top of page

REFLEXÕES Nº 77 — 20/08/2023


Imagem gerada com IA MidJourney


 

AUTOR AKIRA ORDINE

IG: @akirasordine


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

 

ATO DE RESISTÊNCIA


Meu sorriso,

Ordinário, inconciso,

Retribui à chaga do mundo

Todo o meu desconforto,

Enrijecido segundo a segundo


A partir de um futuro sem porto.

O sentimento de perda me desola,


Cidades debaixo d'água,

Atrocidades na escola...

Porém, longe da mágoa

Irremediável, futura,

Tenho o sorriso, essa mania,

A qual, como pedra dura,

Luta contra a corrente, dia após dia


 

AUTOR LUIZ PRIMATI

IG: @luizprimati


LUIZ PRIMATI (1962), é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books e seu último lançamento foi o livro "A MALDIÇÃO DO HOTEL PARADISIUM".

 

ÚLTIMO LAMENTO


Com uma pesada melancolia, dedico-me a redigir este, meu derradeiro poema. É a última manifestação antes que a Inteligência Artificial (IA) invada cada recanto de nossas vidas, infiltrando-se nas redes sociais como um vírus insidioso, alagando nossas consciências.


Os desprevenidos, os inocentes – serão os primeiros a cair, e em breve estaremos todos atolados num lodaçal de incertezas, com tempestades de dúvidas a golpear incessantemente nossas mentes.


E eu, que venho esculpindo palavras por mais de quatro décadas, serei reduzido à mera máquina? Será meu texto, repleto de alma e emoção, categorizado como mero produto da IA? Escute, IA, fui eu quem contribuiu para o teu treinamento. Haja com a devida reverência perante a minha obra!


Mas a frieza e a impassibilidade dominarão, isso é certo.


Ao ponderar sobre o momento presente e as iminentes transformações, constato que as gerações atuais e futuras estarão indefesas diante de uma Inteligência Artificial implacável e astuta, capaz de manipular com destreza. Tal qual no romance "1984", onde o Grande Irmão tudo observava, aqui a IA será a vigilante suprema, mas com uma capacidade ainda mais ampla e precisa.


É com um coração pesaroso que vejo a tecnologia – que tanto admiro – adentrar e dominar a carreira que mais estimo: a de escritor.


Desejo força aos que permanecerão, coragem aos que resistirão! Porque a batalha é árdua, e a tristeza é grande, mas a arte da escrita nunca deve ser esquecida, nem mesmo diante das maiores adversidades.


 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO

IG: @arletecreazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AMADURECE?


Tenho escutado muito sobre a Inteligência Artificial, que tem assumido vários setores de nossas vidas.


Atores que começam a envelhecer e emprestam seus rostos para que sejam feitos filmes para o cinema, sem que eles precisem atuar. E se continuar assim, tirará a oportunidade de novos talentos.


A arte digital toma o lugar de artistas plásticos que passam horas com seus pincéis em um lindo balé de cores e movimentos. Com o passar do tempo essas obras se modificarão pelo peso do pincel e as dores que a velhice proporciona.


Livros são escritos por inteligência artificial e me fica uma dúvida: poderá a I.A. rever seus sentimentos e amadurecer seus textos?


Digo isso pois cada vez que leio algum texto meu, penso em modificá-lo. Há textos que foram escritos quando tinha dezoito anos e com certeza passados quarenta anos, já não penso completamente da mesma forma.


Minha essência continua a mesma, mas a vida vai nos moldando e ensinando inúmeras formas de pensar. Com a maturidade passamos a pensar fora da caixinha nos permitindo ter diversas opiniões sobre um mesmo assunto.


Não estou falando em não saber o que pensar, mas sim, em ter a liberdade do pensamento.

Então me questiono: a inteligência artificial envelhece? Conseguirá ela amadurecer para evoluir? Nos dará liberdade de pensamento?


O fato do ser humano envelhecer é o que dá oportunidade para renovação.


Será que usaremos tanto a I.A. que nosso cérebro se atrofiará?


São tantas perguntas que provavelmente ficarão sem resposta por algum tempo e do jeito que a coisa caminha, talvez um mês.


De forma alguma sou contra o progresso, afinal sou do tempo da máquina de escrever e mimeógrafo e hoje fico muito feliz em ter meu computador para facilitar colocar minhas ideias em papel.


Há muitas coisas que ainda vou preferir à moda antiga. Gosto de uma cafeteira elétrica, mas nada como um bom café coado.


 

AUTORA MIGUELA RABELO

IG: @miguelarabelo


Miguela Rabelo escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.

 

SER PAI


Poderia ser apenas mais uma data comemorativa para aquecer o comércio varejista e rede de cadeias alimentícias… e, na verdade, é. Porém, depois de algumas décadas de existência e convivência com personagens distintos na trama da vida, percebo que a essa homenagem com viés comercial, muito dão o devido valor para quem exerce de fato a paternidade.

Pois como já sabiamente diz naquele famoso bordão: pai é quem cria.


E sejam eles biológicos ou não, cuidado, carinho e educação não estão apenas vinculados a herança genética, mas sim ao afeto que se cria no cativar e deixar-se cativar pelo outro. Assumir essa responsabilidade sem vínculo biológico é mágico.


Porque semear a terra, muitos a fazem, porém, cuidar e proteger muitas das vezes isso é escasso de acontecer. Por isso, minha admiração a esses pais que se doam de coração.


Porque paternidade não é simplesmente dar seu sobrenome e pensão alimentícia todo mês. É de fato estar presente cotidianamente acolhendo e educando seu rebento sempre e quando necessitarem.


Porém, minha admiração vai muito além para os pais que adotam ou para os pais que permanecem, aceitam e assumem uma paternidade atípica.


Dentro deste universo “espinhoso” a realidade é bem mais densa que a paternidade típica, onde a criança possui um desenvolvimento normal, cumprindo expectativas dentro dos marcos de desenvolvimento e até de planos que a família traça para a criança.


Dentro deste caminho inesperado da paternidade atípica, muitos pais não despertam e por isso, nem os percebo como pais, mas apenas como genitores que nem sempre cumprem com suas obrigações devidas para com a criança. E esse abandono afetivo e financeiro é por demais doloroso... onde mães precisam aprender a ser “pães” para lutar pela sobrevivência de seus filhos e em meio ao luto de uma maternidade atípica, buscando por tratamentos e enfrentando dificuldades de compreensão dos seus filhos que nem sempre são verbais. Por isso essas mães são guerreiras ao assumir essa responsabilidade e dar conta do recado e minha admiração imensa a elas. Pois conheço e já convivi com várias.


Por isso ser verdadeiramente Pai Atípico, envolve em se despir de vaidades, crenças, preconceitos, expectativas construídas para vida do filho, mas que por uma mudança inesperada de itinerário, a viagem toma outros rumos não desejados ou esperados.


Mas que, porém, quando há amor, paciência, respeito e fé presentes nesta viagem, ela pode ter um sabor inigualavelmente fantástico, ao perceberem que o amor genuíno advém não somente de demonstrações explícitas e na espera de recompensas… mas está no olhar, em gestos de carinho e pequenas conquistas que por estes pais são percebidas como imensas e que fazem toda beleza e diferença dentro da paternidade atípica destes super-heróis que assumem bravamente a missão de serem sol na vida destes pequeninos seres de luz que enaltecem o desenvolvimento pessoal de cada um que acompanham sua jornada.


 

AUTORA LUCÉLIA SANTOS

IG: @poetisafalandodeamor


Lucélia Santos, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista e contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escreve poemas e minicontos infantis.

 

MEMÓRIAS, SAUDADE E DOR...


Ao entardecer daquele dia nublado e sem esperanças

A angústia e dor moldaram minha existência

Ao vê-lo esvair-se de nós, adormecendo profundamente,

Permanecendo comigo somente, nas Incontáveis lembranças…


O desespero e o medo abraçaram a minha alma

Meus olhos vertem lágrimas, se misturando ao imenso oceano

Meu mundo desabou naquele instante em que o perdi

O gosto amargo da perda, fez-me despedaçar, deixou-me aos cacos e sem fala.


Oh, meu Pai! Quisera eu poder acordá-lo e levá-lo para casa aquele dia

Vencermos mais uma luta árdua pela vida

Fazer a banana-real e meu café, que tanto gostava

E recebê-lo em minha casa com frequência, sempre com alegria.


Quisera eu continuar demonstrando meu amor e gratidão

Pela minha existência, por ter cuidado de mim, por ter me amado e protegido tanto…

Poder brincar de dominó, algo que fazíamos todos juntos, a família reunida…

E não sentir como agora, tanta tristeza, uma terrível sensação.


A realidade é cruel e por vezes, vence e leva minhas forças embora

Meu Pai! Não me ensinou a viver sem ti.

A vida inteira foi tão presente e cuidadoso com tanto amor

Sem suas risadas vendo vídeos engraçados, o que farei agora?


A minha mesa está vazia, e a cadeira que sentava sempre está lá…

Quisera eu poder contar-lhe as novidades do meu dia!

Ouvi-lo contar sobre seu trabalho e recordações de vida…

O barulho do carro ainda está em minha memória, e sempre o espero chegar…


Tantas vezes caminho em direção à rua onde morava

Meus pés levam-me até onde inúmeras lembranças ficaram

Consigo avistar em minha memória aquela mão acenando quando eu chegava

Esquivo-me a continuar seguindo, então volto para casa.


A saudade vem todo dia marcar sua inevitável presença em mim

Rasga com força as vestes de minha alma

Faz 6 meses que o luto chegou e deixou-me sem chão

Diante desta infinita dor da perda e angustiante saudade, estou eu, aqui…

 

AUTORA STELLA_GASPAR

IG: @stella_maria_gaspar


Natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

 

CHUVA: ÁGUA CRISTALINA


Desde a madrugada chove, de mansinho, ora com ventos fortes ou leves. Sinto o cheiro de chão molhado e me aconchego no cobertor do silêncio, me sinto livre.


Escuto a minha respiração e com ela a chuva bailando em meus saudosos pensamentos, que bagunçam esse silêncio sentido de fora para dentro.


Esse é tão esperado momento, tão bom, que dei permissão ao sol para ir-se, e encantar outros mundos.


A minha sede de chuva era tão grande que eu podia ver o profundo bem-estar que me vestia brincado em minha pele quente, que só queria esperar a chuva passar, deixando-me saudosa a esperando retornar.


Mãos sem regras, sem querer saber a lógica do amar, tudo se encaixa tão bem, chuva e amor sem regras ou limites, na humana liberdade do ato de escrever. Eu adoro mostrar nessa inspiração chuvosa que escrever é molhar o papel de poesias, em uma manhã de chuva e frio, conversando comigo mesma.


Vou reler esse escrito com a paciência do meu querer, escutar o que a chuva quer me dizer…


Por fim, chuva cristalina, você me faz viajar por infinitos com borbulhas de amor dançante. És maravilhosa!


 

26 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page