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REFLEXÕES Nº 57 — 02/04/2023


Imagem gerada com IA
 

AUTOR JOSÉ JUCKA SOULZ


José Juca P Souza, professor, ator, psicopedagogo, analista de sistema, ambos por formação acadêmica… Desde pequeno imbuído nas artes, com o desenho. Como profissional, agente administrativo no Ministério da Agricultura, técnico em edificações na Companhia Energética de Brasília. Assim segue, vendedor de tudo na infância (“triste realidade”), almoxarife, gerente lojista… Em seguida, veio o teatro, com poucas temporadas, lecionou artes na escola pública do DF, estando até hoje, trabalhando com informática, afastado de sala de aula… Embora escreva desde criança, com textos engavetados… Se reconhece poeta em um concurso para novos poetas, em 2019, classificado e publicado em uma determinada editora. Hoje providencia seu primeiro livro.

 

VIOLÊNCIA DA/NA ESCOLA


Em determinado instante, no pátio da escola, conversando com um colega professor, nos deparamos com algo inusitado. Inacreditável, para alguns. Uma aluna da escola, chega com sua irmã, dizendo: “gostaria de ir à cantina buscar comida, lá em casa não tem nada pra comer”... Como assim? Pensamos! A alimentação escolar tem legislação específica. Ficamos numa situação constrangedora. O que fazer? Foi quando explicamos a elas o significado de alimentação escolar, ao mesmo tempo que providenciamos duas cestas básicas e nos dirigimos a casa das alunas, com elas, as cestas… Tendo como objetivo o encontro com o responsável. Além disso, encaminhamos a situação ao conselho tutelar.


Por outro lado, ouvimos sobre violência nas escolas. Iniciativas a serem tomadas pela escola, no que tange a violência. O papel da escola. A responsabilidade da escola. Suas deficiências. Até, sua incompetência. Que deve oferecer informações sobre a violência a toda comunidade escolar, promover oficinas, projetos, palestras e cursos sobre o assunto. Incentivar práticas respeitosas no ambiente escolar. Oferecer suporte e apoio aos envolvidos em situações de violência. Denunciar a violência através dos canais disponíveis… Sim! Tudo isso faz-se necessário.


Porém, ao refletirmos a situação das alunas, sua condição familiar… Aprofundando no contexto, não é só a falta de alimentação… Antes do aluno entrar na escola, estão fatores pessoais, escolares, sociais, familiares etc. Violência física, psicológica/ moral, patrimonial, sexual, negligências diversas, mundo virtual e real. Enfim! Diferentes atores em diferentes vulnerabilidades.


Ademais, o estado não cumpre seu papel. Quando a desigualdade social aumenta cada dia mais. Mais ricos, cada vez mais ricos. Mais pobres, cada vez mais pobres. Índices de desemprego alarmante, não se cuida da saúde, saneamento básico, violência nas ruas aumentando. Infelizmente, tudo que se fala são clichês, inclusive a falta de soluções também o são.


Portanto, é minimizar muito o problema, ao atribuir soluções às escolas. Essas, já estão em situações precárias e sem contextos mínimos de funcionamento. Até, em estado de risco, com fiação elétrica exposta, forro caindo, salas escuras. Há de falarmos nas condições insalubres de profissionais administrativos, docentes e discentes. Enfim, não é somente problema da escola, ou na escola, a violência. E não é só física, ou de vias de fato, se assim melhor for o entendimento. Mas, vem de fora das instituições. Da precariedade da sociedade em ser assistida, administrada, gerida ou conduzida, como queiram argumentar. Quando, o estado, em obrigações constitucionais, não cumpre seu papel. Não condiciona escola adequada à educação, educadores e educandos. Quando não promove políticas públicas a sociedade, que resolva os problemas diversos a dar dignidade aos cidadãos.


 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

POR MAIS PARDAIS NO MUNDO


Dias atrás estive com meu filho no hospital por conta de uma pedra no rim (dele) e um senhor o qual nunca havia visto, foi tão solícito que as pessoas já estavam imaginando ser meu marido.

Ao chegarmos no hospital ele se encontrava na porta e logo correu me trazer uma cadeira de rodas e enquanto eu fazia a ficha de meu filho ele ficou com ele o tempo todo, inclusive levando-o até o consultório médico enquanto eu continuava a preencher papéis.

Para todo lado que nos mandavam, lá estava ele empurrando a cadeira de rodas onde meu filho se retorcia pelas dores de cólicas renais.


Pensei até ser funcionário do hospital e quando lhe perguntei, me disse estar com a esposa que se não me engano estava acompanhando alguém.

Ao ver meu filho gritando de dores, mal consegui entender ao certo o que este senhor estava fazendo no hospital, mas ele fez questão de me passar seu telefone e pedir-me para enviar-lhe notícias.

Ele se apresentou como Pardal, mas não sei seu nome real.


Ele foi tão gentil com meu filho, tentando fazer com que ele se esquecesse da dor, que parecia até um daqueles tios que temos e que estão sempre prontos a nos ajudar.


Aquele parente que sempre tem uma palavra de consolo ou uma mão amiga, que com “vendas nos olhos” ajuda a quem precisar.


Deveríamos praticar mais esta “cegueira social” já que geralmente acabamos por ajudar apenas os que conhecemos, mesmo que não necessitem tanto.

Pardal deu sua mão amiga sem nos conhecer, simplesmente porque estava lá.


E como ele, havia muitos outros na sala de entrada, mas nenhuma era Pardal.

As pessoas olhavam para meu filho gritando, para uma mãe que corria para conseguir que seu filho fosse o mais rápido possível medicado, mas nenhuma outra se ofereceu, e com isso Pardal se destacou ainda mais na multidão.

Por seu jeito preocupado e gentil, com certeza não fui a primeira pessoa a quem ele ajudou e não serei a última.


Pessoas como ele estão sempre prontas a estender a mão.

O egoísmo parece estar contagiando as pessoas e para que isso não continue a acontecer, é necessário aparecerem mais Pardais no mundo.


 

AUTORA BETÂNIA PEREIRA


Betânia Pereira, historiadora/enfermeira, colunista na Revista The Bard. Participou de várias antologias poéticas. Escreve desde que aprendeu a escrever. Escreve poesias, prosas, textos de autoajuda, reflexões. Escreve sobre todas as pessoas que rondam as vidas que viveu e as que ainda viverá.

 

DEPOIS DO CALVÁRIO


A morte, pasmem! Sempre exerceu fascínio sobre minha pessoa.


Falo da morte que te acompanha: sorrateira, lenta, agitada, corre do teu lado… horas, procura uma vítima, dói aqui. Horas se vitimiza, rasga ali.


Lembrei de uma época da minha vida, lá pelos 12 anos em que via vultos, ficava imaginando se existia uma morte para cada ser ou se só existe uma para todos. E me encafifava com a ideia de que ela nunca dormia.


Se o sono é reparador, nossa que olheiras grandes ela possui! Eu sempre com aquela imagem infantil, da mulher de roupa escura com cajado na mão, rindo muito aqui. E essa imagem acompanha muito gente também.


Rindo sozinha. Morta estou! Com esses pensamentos.


Desde cedo percebi minha proximidade com esta senhora, senhora?


Quem disse que ela é senhora? Quem é o conjugue dela? Isso esqueceram de me esclarecer, alguém sabe?


Bom, enquanto não solucionamos o enigma, vamos lá! Nosso coleguismo existe há muito tempo, vez ou outra através de sinais recebi avisos de idas e partidas… Eita! Sou sensitiva, e estou escrevendo uma crônica e precisamos fantasiar a vida para a morte não nos encontrar.


Gosto de fantasias, apesar de nunca ter me fantasiado como gostaria. Semana santa, domingo de ramos, sempre desejei participar das representações na igreja, para me sentir no corpo de um deles, ali ao lado de Jesus num jumentinho, sendo ovacionado com ramos de oliveira e, presenciando a morte, ou seria pressentindo que sua morte estava próxima. E quantas vezes nos vemos nessa mesma situação: de morte ou quase morte, e por um triz somos ali, livres. A caminho do calvário, sempre há diversas vias e só descobrimos o "Aleluia", quando nos decidimos. Não há "Aleluia" sem decisão. Mesmo fantasiando precisamos estar atentos a morte que nos ronda e matá-la antes que destrua nossas fantasias.


Ainda sobre fantasiar, agora mesmo estou de Samaritana, esperando água na beira do poço. Vou sair correndo que nem Maria e Marta para contar a todos a novidade, e para finalizar essa conversa, estou fantasiada de crônica só para prender você nessa prosa e ler até o final. E para você fugir de toda e qualquer morte, porque é melhor viver!


 

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