficado para trás sem que eu percebesse o momento exato da ultrapassagem. Como na estrada, quando a gente passa um caminhão devagar e só depois, pelo retrovisor, entende que ele ficou lá atrás.


Fui descobrir fazendo conta. Estava preenchendo um desses cadastros de laboratório que pedem a data de nascimento, e parei no ano. Fiz a subtração que nunca tinha feito de propósito. Sete anos. Estou a uma semana dos sessenta e quatro, e ela viveu cinquenta e sete.


Quando ela desencarnou, eu achei que era muito cedo. Meus avós tinham passado dos oitenta, vô Antônio resmungando até o fim contra o preço do pão, e eu cresci com a ideia de que a velhice de verdade começava depois dos setenta e com cabelo branco. Menos de sessenta era gente nova. Hoje sei que eu tinha razão por um motivo que não entendia naquela época: cinquenta e sete é a idade de quem ainda está fazendo planos para a reforma do banheiro.


Tenho uma fotografia dela nessa idade, talvez um pouco antes. Está carregando minha filha Ana Luiza, numa festa de Natal na casa da minha irmã Regina. Olhei essa foto a vida inteira como se olha uma pessoa mais velha. Na semana passada olhei de novo e vi uma mulher mais nova que eu. O cabelo tingido de um castanho que parecia ser natural. A pele do pescoço ainda firme. Uma mulher que poderia, se o mundo andasse ao contrário, ser minha irmã caçula, ou minha filha temporã.


Tentei imaginar a Dona Mercedes chegando aqui em casa com cinquenta e sete anos e eu com sessenta e quatro, eu o mais velho, eu o que já vi mais coisas acontecendo. Imaginei que ela me contasse algum problema e eu desse um conselho, desses que a gente dá com a mão no ombro do amigo.


Não funcionou. Na minha imaginação ela ouviu o conselho inteiro, com aquela paciência de quem termina uma volta do crochê, e depois levantou uma sobrancelha. Só isso. E eu, com sessenta e quatro anos, fiquei com vontade de pedir desculpa sem saber exatamente por quê.


Pensei que a sabedoria dela vinha da idade, que ela sabia mais porque tinha vivido mais. Era a ideia que eu tinha desde menino, e fazia sentido na minha cabeça: ela estava sempre na frente. Agora a conta não fecha. Eu tenho mais anos e ela continua sabendo mais. Alguma coisa ela carregava que não dependia do tempo, e eu não consigo dar nome a isso. Pode ter sido o jeito de ficar em silêncio na hora certa. Pode ter sido outra coisa que eu, sendo filho, nunca tive capacidade para enxergar.


Há coisas que ela não chegou a ver e que eu vi. Isso me dá uma vantagem esquisita, de quem ficou mais tempo na festa e sabe como terminou a conversa da mesa do canto. Às vezes me pego querendo contar para ela. Não os grandes acontecimentos, que esses todo mundo já repete, mas as pequenas coisas. Que agora se paga o pão com o celular. Que o preço do pão, aliás, faria meu avô resmungar em dobro.


Os anos vão continuar passando e eu vou me afastando dos cinquenta e sete, como quem sobe uma rua comprida e olha para trás de vez em quando. Ela vai ficando cada vez mais nova lá embaixo. Se eu chegar aos noventa, ela terá idade para ser a filha que eu tive cedo demais. E esse pensamento é tão absurdo que me faz rir sozinho enquanto escrevo esta crônica.


Semana que vem faço sessenta e quatro. Ela continua com cinquenta e sete. E eu, antes de desligar o fogo, ainda provo o arroz do jeito que ela mandava, na colher, soprando duas vezes.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

VIVER UM DIA DE CADA VEZ


Viver um dia de cada vez. O ontem já passou e o amanhã ainda não chegou. O único tempo que você pode controlar e viver de verdade é o hoje. Não sofrer por antecipação, não cansar a alma nem o coração.


Todos os dias o sol nasce e se põe. É preciso viver o real, para não se arrepender de não ter aproveitado aquele momento, aquele tempo. Existimos para viver, e não para criar ânsias de coisas impossíveis, abrindo desertos em nossos caminhos.


Viver um dia de cada vez... Sentindo o hoje com nossas possibilidades. Sentir o gosto da vida, do tempo. Aquilo que foi não mais será; o que não tivemos, poderemos ter de outra forma. Um dia de portas fechadas, no outro as portas se abrem, descortinando nossos sonhos.


Viver a primavera que se abre em flores, cada uma em seu jardim. É um privilégio saudar o sol, sentir o vento, e calmamente admirar os movimentos das nuvens.


Continuar a cada dia, no ritmo da noite e do dia, fazendo o seu melhor no presente — e deixar que o amanhã cuide de si mesmo.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

NO FRIO DA NOITE


E, naquela madrugada fria, o céu estrelado

nos trouxe a magia da lua cintilante que reluz

com esse um triste contraste suburbano

que na verdade, é um ato desumano

que passa batido pelo ser humano

que vive dentro dessa sociedade

e que, em sua maioria, não tem piedade

e ignora aqueles que vivem essa dura realidade.


Madrugada adentro, é só adentrar nos becos,

nas vielas e visitar as praças para constatar

as condições sub-humanas em que vivem

o povo de rua que são acolhidos pelos

voluntários que são verdadeiros anjos

enquanto isso, os nobres levam uma

vida de bacana e o trabalhador

brasileiro leva uma vida tirana.


E naquela praça lotada de gente decente

que de pés descalços se perdeu da sua

gente, e agora vive carente em busca

de um abraço que a esquente nessa

noite fria, onde uma sopa quente

vai aquecer a alma e coração

dessa população que um dia

foi prioridade, mas hoje é descarte.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

OS MISTÉRIOS DA MENTE HUMANA


Assistindo à série “O Mentalista”, na Netflix, comecei a refletir sobre os mistérios da mente humana. Um universo tão profundo, capaz de guardar memórias, emoções e experiências que, muitas vezes, nem nós mesmos conseguimos compreender. No estudo da hipnose, refletimos sobre aquilo que existe além da nossa consciência. Quantos sentimentos carregamos sem saber de onde vieram? Quantos comportamentos repetimos sem perceber que talvez estejam ligados a histórias antigas, vínculos e experiências que marcaram nossa maneira de enxergar a vida? 


Esse autoconhecimento que buscamos pode começar justamente quando paramos de procurar respostas apenas do lado de fora e nos permitimos olhar para dentro, com mais acolhimento e menos julgamento. 


A mente não é apenas aquilo que pensamos; por meio de nossa mente, adquirimos um conjunto de diferentes compreensões que nos permitem sentir, silenciar e, às vezes, aprender a ter equilíbrio. Essa prática de desvendar os mistérios da mente está em nós, a qual é a coragem de transformar aquilo que já não precisa nos conduzir. 


Que eu e você, neste domingo, possamos ter coragem de desacelerar, respirar e ouvir um pouco mais a nossa própria história. 


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

O TEMPO PARA


Quando você deixa de ver o que te deixa colorido…


talvez você deva guardar delicadamente, para não te roubarem o que há de mais precioso:


o seu colorido.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CAFETERIAS


Sou uma admiradora de cafeterias. Há algo de especial naquele ambiente acolhedor, na decoração cuidadosamente pensada, na arquitetura elegante e no serviço atento. Existe também um certo esmero no simples ato de coar o café, quase como um pequeno ritual.


Amo a atmosfera tranquila, serena, distante da agitação apressada do almoço e de seus condimentos fortes. Nas cafeterias, o que domina é o aroma do café recém-passado, acompanhado de pequenas guloseimas que parecem convidar à pausa.


É um lugar que favorece encontros e boas prosas. Um espaço onde se pode sentar apenas para saborear uma xícara de café, ler algumas páginas de um livro, relaxar ou simplesmente refletir. Ali, o tempo parece caminhar mais devagar, permitindo que apreciemos não só a bebida, mas também o instante.


Encanto-me com as xícaras, seus designs, cores e formas variadas, como se cada uma trouxesse consigo uma pequena história.


Também amo o ritual cotidiano do café em nossas próprias casas, tão presente em nossas rotinas. Ainda assim, ir a uma cafeteria traz sempre algo a mais: um toque de charme, um sopro de delicadeza, quase uma pequena experiência de requinte no início do dia ou no fim da tarde.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

CHORANDO NA CHUVA


Sabe, mulher,

Quantas vezes eu saí pela chuva,

Nem queira saber,

Só pra as lágrimas pelo meu rosto esconder...


Nesta minha vida chamada turbilhão,

Você poderá ocupar minha alma e meu coração,

Enquanto isso, passeio pela chuva,

Para minhas lágrimas pelo meu rosto esconder...


Nem raio nem trovão,

Machuca tanto meu coração,

Como a solidão, sem você...


Mas carrego no peito a esperança,

Desde os meus tempos de criança,

Que a felicidade é possível, apenas basta acreditar.


E que sirva para todos,

Nem toda tempestade é eterna,

E que acima de um temporal,

Sempre estará um lindo céu azul...


Sei disto, pois estive lá,

E dele só é merecedor,

Aquele que na vida espalhou o amor,

Não se importando, se pode ou não abraçar...


Faça de sua vida,

Um exemplo de amor,

Sem importar-se com a ferida...


E quando você estiver abatido,

O amor de Deus é infinito,

E, no momento certo de Deus, você estará com ele.


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

QUE MAL HÁ EM ESQUECER UM QUIBE NO PORTA LUVAS.


Um desencontro às vezes é sinal de cordialidade.


Sabe aqueles dias em que você tenta acordar no horário, levantar, escovar os dentes, se arrumar e sair para mais um dia de rotina, mas no fundo tudo sai inesperadamente errado.


Você acorda com a luz na janela e percebe que esqueceu de colocar o despertador para tocar mais cedo, e pior, esqueceu até mesmo de ligar e colocar para despertar;


Levanta correndo, se arruma às pressas e sai correndo sem tomar um café. No caminho, percebe que calçou o par de meias com cores distintas, e ainda por cima uma estava do avesso nos pés. Pior ainda é perceber, ao entrar no carro, as marcas de pasta de dente mal limpas no canto da boca.


Tudo até que pode ser remediado, afinal você está com pressa, mas chato é perceber no caminho que, ao você sair mais tarde que de costume, acabou pegando um corredor de trânsito bem movimentado. Isso era para ser evitado, mas lembra que você esqueceu de sair de casa mais cedo porque perdeu a hora, não ajustando o despertador?


Certo, não tem como ir por cima dos carros e seguir outro trajeto, afinal, você se encontra no melhor percurso. Logo, em alguns minutos, o trânsito se libera e você consegue seguir, mesmo tentando conter sua fúria por estar passando desnecessariamente por aquela aventura configurada por seu pequeno descuido.


O que mais impressiona a seguir é que você se depara com uma pequena trupe de circo que passa cruzando a avenida, bem antes de você alcançar a travessia da linha férrea. Eu tenho intervalos de espera de 5 minutos, num intervalo de mais 5 minutos que o trem leva para liberar o trajeto, até o sinal te liberar para passagem, tranquilo, afinal você já está com o horário apertado, mas ainda está confiante de que chegará ao seu destino. Você tem uns 3 ou 4 minutos de atraso controlado.


Porém, num dia de sexta-feira, começa uma chuva forte e fria que você não atentou que poderia cair, pois não olhou atentamente a previsão do tempo no dia anterior; logo são mais uns 3 minutos de atraso, já contabilizamos 6 ou 7 minutos perdidos para se chegar no horário previsto.


Daí por diante você já se vê irritado, pois a angústia de não realizar seu objetivo de chegar na hora certa começa a te incomodar. Não é o fim do mundo, mas você começa a se cobrar e tenta entender o que fez de errado desde o início, que te levou a estar tão contrariado, porém resiliente, como alterar os ponteiros do relógio da vida a seu favor. O start já foi dado; não existe retrocesso no tempo.


Mais uns quarteirões, uns quilômetros e você irá chegar, mas, no mundo corporativo de hoje em dia, até nas empresas, 15 minutos é o limite de tolerância. Você já contabiliza 12 minutos. Bem, ninguém perderia tempo parando no quiosque a uma quadra de seu objetivo para comprar um salgado, sabe, uma coxinha, risole ou quibe frito; mas você resolve parar, afinal não deu tempo de tomar café.


Você pede um quibe, vai pagar e, no exato momento, seu aplicativo do banco tem um bug e não consegue ler o QR code da máquina. Você tenta, tenta, reinicia e quase desiste. Afinal, você está no caixa há uns 3 minutos. Puxa, não pegou fila, não tinha pessoas esperando, e era apenas um salgado frito. O que poderia dar errado? Logo no momento exato em que ia desistir, acaba dando certo e o seu celular consegue ler o QR code e o pagamento é efetuado, mas foram 4 minutos. Você perdeu o foco em comer e resolveu entrar rápido no carro ao perceber que já está 16 minutos atrasado. Para você, já existe auto infligir-se, pois acabou de sair dos padrões toleráveis.


Não existindo mais o que fazer, é melhor entrar no carro, estacionar na rua mesma, para não perder tempo entrando no estacionamento coberto do estabelecimento onde terá seu compromisso.


Bora então, você entra, deixa o quibe no porta-luvas, olha no relógio do letreiro e percebe que seu relógio está adiantado 5 minutos, ou seja, mais um erro de cálculo. Você está apenas 13 minutos atrasado; resolve ao menos se controlar e, antes de sair do carro, resolve repentinamente colocar a meia do lado certo, para não parecer tão desajustado, afinal, talvez ninguém percebesse a diferença entre preto e azul-marinho.


Um respiro, desce do carro, bate à porta e ouve um estrondo, seguido de uma nuvem de fumaça e ventos dignos de um tornado. Sim, houve uma explosão; o prédio onde você teria seu evento está em ruínas, como num desastre, tudo foi abaixo, mas você nota que, se estivesse dentro dos 15 minutos de tolerância aos quais se dispõe, você não estaria mais aqui. Seu erro de cálculo de 1 minuto de diferença foi o suficiente para te manter vivo.


No fundo, além de uma reflexão fictícia de saber lidar com as indiferentes autocríticas que nós fazemos, é importante refletir se às vezes não é que erramos, mas sim que nos livramos de estar no lugar errado, na hora errada, e um simples atraso pode ser uma dádiva que nos livrará de uma catastrófica experiência. Pensemos nisso enquanto decidimos se iremos comer ou não o quibe que ficou esquecido no porta-luvas do carro.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

CALOR INTENSO


— Corre! O calor está chegando!

— Correr para quê? — Para se proteger. O calor está forte.

— Mas eu demorei... — Demorou mesmo. Agora o calor já chegou!

— E o que eu faço? — Primeiro, calma. Não adianta correr de um lado para o outro. Respira.

— Estou com sede. Vou beber muita água de uma vez! — Não. Beba devagar, aos poucos. Seu corpo precisa de cuidado, não de pressa.

— Então, até para beber água é preciso ter calma? — Principalmente no calor. A pressa também pode cansar o corpo.

— E a pressão? — Se você não se cuidar, o calor e o esforço podem sobrecarregar o organismo. Por isso, hidrate-se, descanse e procure um lugar fresco.

— Então o calor não é só uma questão de temperatura... — Exatamente. É também uma questão de cuidado.

— E se o calor aumentar ainda mais? — Diminua o ritmo. Escute o seu corpo. — É entender que, quando o calor chega, precisamos caminhar com mais calma.

— Isso mesmo. Às vezes, cuidar de si é justamente parar, respirar, beber água devagar e respeitar os limites do corpo.

Em Caxias-MA, o calor não brinca, não!


AUTOR Akira Ordine


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

NULO


Sua vida, triste e vazia, tem sido sair sufocado no calor descomunal da metrópole

ou na chuva e frio que alagam-te o ânimo, descarrilham teus pés dentro da tua bota furada

e congelam mais ainda teu gélido coração

Olhas sempre por cima dos ombros, pegas o ônibus, o trem, o metrô

alguns deles ou todos eles para ir ao trabalho, e de lá pegas o ônibus, o trem, o metrô

alguns deles ou todos eles, e voltas para casa, obsoleto, opaco e obtuso

Olhando sempre por cima dos ombros e por baixo da cama, da lama, dos jardins


Trabalhas sem energia, e por isso o café e outros artifícios

são seus companheiros inseparáveis na reza pelo próximo

fim de semana, feriado, período, férias, fim do mundo, salário e décimo terceiro

Assim como fazias enquanto acadêmico, vida essa que largaste

pela obsolescência do teu diploma, diante das camisas de força, dos pêndulos e das colunas

que se sobrepõem a ti e te fazem raquítico, irrelevante, enclenque

e esmagam-te como um miserável inseto


Sentas quase nunca à frente do televisor, quando o faz, é para assistir aos jogos do teu time

Quando ele vence, é uma das únicas alegrias que ainda tens nesse mundo

quando ainda sobra dinheiro, vez ou outra vais ao botequim com os seus

para embriagar-se e poder ao menos por um momento deixar de lado o enorme

Vazio que te consome


Conheces cada vez menos a cultura atual do teu país, às vezes duvidas se ela ainda existe

Não lês mais nada, pois todo o conhecimento do mundo parece a ti inútil

diante do grande fim que se aproxima

Teus heróis morreram de overdose e não pareces identificado sequer

com o teu reflexo e a tua sombra


claudicas taciturno, e para completar é ano de eleições, e tu

que já hasteaste bandeiras várias, foste à rua, correste da polícia e dos ladrões

Quebraste correntes, vidraças, padrões, versos

Acreditaste nas maiores utopias e lutaste na linha de frente pelas tuas ideologias

sentes hoje infinita descrença na realidade, e por isso pretendes

anular todos os teus votos, em todos os turnos

pois nutres em doses cavalares um ódio em relação à imutabilidade das coisas

e esquiva-se sempre que pode do tedioso trabalho de politizar-se e ouvir a alteridade

As horas várias no celular trataram de liquefazer teus neurônios, tuas retinas e tua compaixão


No fundo, sabes da vergonha que tens de admitir que a efemeridade e a fraqueza

do atual século levaram-te às cordas, enquanto alargado e inerte no presente

esse presente de grego, depositas nas próximas gerações a conta a ser paga

e aguardas de joelhos o golpe final


AUTOR Nayara Santos


NAYARA SANTOS LOPES, natural de Feira de Santana, Bahia, é Técnica de Enfermagem, Tradutora e Intérprete de Libras e poetisa, cuja relação com a escrita nasceu ainda na adolescência e permanece viva como expressão de sua essência. Entre palavras e sentimentos, encontra na poesia um refúgio e uma forma de dar voz ao que pulsa em sua alma. Com sensibilidade e profundidade, tem seus versos publicados em antologias poéticas, onde compartilha fragmentos de emoção, vivências e amor pela arte de escrever.

REPARA NOS DETALHES


Olha só como ele lembrou de comprar seu doce preferido no caminho de volta do trabalho.

Como ele foi com você a um lugar que não gosta muito, mas você gosta.

Como ele assiste àquele filme super romântico e meloso só porque você ama.

E quando ele pede ou prepara sua comida favorita.

Ele nunca diz "eu te amo", eu sei, você quer ouvir. Mas, se parar para notar os detalhes, verá um "eu te amo" em cada gesto, cada ação feita com carinho, atenção e amor.

Nem sempre sabemos dizer "eu te amo", mas podemos demonstrar nos detalhes e em cada momento da vida.

Não precisa de hora nem dia especial; todo dia é importante para quem ama.


AUTOR Simone Gonçalves


SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro neste ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

A JORNADA DA FELICIDADE


A felicidade pode estar em qualquer lugar, acontecer de várias maneiras e das formas mais simples e leves que  a vida pode oferecer.


A felicidade, quando representada por um amor puro e verdadeiro, é algo que eleva nossa alma à plenitude do paraíso, aos montes sagrados dos prazeres mais sublimes que fazem os sonhos se realizarem com ternura, onde a vida se renova a cada toque, a cada entrega...


A felicidade se esconde do coração quando estamos feridos, magoados. Quando não encontra o caminho por falta do olhar que emana paz, o brilho da alegria no contato.


Mas, quando encontramos, sentimos... vivemos a felicidade, ah... tudo se transforma!


Nos molda e nos proporciona momentos de prazer sem medida. Nos faz sentir o amor em sua total plenitude. No beijo envolvente, na entrega sem medo e na certeza de que o verdadeiro encontro de almas pode, sim, acontecer. É uma questão de tempo, amadurecimento... a qualquer momento.


E se não acontecer na atual existência, vai acontecer numa outra. A felicidade de amar sempre vai percorrer caminhos até encontrar o horizonte certo, onde estarão juntos os corações que se unirão para viverem a linda jornada do... amor.









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