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REFLEXÕES Nº 43 — 23/10/2022

Atualizado: 29 de out. de 2022

Leia, reflita, comente!

 

AUTORA MIGUELA RABELO


Miguela Rabelo escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.
 

O MAR DE CUBA


Em uma tarde de sábado escaldante, enquanto preparava o lanche e com o varal abarrotado de roupas a quarar ao vapor quente que invadia a janela, misturado ao odor inóspito de tabaco que teimava queimar… minha mente borbulhava de ideias, quase que em ebulição de uma panela de pressão prestes a estourar.


Eram tantas ideias que me faltavam tempo e papel para escrevê-las em meio a tantos afazeres que me alertavam como o TIC-TAC de uma bomba que a qualquer instante poderia explodir.


E mesmo imersa em tantas sensações e correrias que a vida marca colada em meu encalço... ainda sim, me perco nos devaneios de fugir de tudo e me jogar no mar e na salgada densidade que elevaria meu corpo a flutuar sobre as águas caribenhas, anestesiado pela paisagem paradisíaca..., porém, quando de repente me percebo sendo literalmente banhada por ele com uma água estranha, marrom, insalobra a banhar meus pés com odor do Rio Tietê... algo totalmente as avessas do que estava a sonhar...


Fiquei com taquicardia... Será meu sonho se tornou um pesadelo? Quando olho para baixo, tenho vertigem e me sinto a beira do precipício. Demorei alguns segundos para entender o que estava acontecendo..., mas quando a ficha caiu, entendi… havia um buraco na minha pia e a cuba dela havia desabado.


Fiquei em choque e paralisada por alguns minutos, pois nunca tinha visto algo parecido acontecer e entrei em desespero fazendo algumas ligações no calor do momento. Então corri para salvar os mantimentos que estavam no armário e esgotar o "mar" que invadia minha cozinha.


Essa foi uma catarse intensamente reflexiva. Pois a pia abarrotada uma hora não suportaria o peso das louças ou de angústias... desabando em algum momento, como também acontece indevidamente conosco... tudo que vai sendo "empurrado com a barriga", em algum instante desaba… todavia, também precisamos ter cuidado e consciência dos nossos desejos… eles às vezes podem pregar peças inimagináveis, nas quais não temos a noção de sua dimensão e desdobramentos. Por isso, para qualquer ocasião é essencial saber nadar.


 

AUTORA ARLÉTE CREZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas, todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
 

A RAIVA NOSSA DE CADA DIA


Podemos não reparar, mas geralmente as pessoas passam o dia todo com raiva.


Temos raiva no trânsito quando carro da frente não anda no limite que achamos que deveria andar.


Raiva do pai que não estaciona o carro direito ao deixar seu filho na escola.


Raiva do pedestre à nossa frente que não anda tão rápido quanto nós e também não dos dá passagem.


Temos raiva da família que anda de mãozinhas dadas pelos corredores dos shoppings, impedindo que outras pessoas ultrapassem.


No trânsito, quando alguém faz algo que achamos estar errado, passamos a dizer palavras de baixo calão (vulgo palavrões) e que muitas vezes apenas os passageiros ou nós mesmos, ouvimos.


Temos raiva dos preços abusivos de determinados produtos, então passamos a reclamar, mas não deixamos de comprar.


Nos enraivecemos por acharmos que o dia deveria ter mais horas, sem perceber que gastamos boa parte do dia reclamando ao invés de tomarmos atitudes.


Às vezes penso que a raiva é companheira constante da raça humana.


O que não percebemos é que muitas vezes a raiva é só nossa.


O pedestre que impediu minha passagem está feliz passeando.


O motorista que acredito ter feito algo errado, não se deu conta do erro e segue adiante, ou se percebeu o erro, ficou feliz por não ter batido ou causado um acidente.


A família no shopping anda feliz pelos corredores, não se importando se as pessoas estão com pressa. Afinal shopping é para se passear, e se for em família melhor ainda.


O pai que não estaciona direito na porta da escola, está feliz por poder levar seu filho antes do trabalho.


O mais engraçado é que a raiva e a felicidade podem causar o mesmo sentimento, ou seja, ninguém se importa com a raiva ou felicidade alheia.


É claro que estou generalizando, mas, em geral, é isso mesmo.


Dificilmente aprenderemos a não sentir raiva em momento algum, mas podemos aprender a administrar a raiva sentida, percebendo que quanto mais tempo passo com raiva, menos tempo passo feliz.


 

AUTORA JOANA PEREIRA


O meu nome é Joana Pereira e sou autora no blog "Tem juízo, Joana!". Nasci em Lisboa e segundo as estrelas, sou Leão - ascendente Touro. A minha identidade atravessa cores, ritmos, dança, música e palavras. Gosto de ler e de escrever, acreditando ser na escrita que me torno mais consciente. Numa voz firme e rebelde escrevo entre o certo e o errado, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…
 

A RECORDAÇÃO


Se a memória não me falha, teria todas as memórias duma vida.

Procurar a memória mais antiga dentro de tudo o que é passado,

é pedir ao cérebro para ser um enorme depósito de imagens, sensações, cheiros e emoções.

Recordações que se sobrepõem conforme o peso, tamanho e marcas no percurso.

Á medida que andamos em marcha atrás, fica estranho o discurso.

Cada vez mais baça a memória, acalenta a nitidez apenas

Os momentos que, dalguma forma, mantém a forma em pensamento.

É então que o fluido fresco desce-me a garganta.

Paira no ar a memória do que era a sede. Naquele dia de verão, a sede era o que me afligia,

Pelos gastos excessivos de energia,

Como por magia.

Era água que eu bebia aflitivamente,

de olhos postos na garrafa

E os pés na área quente.

O fresco que senti pelo queixo, peito, barriga e coxas.

Deixei entornar, as habilidades eram frouxas,

A sede abundante.

Numa manhã a construir castelos

Em areia escaldante,

para princesas imaginárias,

com esperança que um dia me torna-se numa.

Oh… aqui não há monarquias e a sede matou-se,

num trago cheio depressa!

Como se mata tudo o que nasce,

como acaba tudo o que começa.


 

AUTORA BETÂNIA PEREIRA


Betânia Pereira, historiadora/enfermeira, colunista na Revista The Bard. Participou de várias antologias poéticas. Escreve desde que aprendeu a escrever. Escreve poesias, prosas, textos de autoajuda, reflexões. Escreve sobre todas as pessoas que rondam as vidas que viveu e as que ainda viverá.

 

É TEMPO DE COLHEITA!


Até aqui plantamos. Chegou à hora da colheita. Agora saberemos se as etapas foram cumpridas adequadamente. Para colher durante o trajeto foi necessário adubar o terreno para mantê-lo forte e livre de mazelas. Necessário, também, saber semear sem derramar aqui e ali; sem espalhar, mas colocando num lugar certo, o local escolhido, preparado com o adubo. Plantar, introduzir na terra a semente, para que enraíze e se desenvolva. Cultivar e esperar o tempo certo de cada plantio.


Essencial também, sabedoria em todas as etapas. Racionalizar as etapas, considerando ter maior conhecimento por ser técnico agrícola ao invés de agricultor, faz com que você perca a essência. É saber, teoria sem degustar a prática, é ensinar, lidar com à terra sem tocá-la, senti-la. Ter teoria sem prática é como falar de sentimentos sem nunca tê-los vividos, sentidos…


Não adianta racionalizar demais. Sejam relações, sentimentos, acontecimentos, etc. Nada acontece só no plano do raciocínio. As coisas só acontecem quando desprendemos e permitimos a vivência. A colheita não pode ser feita de qualquer jeito, posso até ter uma bela teoria de como fazer, mas aquele que já fez, sabe segredinhos que eu nunca vou saber ou aprender se eu não saio para colher. Então se pergunte como tem agido diante da colheita, tem se perdido racionalizando? Tem procurado o diálogo com à terra, o agricultor, as ferramentas?


Sejamos práticos, usemos sentimentos basilares e raciocínio lógico, não percamos de vista a unidade, pensemos na coletividade. Sejamos verdes, amarelo, azul e branco. Seja país, estado e nação. Não sejamos um, sejamos nós!


 

AUTOR LUIZ PRIMATI


Luiz Primati é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books e retorna para o tema da infância com histórias para crianças de 3 a 6 anos e assim as mães terão novas histórias para ler para seus filhos.
 

OLHOS NO CÉU


Estou deitado em minha cama. Passa das 10 da noite. A janela está entreaberta, o que permite que a luz da rua invada o espaço. Olho para cima e no teto vejo luzes projetadas pelos veículos que passam na rua, formando, desenhos sem sentido. A arte é passageira e a cada acelerada de um carro ou moto, vejo a transformação do desenho. Eu sorrio sem jeito ao ver aquelas imagens se formando no forro de gesso.


Me lembro quando deitava ao sol, observando as nuvens no céu sendo empurradas pelo vento. A natureza traçava coelhos correndo, monstros gigantes e grandes bolas de algodão pinçadas na tela azul-celeste. Eram tempos bons onde os ponteiros do relógio andavam trôpegos, sem pressa de alcançar o próximo minuto. Ora ou outra minha mãe tentava descobrir o que me fazia ficar ali pensando na vida e eu nuca revelava. Nem eu sabia. Adorava folhear as páginas dos livros sob o sol do meio-dia em dias de inverno. De vez em quando pegava a minha lupa e ficava queimando formigas e folhas de papel sulfite. Era só focar o sol num raio bem pequeno. Quanto menor, mais calor gerava. Eu era, praticamente, um incendiário.


Os pensamentos me faziam lembrar de Nancy e de seus olhos verdes hipnóticos. O semblante era triste, possivelmente pelos poucos anos de vida que ainda lhe restavam. Ela não sabia, nem eu, nem ninguém. Em poucos anos a leucemia a levaria do convívio da família e dos amigos. Bastava que eu andasse 10 quarteirões para cima da rua onde morava para alcançar a casa dela. Eu sempre a visitava. Cheguei a desejá-la como mulher e ela me via apenas como um amigo. Lembro dos dias que antecederam sua partida… fui visitá-la e sua mãe me recebeu no portão. Disse que ela não estava bem para receber visitas. Depois disso ela partiu em dias. Nunca esqueci.


Eu sempre cantava para ela a música de Elton John, mas de forma adaptada: “Green Eyes…”, eu dizia. Ela sorria, covinha no canto da boca, lábios sinuosos, lindos. No fundo, de seus verdes olhos, uma tristeza inexplicável. Ela sabia que partiria em breve. Foi uma boa amiga e quero reencontrá-la. Uma moto acelera e saio do transe que me encontrava. Os desenhos ainda continuam sendo rabiscados no forro de gesso. Agora eles não têm mais importância.


Lembrar do passado me deixou com os olhos aguados de tristeza, a boca secou, a voz embargou. Os olhos de Nancy, me olhando vidrados, ficaram na retina. Adormeço com os pensamentos nela e na sua generosidade. Era um espírito evoluído, tenho certeza.


 

AUTORA JOANA RITA CRUZ


Joana Rita Cruz nascida a 11 de março de 2002, é portuguesa e estudante de Engenharia Informática. Começou a escrever inicialmente no género de ficção com especial interesse em literatura fantástica, mas em 2015, escrever poesia tornou-se uma parte integrante da sua vida.
 

DEIXE-ME VOAR


Há tanto mais de mim

Do que este olhar cansado

Do que este caminho

Por mim, mas para mim

Traçado.


É uma escolha

No meio de mil

Eu podia ter tudo

E agora sinto-me

Febril.


Prometi não me limitar

Nunca deixar ir

Quem eu sou

Mas esta sinuosa estrada

Não me deixa ir onde vou.


Parece que estou presa

Não me permitem voar

Se não está futuro na mesa

Então meu coração

Também ai não pode estar.


É que eu sou tanto mais

Pelo amor de Deus

Eu já soube sonhar

Já vivi a vida na lua

Com os pés no ar.


Nessa altura era feliz

Sabia ser quem sou

Lá, no fundo de mim

Escrevia poesia

Contava a vida ao meu avô.


Hoje sinto-me perdida

Minh'a identidade foge-me

Pareço uma criança sozinha

Que para um lugar seguro

Corre.


Oh, quase não escrevo

Quase não paro para contar

Aquilo que tenho para dizer

Aquilo com que tenho andado

A sonhar.


Tenho de me acordar.


 

AUTORA SIMONE GONÇALVES


Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

 

O CANTO DA CIGARRA


Mais um momento

(Re)começo da estação da vida

Onde seu canto embala por todos os lados

O convite para dançar sua valsa sedutora

Teu jeito único e até indiscreto de chamar a atenção

Ecoa pelos 4 ventos até não se aguentar

Na verdade, não desiste nunca de conquistar

Até o momento em que pelo seu canto

Pelo teu charme

Se realiza e se vai...

Se esconde...

Desaparece

Mas pelo poder a esse mestre concedido

Fica pelas profundezas da terra

Trabalhando em prol da sua natureza

Ah… que ironia do destino

Porque não cabe a ele esse poder

Porque ele se perde… para nunca mais aparecer

Dando lugar ao novo… seu fruto da dança do amor

Aquela que embalou junto de seu canto sedutor

Tardes quentes

Onde o mormaço anunciava chuvas

Às vezes pesadas, outras vezes leves

Pois assim aprendemos entre as conversas

Tidas quando criança

Com os avós pelo quintal de casa

Sempre quando ouvíamos seu cantar

O cantar da chuva, rsrs

Mas que, na verdade, mal sabíamos

Que sua música e seu chamado

Era e é o cantar do amor eterno


 

AUTORA STELLA_GASPAR


Natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
 

OUTONO: UM TAPETE DE COR E SONHO


Outono é realmente um romântico tempo.

A nudez das árvores, o colorido tapete de folhas com diferentes formas e texturas, o vento hora forte, hora mais suave, nos deixando sorrir como o entusiasmo do nosso primeiro momento de amor e paixão.


Nossos olhos brilham.

Como nossas almas se abrindo para fazer parte dessa vontade de mergulhar na magia outonal. Deixo meu coração se despir e mais perto do encanto vou ficando, tão íntimo entre mim e esse mundo de árvores se deixando renovar, recomeçar.


Uma obra de arte, que vai deixando luz, deixando nossas mãos tatuadas por essa perfeita sincronia de traçados que não é feito por mãos humanas, mas sim pela sábia natureza dia a dia.


Outono: um tapete de cor e sonho

Esse mundo não é somente meu, felizmente, ele é tão verdadeiro, com versões particulares, pois os sentimentos são despertados de forma diferente por cada um.


Eu me apaixono por essa estação sempre, seu encanto traz simplicidade em cada detalhe, faça frio ou um calor de lareira.

É impossível não buscarmos um vinho, uma deliciosa massa.


Ah! Que delicia e cheiro bom...


 

AUTORA ALESSANDRA VALLE

IG: @alessandravalle_escritora


Alessandra Valle é escritora para infância e teve seu primeiro livro publicado em 2021 - A MENINA BEL E O GATO GRATO - o qual teve mais de 200 downloads e 400 livros físicos distribuídos pelo Brasil. Com foco no autoconhecimento, a escritora busca em suas histórias a identificação dos personagens com os leitores e os leva a refletir sobre suas condutas visando o despertar de virtudes na consciência.
 

NA CONQUISTA DE SI MESMO


É tempo de crescer e rever alguns pontos da vida.

Avançar buscando a reforma íntima.

Perdoar-se porque errou.

E reconciliar, pois, é condição para avançar.

Amores, amigos não podem ficar esquecidos.

No processo de evolução, somos todos irmãos.

Minha luz ilumina a caminhada dos mais próximos.

A virtude em mim desperta é exemplo a ser seguido.

Para a transformação, reconhecer vícios é imprescindível.

Aceitando-se como é.

Mas, aprimorando-se sem cessar.

Que não falte lucidez para se autoanalisar.

E disposição para se encontrar.

Autoamor para desvelar os potenciais de força íntima.

E sabedoria para guiar.

O caminho e a verdade, Jesus revelou.

O amor, o Mestre exemplificou.

VEM E SEGUE-ME, disse encorajando – nos.

Conquistar a si mesmo está ao alcance do querer para ser.

Do esforçar-se para vencer.

Do viver para jamais morrer.

Fontes de consulta:

Evangelho de Mateus, 19:21

O Ser Consciente, de Divaldo Franco pelo Espírito de Joanna de Ângelis, ed. Leal.


 

AUTOR JOSÉ JUCA P SOUZA


José Juca P Souza, professor, ator, psicopedagogo, analista de sistema, ambos por formação acadêmica… Desde pequeno imbuído nas artes, com o desenho. Como profissional, agente administrativo no Ministério da Agricultura, técnico em edificações na Companhia Energética de Brasília. Assim segue, vendedor de tudo na infância (“triste realidade”), almoxarife, gerente lojista… Em seguida, veio o teatro, com poucas temporadas, lecionou artes na escola pública do DF, estando até hoje, trabalhando com informática, afastado de sala de aula… Embora escreva desde criança, com textos engavetados… Se reconhece poeta em um concurso para novos poetas, em 2019, classificado e publicado em uma determinada editora. Hoje providencia seu primeiro livro.

 

PARENTESCO


Ontem, estava na sala de casa, aguardando o celular carregar, esse sob meia parede separando a cozinha da sala, toca o telefone.


Mais precisamente, vinte uma hora e cinquenta e seis minutos. Era meu cunhado. Ele retornava uma ligação minha. Há meses não nos falávamos. Esse trabalha em uma loja de materiais elétricos, na iniciativa privada, morando em Goiás, no entorno de Brasília, trabalhando nessa cidade. Eu, funcionário público concursado, estatutário, professor, da Secretaria do Estado de Educação do Distrito Federal.


Enfim! Começamos uma discussão política, com opiniões contrárias… Na ideia dele, o tempo passa, nada muda e tudo é a mesma coisa. Na minha opinião, não é bem assim. Vivendo a política atual, sobraram duas escolhas. Ele disse, nenhuma presta. Eu falei, tudo é ruim. Qual escolha devemos fazer? A menos pior. Nesse ínterim, falamos de corrupção, vizinhança, comparamos renda, serviço público e privado, trabalho do vizinho, comodismo das pessoas em função de auxílios de governo, questões partidárias, ideologias, esquerda – centro-direita, progressista-conservador, neoliberalismo, meio ambiente, Amazônia, e muito mais.


Só para ilustrar, algumas questões… Na opinião dele nada mudou, nem nunca vai mudar, é sempre a mesma coisa… Sendo assim, afirmei não é! Temos duas opções ruins, e uma escolha a ser feita. Primeiro, observar a história. Quando temos inflação alta, toda a população sofre… Porque o salário perde poder de compra. Outro fator, o país precisa de um gestor com poder de comunicação, influência, capacidade de negociação, angariar recursos do exterior para nosso país etc. Segue prioridades, educação, saúde, segurança, emprego… Quando tivemos melhores índices, em trinta anos. Inclusive o meio ambiente. Quando a população foi melhor assistida nesses quesitos. A iniciativa privada foi importante quando? A iniciativa pública pecou em que e por quê? Privatizar, sim ou não e o quê? Perguntas a responder quando se tem duas opções ruins para se escolher o menos pior.


Como resultado, nossas discussões foram mais acaloradas, momentos tensos, tranquilos, um verdadeiro embate! Por fim, passaram-se duas horas e quarenta e quatro minutos. Resolvemos encerrar a conversa. Então, disse a ele: não fique chateado comigo. Só temos posicionamentos divergentes… E ele, depois de doze anos onde me encontro separado de sua irmã, me diz: “Com a gente não disso não! Somos parentes! Divergimos, mas política lá, nós aqui… Só uma divergência, um bate-papo. Esquenta não cunhado! Beijão! E até… Aparece, estamos com saudades.”


O respeito, a qualquer situação ou seguimento, é a chave de uma nação próspera, com todos os problemas existentes, porém, passíveis de solução.


 

AUTORA ROBERTA PEREIRA


Roberta M F Pereira nasceu em 1986 e cresceu na cidade de Brumado, interior da Bahia. É Historiadora, Tradutora, Intérprete de Libras, Professora e Poetisa. Desde bem jovem já demonstrava seu amor e dedicação a escrita, especialmente poesias. Tem suas poesias publicadas em diversas coletâneas e no site Recanto das Letras com o pseudônimo, Betina. É autora do livro “Verdades de um Coração Ferido”.

 

AO PERDER ALGUÉM, NÃO SE PERCA TAMBÉM


A perda de alguém Amado dói por muito tempo e às vezes a dor nunca passa, mas, apesar disso, temos que seguir em frente, mesmo que a dor no peito sufoque a gente…


Temos que seguir em frente, pois, a vida que há em nós, precisa ser vivida, sentida e acolhida.


Seguir em frente, não significa deixar de sentir dor ou a falta da pessoa que você ama, mas seguir em frente, é permitir que a vida floresça, que cresça, mesmo estando rodeada de espinhos.

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