BECO DOS POETAS Nº 160 — 24/09/2026
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.
A VERDADE DE CADA UM
Meu avô Antônio falava alto. Gritava, mesmo. Dava para ouvir a voz dele lá do Córrego do Mato, atravessando o quintal, passando pela cerca, chegando na casa do vizinho antes de chegar em qualquer ouvido que precisasse ouvir. Parecia que estava brigando com minha avó Brígida. Era só ele conversando, do jeito italiano dele — cada frase saía como discurso, cada “passa o sal” parecia uma ordem.
Para ele, aquilo era natural. Não era agressão — nem de longe.
Hoje, se um homem fizesse a mesma coisa numa sala com celular por perto, em cinco minutos teria vídeo circulando, com legenda de caixa alta: “OLHA COMO ELE TRATA A MULHER”. Cortariam o áudio no ponto mais alto do grito, tirariam o resto — o riso antes, o beijo depois, a mesma voz gritando “amo você” com idêntica potência — e aquilo viraria acusação. A verdade de quem gravou. E tem gente que compra essa verdade inteira, sem perguntar mais nada. Tem gente que desconfia. Ninguém pergunta ao Córrego do Mato.
Meu avô Otércio também falava alto. E minha avó Maria, do jeito dela, gritava de volta — não porque brigassem mais que os outros casais, mas porque tinham nascido em casa onde silêncio parecia esconder alguma coisa, e falar baixo era, para eles, quase desonestidade. Duas famílias diferentes, dois sotaques diferentes, e o mesmo volume alto como forma de existir dentro de casa.
Cresci ouvindo os dois. Achava aquilo música de fundo, não ameaça. Hoje entendo que talvez essa seja a parte mais complicada de toda essa história: eu não tenho como provar que estava certo em não sentir medo. E quem grava um vídeo desconfiado também não tem como provar que estava errado em sentir medo. As duas verdades nascem legítimas, cada uma dentro da própria realidade de quem sentiu.
Isso não quer dizer que toda verdade tenha o mesmo peso. Existe gente que grita porque machuca de verdade, e ali o volume é sintoma, não sotaque. Eu sei disso. Já vi de perto — não na minha família, mas perto o bastante para nunca mais achar que grito é sempre inofensivo. O problema é que, de longe, pela tela, ninguém consegue separar o italiano do Córrego do Mato do outro tipo de homem, o que grita para machucar mesmo. O vídeo trata os dois igual. E talvez seja exatamente aí que mora o perigo — nos fazendo decidir a partir de quinze segundos cortados, o que só se decide de verdade, vivendo dentro de uma casa, por anos, prestando atenção no que vem depois do grito.
Confesso, com um pé atrás de mim mesmo: já julguei gente por vídeo. Já vi um print, uma fala fora de contexto, e formei opinião antes de questionar o resto. Sou parte do problema que estou descrevendo, não sou espectador de fora olhando de cima. Isso me incomoda mais do que qualquer discussão abstrata sobre redes sociais — porque é fácil reclamar do julgamento alheio e difícil lembrar da última vez que eu mesmo julguei rápido demais.
Fico pensando se meu avô Antônio, hoje, sobreviveria a uma gravação. Se alguém gravasse com o celular na hora errada, cortasse o áudio no ponto certo, e a Brígida — que ria dele, que respondia gritando também, que nunca teve medo daquela voz um dia sequer — aparecesse como vítima numa história que nunca existiu.
Não sei qual verdade prevaleceria. Sei só que a dele, a que eu cresci ouvindo, morreu com ele, e ninguém gravou nada.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
TENHO VOCÊ SEM PAUSAS
Tenho você antes do dia amanhecer,
abrindo cortinas e janelas,
nos pensamentos mais demorados de amor,
no ritmo do meu corpo, escutando nossa música,
nos meus abraços,
sempre.
Tenho você comigo,
arrumando a bagunça dos lençóis,
na voluptuosidade calorosa do seu corpo,
na inspiração deixada pela sua calma.
A vida com amor é mais:
é viver sentindo o prazer de amar.
Entre as flores do jardim,
foi o seu perfume que se espalhou em meu mundo.
Com amor sem pontos, pausas ou fim,
eu te amo com amor de amar o amor.
Você!

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
POESIA DE RUA
A poesia é o desabafo de quem quer ser ouvido,
é o resgate daquele que foi excluído, é a salvação
para aqueles que foram encontrados pelo nosso
salvador Jesus Cristo que com o seu infinito
amor nos acolheu; na poesia tudo vale
a pena desde que a tua alma não seja
pequena, mas como a poesia é parte
deste mundo, e nós não somos parte
desse mundo; tudo é lícito, mas
nem tudo nos convém.
A poesia é o louvor que impulsiona a dança
das bailarinas no palco, é o sorriso de uma criança,
Muitos acham que nós só falamos de poesia! E sim,
falamos de poesia, mas a nossa poesia reflete a paz,
edifica, abraça o caído e resgata aqueles que foram
encontrados, a nossa poesia dá voz ao calado e não
faz acepção de pessoas e, em vez de dividir, nós
somamos e destruímos muros para construir
pontes para os nossos irmãos passarem.
O propósito da nossa poesia é transbordar aquilo
que recebemos pela graça e de graça, além daquilo
que Jesus fez em nossa vida porque a nossa poesia
cura, renova, transforma e nos ensina o amor de
Cristo, que, ao invés de nos julgar, preferiu
nos amar e nos perdoar e amar o próximo.
A poesia é a emoção que a gente joga para fora,
e se você disser que não sabe escrever, eu digo
para você trocar isso dizendo: “Eu quero aprender,
afinal, é melhor a poesia ruim do que poesia
nenhuma, porque a vida sem poesia não tem
graça, e o diferencial da nossa poesia é que
ela edifica falando de salvação, resiliência,
esperança e de resgate ela fala ao nosso
coração que começa exaltar, glorificar
e adorar o nome do nosso Senhor
Jesus Cristo, que logo cuida de
nós com todo o seu amor,
a poesia é a mutação da
paixão para o amor que
não cabe no peito.
E não se trata de intelectualidade,
mas sim de unir a nossa comunidade
contudo, muitos me chamam de louco
e eu confesso que eu mesmo já me considerei
um louco, e como corintiano que sou,
não levei isso muito a sério, afinal,
eu sou só mais um louco neste
bando de louco.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
EU SOU POESIA
Desde que a poesia mora em mim,
eu sou lírio, flor, beija-flor, mar…
A poesia é encanto.
É uma escrita dançando ao vento, colorindo cadernos, vidas e levando uma ternura que chega ao coração morninho, te abraçando.
Desde que tudo seja poesia.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
COMPARTILHAR
Compartilhar é abrir a mão
sem medo de ficar vazio,
é dividir o pão, a palavra,
o riso, dor e o caminho.
É contar o que aprendeu
sem se achar maior
é dizer “eu também caí”
e transformar tudo para melhor.
Quem compartilha não perde,
multiplica o que sente,
porque a vida só faz sentido
quando alcança outra gente.
Compartilhar é isso:
não guardar só pra si
o que um dia salvou você
e pode salvar alguém aí.
Todo mundo tem algo a oferecer
Tantas pessoas oferecem o pior
Por que eu não seria capaz
De compartilhar o que há de melhor?

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
SEM TEU PERFUME
Sem teu perfume, Sem teus beijos, Sem teu carinho, Dia triste, não tem jeito.
Mas tenha certeza, A sua beleza, Faz morada eterna, Em meu coração.
E, apesar Da distância, Que nos impede de tocar,
O céu azul das manhãs, As noites estradas, Estarão sempre, Em linha reta, A nos unir.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
ÚLTIMO ADEUS
Quando será o último adeus?
Não podemos precisar.
O futuro é uma incógnita!
Sempre procure seu amor
Evidenciar
Falar,
Demonstrar.
Cuide carinhosamente de quem você ama.
Quando 'partir'
Boas memórias ficarão
As pessoas lamentarão.
Não podemos viver de conjecturas...
E se...?
Eu deveria...
Se eu tivesse mais uma oportunidade...
Viva,
Esbanje afeto,
Espalhe amor.
Não se concentre nos problemas,
Suplante a dor.

AUTOR Simone Gonçalves
SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
NOSSA PRIMAVERA
Doce primavera
Estação das flores
O sol brilha na intensidade
Das pétalas a brotar
No jardim do meu coração
Onde meu amor por você
Se renova no amanhecer.
Me entrego ao teu prazer
No alvorecer dos nossos sonhos
Que se realizam entre toques e beijos
Aquecidos pelo sol sereno a chegar
Pelas frestas da janela do nosso quarto
Nossa primavera está só começando...

AUTOR Nayara Santos
NAYARA SANTOS LOPES, natural de Feira de Santana, Bahia, é Técnica de Enfermagem, Tradutora e Intérprete de Libras e poetisa, cuja relação com a escrita nasceu ainda na adolescência e permanece viva como expressão de sua essência. Entre palavras e sentimentos, encontra na poesia um refúgio e uma forma de dar voz ao que pulsa em sua alma. Com sensibilidade e profundidade, tem seus versos publicados em antologias poéticas, onde compartilha fragmentos de emoção, vivências e amor pela arte de escrever.
DO TEU LADO...
Do teu lado, meu sono é tranquilo
As manhãs são coloridas
A dor é passageira
Não me sinto perdida.
Do teu lado, tudo tem graça
Riso bobo, olhar radiante
Sentimento verdadeiro
É bom a cada instante.
Do teu lado, tudo é perfeito
Vejo sentindo nos detalhes
O amargo fica doce
Já não existe mais impasse.
Por favor, não me tires do teu lado
Pois a vida é mais bonita
Sem esforço e sem medidas
De forma calma, bela e infinita.

AUTOR Sidnei Capella
Sidnei Capella, natural e residente em São Caetano do Sul — São Paulo, Graduado em Administração. Escrevendo e publicando poesias e contos nos cadernos semanais da Editora Valleti Books. Participou da II copa de poesias da revista Cronópolis, em janeiro de 2022. Escreve textos poéticos, contos e mensagens, grande parte dos seus textos são publicados na página do Instagram que administra. Utiliza a frase criada por ele: “Inspiração me leva a escrever sobre tudo, a inspiração vem de Deus, escrevo para o meu próximo, de modo a despertar sentimentos e mexer com suas emoções.”
CHUVA ABENÇOADA
Chuva abençoada
que cai do céu,
adoça nossas vidas
como gotas de mel.
Chuva abençoada
que molha o chão,
traz vida à natureza,
frutifica a plantação.
Chuva abençoada
do Divino Criador,
inunda os corações,
brotando todo amor.
Chuva abençoada
que alcança a imensidão,
sou grato por tê-la,
e em meu ser nasce a gratidão.






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