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BECO DOS POETAS Nº 162 — 08/10/2026

há 13 horas
12 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

A MÃO QUE JÁ SABE O CAMINHO


Depois de certo tempo, o amor vira hábito de toque. A Mônica estende o braço sem olhar e a minha mão já está lá, no lugar onde sempre esteve, como o interruptor que a gente acha no escuro da própria casa.


Nem sempre foi tão fácil. Teve mês que fechou no vermelho e a gente almoçou falando de outras coisas, de propósito, com as contas escondidas embaixo do prato. Teve a pandemia, nós dois no apartamento, sem filha nem neto na porta, cada tosse do outro escutada com um susto que nenhum dos dois admitiu.


Teve também a mãe dela. Nos dias de visita à clínica, a Mônica voltava calada e tirava o sapato devagar, e eu ficava sem saber se perguntava ou se só fazia um café. Quase sempre fiz o café. Acho que foi a coisa certa, mas nunca perguntei.


Eu não fui um marido exemplar nesses anos. Cheguei tarde, fui ríspido, passei semanas com a cabeça em outro lugar e o corpo largado no sofá. Ela brigou comigo por causa de uma toalha molhada em cima da cama, e foi a briga mais tranquila do mês. Eu entendi, bem depois, que ninguém briga por toalha com quem pretende ir embora.


Já tive medo de que o amor fosse coisa de começo, de festa, de quem ainda não conhece o outro de pijama e de mau humor. Hoje conheço. Conheço o barulho que ela faz ao procurar os óculos, o jeito de me olhar quando faço piada sem graça, a hora em que ela chora escondida no banheiro para eu não ver. Finjo que não vi. Ela finge que não sabe que eu fingi.


Amanhã vou deixar a toalha na cama de novo. Sem querer, claro. Ela vai reclamar, e eu vou ouvir calado.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

É INCRÍVEL AMAR ASSIM…


Te somando a mim.

Tendo fases, como as estações.

Fases de te desejar.

E ser tua.

Vendo estrelas em ti.

Simplesmente amando.

Com a sensação adorável.

Como ficar diante de um rio?

Azul cintilante, relaxante.

Basta imaginar, por um instante.

E sentir essa realidade mágica.

Nesse mundo fascinante,

inspirador e transformador,

quero viver e ter o privilégio.

De ver todos os dias.

A onda luminosa do sol,

Provocando vibrações afetuosas.

Na minha alma.

E no infinito de nossos corpos.

É tão sem fim,

É incrível amar assim.

Sem limites geográficos.

Sentindo que o meu amor por ti;

Não acabará nunca.

Ou seja…

Amo-te ausente.

Porque é de ausência o amor que se pressente.

E se é que este arder há de ser sempre.

Hei de morrer de amor nascendo em mim.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

DE ÊXODO 20:12 A 1.TIMÓTEO 5:8, VÊM A DESONRA E A CONDENAÇÃO


A experiência e a longevidade refletem-se em um corpo cansado que guarda a sabedoria em abundância, que sempre traz um conselho para aqueles que querem ouvi-lo. O vigor já não é o mesmo, os passos são lentos e a memória falha ao ponto de eles perguntarem a mesma coisa por diversas vezes. A visão, com o tempo, ficou turva e revela o amor genuíno que transborda nos olhos de um pai e de uma mãe que se dedicaram ao filho a vida inteira.


E andando pela cidade e pelos bairros, nas praças, nós os encontramos e vivendo a terceira idade, eles trazem as suas memórias de infância, nas quais revelam as suas peripécias da época em que eram crianças e falam sobre as velhas brincadeiras que já não existem mais e os arroubos da época da juventude, em que um cavalheiro cortejava uma dama nos bailinhos e dançavam de rosto colado ao som de uma bela canção romântica, em que, segundo eles, havia respeito, havia a conquista.


E andando de um lado para o outro, ouço ecos dentro de uma casa vazia, onde o pueril consome a mobília que a tempos está coberta com os lençóis embolorados pela umidade das paredes que há anos não veem a cor da tinta. E nos corredores, um silêncio ensurdecedor desperta e mata aos poucos aqueles que foram abandonados pelos filhos desnaturados, que não reconhecem o esforço dos pais, que agora são idosos e necessitam de todo cuidado.


Infelizmente, eles não conhecem ou ignoram um dos principais mandamentos que diz: "Honre o seu pai e a sua mãe, para que os seus dias se prolonguem na terra", mas eles escolhem ferir com a dor do abandono que, como uma lâmina fria, deixa marcas profundas, corrói a alma e maltrata o coração que, agindo com a emoção, ainda pensa nas lembranças de um tempo que já passou. Nessas alturas, muitos são maltratados, são roubados, são enganados e descartados. Eles vão parar em um lar de idosos, onde alguns conseguem ser bem acolhidos, mas outros seguem para ambientes insalubres, onde continuam sendo vilipendiados.


E nessa manhã, da varanda do meu quarto, da altura da minha cadeira de balanço, com um gole de café na solidão e algumas bolachas, vejo o pátio da casa repleto de idosos cheios de histórias e com dores internas que dilaceram a alma. Vejo um olhar perdido que muitas vezes não precisa falar nada, porém, muitos compartilham a sua trajetória de vida, em que contam momentos de alegria e de tristeza, e vêm as lágrimas que estão guardadas em um tempo de dor que não cessa diante do abandono que vivemos dentro dessa cruel realidade após ficarmos velhos.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

SE O SILÊNCIO FALASSE


Se...

Se...

Se somente ele falasse,

já se entenderia tudo

de uma vez.



AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CONEXÃO


Adoraria estar na mesma frequência que você

Sentir sua vibração em mim

Estar conectada a você

Seria um êxtase sem fim.

A distância física existe

Mas estamos ligados

Por um amor sem igual

Nossa sintonia vai além

Estamos interligados

Em conexão sideral.

Eu pertenço a você

Você pertence a mim

Em espírito, alma e coração

Em um elo de paixão.

Nossa comunicação

É autêntica e transparente

Profunda e significativa

Na ausência sentida.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

MINHAS DORES


Minhas dores, Cortam meu ser, Minha alma, A cada pancada da vida, Chega a esmorecer.


Sejam dores físicas, Ou em minha alma, Como rios caudalosos, Que as curvas contornam, Eu vou levando minha vida, E As minhas dores, Vão me moldando, A cada lágrima derramada, Neste vasto campo da vida.


Minhas dores, Cortam a carne, Corta a alma, Só não corta a saudade, De você, que sinto agora.


Minhas dores, São os ensinamentos da vida, A dor que não cicatriza.


Mas você,

É O bálsamo de minha vida, A esperança da felicidade,

A cada amanhecer.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

CHUVA DE BÊNÇÃOS


Um clamor de amor, fé e esperança pela nossa terra querida.


Querido Deus, Pai de infinita bondade e misericórdia,


Hoje, elevamos nossos olhos aos céus e abrimos nossos corações para Te fazer um pedido que vem da alma: manda chuva para nós, Senhor! Manda chuva para Caxias-Maranhão!


Olha por nós, Pai! Contempla o sofrimento do nosso povo, o calor que castiga nossos dias, a terra ressecada que clama por água, as plantas que murcham, os animais que padecem e os corações que já não escondem a saudade de sentir o cheiro da chuva molhando o chão.


Senhor, nossa cidade está sofrendo. O sol parece não dar trégua, o calor aperta, o cansaço se acumula e a esperança, mesmo resistente, busca sinais de alívio no horizonte. Por isso, Deus amado, escuta a nossa prece!


Abre as torneiras do céu, Senhor! Derrama sobre nós uma chuva de bênçãos!


Que as nuvens se aproximem, que os ventos anunciem a chegada da chuva e que as primeiras gotas caiam sobre nossa cidade como um abraço Teu, como um carinho divino, como uma resposta amorosa ao clamor de milhares de corações.


Manda uma chuva mansa, generosa e abençoada, Senhor! Uma chuva que molhe a terra sem causar destruição, que encha nossos reservatórios, que revitalize a natureza, que alimente as plantações, que refresque nossas casas e devolva ao nosso povo o conforto de respirar um ar mais ameno.


Que a chuva lave a poeira das ruas, refresque os telhados, desperte os rios e faça florescer novamente a esperança em cada quintal, em cada jardim, em cada roçado, em cada plantação, em cada coração.


Meu Deus, Tu conheces o amor que sentimos por esta terra! Como canta Alcione, “Maranhão, Meu Tesouro, Meu Torrão”! É chão de nossas raízes, lugar de nossas memórias, cenário de tantas histórias e morada de um povo que aprende, todos os dias, a resistir sem perder a fé.


É por amar tanto esta terra que hoje Te pedimos socorro. Não queremos apenas chuva sobre o solo; queremos alívio para quem sofre, esperança para quem espera e conforto para quem já sente os efeitos de dias tão difíceis.


Olha, Pai, pelas famílias que enfrentam dificuldades com a falta de água. Ampara os idosos, protege as crianças, cuida dos enfermos, fortalece os trabalhadores que enfrentam o calor e dá sabedoria a todos os que podem contribuir para amenizar esse sofrimento.


Que não nos falte a água, Senhor, nem a solidariedade para compartilhá-la. Que não nos falte a chuva, nem a consciência de cuidar da natureza. Que não nos falte o alívio de que tanto precisamos, nem a fé para continuar esperando.


Caxias clama, Senhor! Caxias pede chuva! Caxias precisa do Teu cuidado!


E nós, filhos desta terra, unimos nossas vozes numa só prece, com os olhos voltados para o céu e o coração cheio de esperança.


Que cada nuvem seja recebida como uma promessa. Que cada gota seja motivo de gratidão. E que, quando a chuva finalmente chegar, possamos abrir nossas janelas, respirar profundamente e dizer, emocionados/as:


“Obrigado/a, meu Deus! A chuva chegou! Nossa terra está sendo abraçada pelo céu!”


Até lá, Senhor, sustenta nossa esperança. Ensina-nos a suportar os dias difíceis e não permitas que nos esqueçamos de que cuidar uns dos outros também é uma forma de viver o Teu amor.


Chuva, Senhor, sobre Caxias!

Chuva sobre nossas casas, nossas ruas, nossos campos e nossos corações.

Chuva sobre a terra sedenta e sobre a esperança do nosso povo.

Que venha a chuva que refresca, que renova, que alimenta e que faz a vida florescer!


E que, junto com a água que cai do céu, desçam também a Tua paz, a Tua proteção e as Tuas bênçãos sobre cada caxiense.


Em Tuas mãos, entregamos nossa aflição, nossa esperança e nosso torrão amado.


Que os céus se abram em bênçãos e que a chuva chegue, trazendo alívio, renovação e esperança para Caxias-MA e nossa gente.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

O VAZIO QUE PESA


Faltam palavras

Para expressar o vazio.

Palavras gritam, choram, fogem,

Rimas se confundem,

Cansadas de tanta dor,

Rodeadas de temor.

Revoltam-se contra a alma vazia,

O coração rasga de melancolia.


Nas trilhas do silêncio,

Busca forças;

A introspecção impulsiona a ação.

— Basta!

A solidão grita, flameja em dor,

No cárcere do desamor,

Procura retirar o peso que se instalou,

O vazio que ficou.


A vida segue,

Como um rio que transborda.

A esperança invade o coração

E afoga a solidão.


AUTOR Walter Berg


WALTER BERG, pseudônimo de Valter Alves da Silva, poeta contemporâneo, professor de Língua Portuguesa, Licenciado em Letras Português e Literatura pela Universidade Estadual do Maranhão-UEMA, especialista em Gestão, Supervisão e  Coordenação escolar pela FAVENI, tem participação em várias antologias nacionais.

NORDESTIZAR


Amo meu Nordeste,

Terra de cabra da peste.

Terra de sol, sertão e campestre.

Praias lindas, eita meu Nordeste.


Comidas típicas abundantes.

Culturas e costumes atraentes.

Religiosidade cativante.

Povo hospitaleiro e inteligente.


Quero me nordestizar.

Vem do Sul, Centro-Oeste.

Norte e Sudeste.

Todo mundo ama o Nordeste.


AUTOR Akira Ordine


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

O MONSTRO


Mãe, pai, posso dormir com vocês?

Tem um monstro embaixo da minha cama

mãe, pai, vocês podem me escutar?

Desde ontem o monstro está lá e ele só cresce

mãe, pai, posso dormir com vocês?

O monstro já está na sala também

mãe, pai, podemos dormir na casa da vovó?

O monstro está aqui com a gente

mãe, pai, podemos ir embora?

O monstro já está lá com ela

mãe, pai, podemos desligar a televisão?

O monstro está lá também

mãe, pai, podemos ir para a rua distrair?

Lá me sinto mais seguro

mãe, pai, podemos voltar para casa?

O monstro já está em todos os lugares

mãe, pai, o que está acontecendo?

Vou dormir embaixo da cama

mãe, pai, quem somos nós?

Eu não gosto dele

mãe, pai, o que eu faço?

O monstro quer ser meu amigo

mãe, pai, vamos pro mundo dos sonhos?

Acho que o monstro ainda não está lá

mãe, pai, podemos dormir?

Não vale a pena despertar...









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