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BECO DOS POETAS Nº 161 — 01/10/2026

há 7 horas
11 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

FIDELIDADE


Tem uma palavra que a gente jura sem nunca assinar nada: fidelidade. Não existe contrato para ela entre amigos, não existe cláusula que obrigue um sócio a ficar, não existe multa por quebra de lealdade a uma empresa. E ainda assim, a gente vive como se tivesse assinado, em algum lugar, um papel que não pode rasgar.


Tenho amigo que considero fiel há décadas — Silvio, por exemplo — e nunca precisamos formalizar isso em lugar nenhum. A fidelidade entre amigos é a mais barata de manter e a mais cara de perder: custa só tempo e atenção, e quando quebra, não tem reparo que console.


Com empresa, é diferente. Empresa não retribui fidelidade do mesmo jeito que retribui lucro. Passei mais de 15 anos construindo uma empresa de tecnologia, e por muito tempo tratei aquilo como se fosse juramento de sangue — não saio, não decepciono, não abandono o barco nem quando o barco está furado. Hoje me pergunto se isso é fidelidade de verdade ou hábito disfarçado de virtude.


Porque agora estou diante de uma decisão que não queria tomar. Ficar parcialmente na empresa que ajudei a construir e buscar outra empresa para ajudar em parte desse meu tempo. E toda vez que penso nisso, ouço uma voz antiga, não sei bem de quem, dizendo que homem de palavra não volta atrás, que lealdade que se quebra ao primeiro aperto não era lealdade, era conveniência.


Só que tem outra voz, mais nova, mais prática, perguntando: fidelidade a quem, exatamente? Porque enquanto eu sustento um juramento que fiz a uma empresa, a mesma empresa não sustenta minha geladeira, não paga a conta que chega dia dez, não explica para a Mônica por que o mês fechou no vermelho outra vez. A empresa não tem família. Eu tenho.


É fácil, de fora, dizer que dinheiro não é tudo e que princípio vale mais. Quem diz isso, geralmente, não está devendo boleto no mesmo mês em que defende o princípio. Eu já disse essa frase para os outros, com a boca cheia de convicção, e hoje ela me amarga na própria boca, como remédio vencido.


Não sei se estou prestes a quebrar um juramento ou só a perceber, tarde, que aquele juramento nunca foi recíproco de verdade. Fidelidade que exige sacrifício de um lado só não é fidelidade — é resignação com nome bonito.


E ainda assim, hesito. Porque parte de mim, a parte que foi criada para cumprir palavra, ainda acha que existe uma linha entre decidir e trair, e que eu estou perigosamente perto dela. Meu atual sócio, se um dia ler isso, vai entender exatamente a que decisão me refiro, mesmo sem eu escrever aqui os detalhes — e talvez seja isso que mais pesa: não é o mundo que vai me julgar, é quem sabe da história inteira.


Não tenho resposta pronta para onde a fidelidade deveria acabar. Sei que existe um ponto em que ela deixa de ser virtude e vira sacrifício inútil, e também sei que esse ponto não vem com placa avisando “é aqui”. A gente só descobre que passou dele quando olha para trás e vê a própria família precisando de algo que a lealdade não estava disposta a dar.


Ainda não decidi. Talvez quando publicar esta crônica, já tenha decidido — e nem saiba dizer, com certeza, se foi a escolha certa.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

O SOL E VOCÊ


Acordo pensando no sol

Ele é tão poderoso que me atrai para a contemplação de sua beleza

Meu sol, minha luz, meu olhar de saudade

Caminhando, te encontro

Sou chamada por uma flor e, ao me aproximar, incrédula, a contemplo

Nela vejo teu olhar

Um brilho amarelo me entusiasma e, como encantada, perto de ti me aquieto

Um sol forte, energético como um café da manhã

Nele, começo e recomeço nossos continuados momentos

Pedaços de luz me envias e eu me completo nessa esperança, para o meu dia.

Os dias passam correndo e nem sinto que tudo se movimenta

Estou em teus raios e em teu calor que não arde, não incomoda

Na paz de teu poder sobre meu pensamento, te sigo

E minha alma tem a cor do ouro, metal resiliente

Crio em ti as minhas asas e para ti voo o mais alto que posso

Nada me detém, nessa fantástica viagem

Te encontrarei e em teus raios nos transformaremos em um

Sou a fada e tu, meu encantador sonho-luz, na alegria de ver o sol

Sede saciada por teus beijos de paixão pelo viver.

Querido sol, em tua vida quero amorosamente ser

Sempre o teu amanhecer.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

LÁGRIMAS DE ALEGRIA


Ah, minha querida Apolônia, tu sabes o quanto

sonhei com esse dia e agora vejo você brilhando

lindamente diante da luz do luar, e assim chegou

o grande dia do tão sonhado, sim, e nos pés

do altar, na presença de Deus, vejo que fiz

a escolha certa, vejo os seus olhos

transbordando de amor e neles 

vejo o meu futuro.


Você está tão bela, minha querida Apolônia, vejo

o seu rosto corado por trás do véu, seu perfume

de rosas me deixa ébrio de tanta felicidade

e os seus cachos ondulados derramam-se

e encaixam-se perfeitamente sobre o teu

colo, e eu não vejo a hora de beijar os

seus lábios de mel e, só assim morrer

de amores, por você que furtou o meu

coração com uma só pérola do seu olhar.


Enfim, após ter dito o sim, fomos para nossa lua

de mel na tranquilidade do campo e a sós na

beira da lareira, sentimos o calor um do outro

pela primeira vez, e sussurrando em meus

braços, de tanto contentamento após

uma noite inesquecível de amor nós

nós despertamos ao amanhecer, 

comovidos em lágrimas de alegria.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

A POESIA POR AÍ


Teve várias vestes:

azul, verde, vermelho...

Vestiu saia, calça,

vestido e muita roupa de

praia.

Viajou por lugares frios e

quentes,

colheu flores e amizades

pelo caminho

e sonhou muito

com os encantos que

encontrou.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

COMUNICAÇÃO


Conversar não é apenas falar

É saber ouvir

Praticando uma escuta ativa

Respeitando o tempo do outro.

É ter paciência

Esperar a hora certa para se expressar.

A comunicação é feita de consideração

É feita com os olhos

Com um sorriso

Sabendo usar o tom de voz

A expressão facial

Com gestos educados

Tudo isso é conversar!

Comunicar

É ter expressão corporal adequada

Roupas apropriadas ao lugar

E com quem você quer falar.

Tudo comunica

Tudo conversa

É preciso ter expressão oral

Ter expressão corporal

Empatia e educação

Aprimorando o vocabulário

A qualquer situação.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

COM O PASSAR DO TEMPO


Com o passar do tempo, Descobrimos que, Nosso amor não é perfeito, Somos pessoas, Cheias de defeitos, E dentro de nossas imperfeições, Buscamos sentido, Buscamos rumos, Para nossos corações.


Com o passar do tempo, Sonhos se tornam realidade, E apesar, Do avanço da idade,

O Amor, Chega a nossas vidas.

Com o passar do tempo.

A ansiedade, Do espaço para a maturidade, E apesar de tantas diferenças, É nas igualdades, Que encontramos o Amor, Para nossos corações.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

UM POEMA PARA O MEU PAI


Devemos cuidar de quem cuidou de nós

Pai, guardo no coração as mais bonitas lembranças da minha infância, dos dias simples, dos tempos vividos ao seu lado.

Ainda vejo, como num quadro emoldurado na parede da memória, você chegando da feira de domingo, montado naquele cavalo caramelo, trazendo consigo mais que as compras da feira: trazia a alegria de voltar para casa.

Pela manhã, eu ia para o curral e ficava ali, pertinho de você, vendo suas mãos habilidosas tirarem o leite, enquanto eu aprendia, sem perceber, as primeiras lições da vida.

No fim da tarde, o trabalho dava lugar à brincadeira. Você encontrava tempo para brincar comigo e com minha irmã, e aqueles momentos tão simples e felizes tornavam-se grandes tesouros que o tempo jamais conseguiu apagar.

À noite, depois do jantar, vinham outras lições: o ABC, a tabuada e os primeiros caminhos do conhecimento.

E, em outras noites, sua voz nos conduzia pelas histórias de coragem e valentia dos velhos “romanços”, da literatura de cordel, que ganhavam vida em suas palavras e no papel.

Ah, pai... foram tempos bons, tempos vividos de verdade, na simplicidade do interior, onde havia pouco, mas muito amor.

O tempo passou, a infância ficou para trás, e aqueles dias não voltam mais. Mas permanecem vivos dentro de mim, como páginas bonitas de uma história que guardo em minha memória.

Hoje, só posso agradecer a Deus por mais um ano de sua vida, por ter me criado, por ter cuidado de mim, por ter me amado do seu jeito,

com seus ensinamentos e sua presença.

Esta é a minha singela homenagem, nascida das lembranças e escrita com o coração daquela “criança”.

Meu pai, meu amor, meu exemplo, minha história.

Que Deus lhe conceda muitos e muitos anos de vida, com saúde, paz e amor.

Feliz, longa e abençoada vida, meu pai! Que nunca lhe faltem flores em vida, abraços sinceros e o amor de seus filhos.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

EXEMPLO QUE INSPIRA


Não se concentra na própria dor,

Procura maneiras de ajudar,

Sempre age com amor

E refugia-se em Jeová.


Tem um olhar sensível

E um coração gigante,

Vê o sofrimento do outro

E quer ajudar no mesmo instante.


Enfrenta uma batalha tão dolorosa,

Mas, na sua fé, permanece fiel,

Segue corajosa e resiliente,

Mesmo lidando com uma doença cruel.


O teu exemplo nos inspira,

Mesmo em meio à dor,

Esboça um lindo sorriso,

Não reclama,

Fortalece em Jeová a tua confiança

E nos encoraja com tua perseverança.


AUTOR Akira Ordine


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

VOCÊ NÃO É TODO MUNDO


Toda unanimidade é burra

já dizia o sábio tricolor

Mas porque então cada vez mais estamos

unânimes, herméticos, acomodados e opacos?

Cada vez mais se homogeniza o diverso

E torna-se diverso o monolitismo

multiplique a crítica

Para não acabar dividindo a burrice

Ou caso contrário ponhas um cabresto

e vá junto de sua grei


AUTOR David Neves


David Neves, conhecido como Cabelo, é poeta, contista e escritor, nascido em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, em São Paulo. Escritor por vocação e trabalhador nas horas vagas, é criador da página Trupicando nas Sílabas, dedicada a contos, frases e poemas. Casado, amante de filmes, livros, mangás, animes e de tudo de bom que a vida tem a oferecer, encontra na escrita uma forma de expressar sentimentos e ideias e, outras vezes, causar espanto, comoção e repulsa.

ÊXTASE CARMESIM


E se o nosso ímpeto, por um breve momento, se tornasse tão intenso a ponto de nos fazer abandonar a nossa humanidade, transformando-nos em feras bestiais?


Quero inundar o meu paladar com o doce gosto ferroso do teu sangue fervente. 

Sentir tuas garras adentrarem a carne das minhas costelas, possuindo-me completamente. 

Nossos corpos se arquearão, ultrapassando limites, trocando fluidos prazerosamente. 

Desejo caçar o teu olhar enquanto partes do teu corpo estiverem entre os meus dentes.


Quero beijar-te de forma amável e consumir ferozmente os teus lábios, mas não te direi quais.

Proponho-te um sexo prazeroso, brutal e selvagem, como se fôssemos dois animais irracionais.

Seremos engolidos por um erotismo primitivo, mergulhados em abismos de atos carnais.

Duas almas transgressoras entrelaçadas, regurgitando gemidos lascivos, famintos e guturais.


Quero trancafiar-te em meus domínios, alimentar-te com impurezas extirpadas de mim. 

Esguichar por toda a parede imaculada, manchá-la com o nosso sangue carmesim. 

Ouvir-te implorar em frenesi para que eu jamais permita que de nós se aproxime o fim. 

Lamber os teus dedos sanguinolentos, depois de tu me arrancares as entranhas e os meus rins.


Quero tudo que tua carcaça putrefata tem para oferecer-me, sem qualquer resquício de pudor. 

Voltaríamos à nossa forma original após o êxtase alcançado pela promiscuidade do nosso amor.

Nossas mentes jamais conseguirão apagar os vestígios e deixar de ansiar pelo nosso calor. 

Possuirei cada fragmento do teu ser para dar-te um prazer inédito, mesclado ao tenro horror.









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