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REFLEXÕES Nº 32 — 07/08/2022

Leia, reflita, comente!

 

AUTOR LUIZ PRIMATI


Luiz Primati é escritor de vários gêneros literários, entre eles, romance, ficção, contos, infantil. É autor de mais de 10 livros, disponíveis atualmente na Amazon. A descoberta da escrita foi logo que aprendeu a escrever, mas, a chama foi definitivamente acesa em 1981, quando participou do grupo teatral TER (Teatro Estudantil Rosa). O próximo projeto que lançará é o livro de terror: "A MALDIÇÃO DO HOTEL PARADISIUM", em parceria com Vivian Duarte. Hoje é editor da Valleti Books, onde ajuda escritores amadores a realizar o sonho de publicar seus livros.
 

NUVENS RADIOATIVAS


Todos conhecem o desastre nuclear de Chernobyl. O medo do mundo é que possamos um dia ter outro desastre equivalente.


Na Europa, institutos de monitoramento detectaram alterações de níveis de radiação na atmosfera. Isso preocupou muito os estudiosos. Na Holanda, o Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente alertou o mundo sobre as análises: “… os cálculos mostram que os radionuclídeos vêm do oeste da Rússia", com possíveis usinas nucleares danificadas.


A Rússia negou o fato de pronto, refutando as insinuações. Sobre as usinas, um porta-voz disse: "Elas funcionam normalmente, com os níveis de radiação nos padrões”.


Voltando a lembrar de Chernobyl, o mesmo ocorreu na época. Primeiro foram pequenas alterações de radiação no ar até culminar com a explosão de um dos reatores. Se isso ocorrer novamente o mundo sofrerá as consequências. Se a energia nuclear é tão perigosa, não é hora de pensarmos em desativar as usinas nucleares para sempre? Por que não recorremos a outros tipos de energia? Sei que a energia nuclear é mais barata e mais fácil de obter, mas vale o risco? Após anos se beneficiando com a energia, o preço a ser pago pela humanidade é caro demais. Não estamos preparados para mais um desastre dessa envergadura. E o pior é descartar o lixo radioativo que essas usinas geram. A única solução encontrada até o momento é enterrar o lixo por décadas até ele ser absorvido pelo solo e desapareça. Todos os indícios é de que essa energia não vale o risco. Essa é minha opinião.


 

AUTORA MIGUELA RABELO


Miguela Rabelo escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.

 

ESPELHO, ESPELHO MEU...


Existe alguém mais feia que eu... era assim que ela pensava e se enxergava durante muitos anos da sua vida. Sempre acreditando existirem pessoas mais belas, inteligentes, talentosas e não vislumbrando talento algum em si mesma.


Possuir o complexo do “Patinho feio” foi uma das ervas mais daninhas que cultivou ao longo da vida. Sempre se enxergando menor que os outros, nunca sabendo se impor diante as suas vontades, desejos ou simplesmente descontentamentos, deixando as pessoas a atropelarem com suas urgências e onde naturalmente, sempre ia para o fim da fila...


No entanto, isso com o tempo foi-se naturalizando para ela e quando perguntavam onde queria jantar ou ir, não sabia a resposta, pois não tinha esse habito de escolha. Ou pior, quando um affair lhe indagou certa vez se ela se achava bonita, sua resposta foi “não saber...” e mal ela sabia que isso é de matar qualquer tesão a vista. Então, nela se encontrava a Macabéia” de Clarice Lispector materializada.


Quando se encarava no espelho, buscava sempre a resposta no “se” eu tivesse os olhos de fulana, o corpo de beltrana, o talento de ciclana seria feliz e aceita pelos outros. Infelizmente acreditava que a felicidade se encontrava em características alheias presentes em padrões que a sociedade nos oferta “goela abaixo”.


Com esta autoestima pautada por comparações deturpadas, foi aceitando sempre menos do que merecia, justamente por achar valer bem menos do que a maioria das pessoas. E assim, foi perdendo a referência de identidade que tinha de si mesma. Pois quando se olhava diante do espelho, apenas enxergava os defeitos físicos e a ausência de talentos que almejava ter.

Por esse motivo, sofreu durante anos com humilhações alheias, aceitando em pranto, porém sem saber como se rebelar ou responder à altura. O que fez entrar em uma espiral de vitimismo, onde ninguém gostava dela e onde as pessoas apenas queriam usá-la ao seu bel-prazer. E isso ocorria em diversas áreas da sua vida. E infelizmente se encontrar nesta posição deixava ela em uma zona de conforto, pois confrontar tudo aquilo demandaria forças, coragem e principalmente amor-próprio. Porém, teve quase que morrer para entender que ou tomava as rédeas da sua vida, ou seria literalmente atropelada por esta locomotiva.


Então, quando se despertou para a imagem que realmente se refletia no espelho, esta era totalmente distinta do que via… e depois de mais de três décadas enfim encontrou a mulher incrível em que havia se transformado. Percebendo a força, garra, coragem, inteligência, humor, beleza singular nos traços, forma de agir e pensar, talentos na escrita que clamavam ser expressos, olhares que registram a beleza de estar viva e captar os detalhes pela fotografia, movimento corporal resgatado pela vontade de ser bailaria na infância, sendo a melhor cantora para seu filho que ama ouvi-la... e alguma sabedoria diante a todos os redemoinhos que a vida lhe lançou a provar a profundidade de suas raízes.


Então, hoje quando ela caminha de cabeça erguida, ostentando seus 39 anos permeados de cicatrizes, rugas, cabelos platinados, e bagagem de uma vida toda amordaçada, sem amor-próprio... as pessoas logo se espantam tamanha beleza e coragem daquela mulher de ser exatamente com orgulho ela mesma, conseguindo assim se encontrar com sua beleza e talentos e não permitindo desta maneira que ninguém, mas sequestre ela de si mesma.


 

AUTORA JOANA RITA CRUZ


Joana Rita Cruz nascida a 11 de março de 2002, é portuguesa e estudante de Engenharia Informática. Começou a escrever inicialmente no género de ficção com especial interesse em literatura fantástica, mas em 2015, escrever poesia tornou-se uma parte integrante da sua vida.

 

RESILIÊNCIA


Era uma vez uma menina que achava que nunca ia ser ninguém, era normal e anormal, sentia-se fraca porque as emoções eclodiam em lágrimas numa frequência equivalente à sua tão complexa sensibilidade. A menina crescia tímida e afastada, guardava as suas conquistas no fundo de si e as suas desistências ainda mais no interior do abismo.


Mas os anos passaram a pouco e pouco e toda a dor que a tentou matar virou mera memória, toda a depressão que a rodeou história e todo o fracasso uma conquista da mais pura preciosidade.


Ela conheceu no quadro branco a sua característica: “Resiliência”.


Não importava se era chorona, se descia no primeiro teste, se há uns anos desistiu de algo. Só importava que ela limpava as lágrimas e reerguia-se numa poesia poderosa que lhe jorrava dos poros, que trabalhava para a nota mais alta e só parava quando estava satisfeita, só importava que ela não desiste do que quer.


A resiliência conta a sua história e por isso mesmo é uma história tão cheia de altos e baixos, mas no fim de cada capítulo, a menina está sempre no topo.


 

AUTORA STELLA_GASPAR


Natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

 

EU EXISTO


Às vezes nos deparamos com uma tristeza que teima em ficar algum tempo na gente. Para mim, é sempre angustiante sentir-me invisível para o outro, que me olha e não me vê. Tento ter a compreensão humana, e entender tal comportamento demonstrado por alguém o qual não flui como um abraço de acolhimento.


Quando vejo tais imperfeições pessoais, como partículas de gotas de chuva no meu caminhar, penso novamente na invisibilidade do olhar, do gesto, e do jeito de ser das mesmas. Ao longo da vida somos feridos com atitudes, intencionais ou não.


Reflito às palavras bonitas que traduzem o meu coração e a felicidade com as quais me inspiro e tudo é melhor que a rejeição.


Amigos e amizades são lindos e nos trazem bem-estar com tantas coisas preciosas da vida. Como é triste, desperdiçar o nosso tempo com a indiferença ao outro.


Com a imaturidade espiritual, buscamos o amor e não sabemos amar.


Essas reflexões sobre a indiferença, a invisibilidade, objetivam que nossos olhos se abram para o inspirador gesto de atenção, acolhimento e afeto. Temos nossas histórias de vida que se abrem para os corações sensíveis.

Espero que este pequeno texto traga a você, paz e amenize suas dificuldades.

Quando nos tornamos mais gentis com nós mesmos, podemos nos tornar mais gentis com o próximo.


 

AUTORA ARLÉTE CREZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

COMPETIÇÃO


Engraçado a necessidade que o ser humano tem de tentar ser melhor que os outros em tudo (ou quase).


Estamos sempre competindo em algo: se temos o melhor carro, moramos no melhor bairro, temos os mais belos e inteligentes filhos, o marido melhor ou a melhor esposa.


Tudo é competição. Dificilmente queremos dar o braço a torcer de que algo conosco, vai mal.


A grama mais verde, na verdade, tem que ser a minha, o vizinho que fique com ervas daninhas.


Para ser sincera, prefiro me assumir perdedora. Competir na minha opinião é desgastante demais.


Detesto jogar qualquer tipo de jogo com alguém que seja extremamente competitivo, principalmente porque quem compete muito, não sabe perder.


Acredito que antes de conseguirmos ganhar, temos que aprender a perder.


Não estou dizendo que devemos nos contentar com as perdas, isso de forma alguma.


Devemos apenas saber quando jogar a toalha.


Muitas vezes criamos expectativas sobre nós mesmos, totalmente desnecessárias.


O ser humano é tão competitivo, que até suas dores têm que ser as piores.


Se você chega para esse tipo de criatura e diz que arranhou o braço, rapidamente ele lhe mostra um corte.


Caso esteja com dor de cabeça, o seu “oponente” provavelmente terá uma enxaqueca.

Sua dor de estômago será transformada em pedra no rim pelo competidor.


Unha encravada para você, com certeza será um joanete inflamado para àquele que não admite ficar para trás.


A competição faz parte da vida de muitas pessoas, as quais não podem ficar para trás em nada.


Sei que muito disso é de criação, pais que tornam os próprios filhos competitivos, até criando inimizades entre irmãos.


Para muitos pais os filhos devem sempre ser os melhores em tudo. Se o filho tira um nove e meio na prova, o pai já pergunta porque não tirou um dez.


Tive uma amiga que passava o final de semana estudando, caso suas notas fossem abaixo de nove.


A competição saudável é ótima, não a critico. Mas a competição cega, essa, sim, me irrita.


Mas afinal, se somos tão competitivos, porque então não competirmos nós mesmos, para nos tornarmos uma versão muito melhor do que somos?


 

AUTORA BETÂNIA PEREIRA


Betânia Pereira, historiadora/enfermeira, colunista na Revista The Bard. Participou de várias antologias poéticas. Escreve desde que aprendeu a escrever. Escreve poesias, prosas, textos de autoajuda, reflexões. Escreve sobre todas as pessoas que rondam as vidas que viveu e as que ainda viverá.

 

A CASA NUNCA FOI MINHA


"Sempre tive a sensação ou fizeram-me sentir estranha no meu corpo. Minhas asas abraçavam mundos e universos, nunca me contentei em ler só um livro, em simultâneo. Enquanto lia, meus pés subiam a árvore no quintal. Sensação de ser polvo com vários tentáculos.


Sempre fui sensorial ao extremo. Quando criança minha inteligência chamava a atenção de todos: professores, amigos de meus pais, tios, etc. Tinha sempre alguém fazendo eu contar ou recitar as partes do corpo humano, isso aos três anos. Sempre fui elétrica, realizando várias coisas, a cabeça de um lado, os braços do outro, enquanto as pernas caminhavam em outra direção. Trabalha em direção e necessidades opostas, e ninguém nunca considerou estranho, era admirável ter várias habilidades. A sensação que em mim, vivia várias e quis viver todas elas.


Os ruídos externos sempre me afetaram drasticamente, crises sensoriais, cansaço, insônia, dores musculares, ansiedade não me permitiram entender que sou TDHA e que precisava compreender e trabalhar minha condição. Me sentir excluída, rejeitada, considerava louca. Demorei muito compreender quem era e, porque eu era daquela forma, quanto sofri até chegar aqui."


Penso quantas pessoas no mundo se enquadram nesse relato que tentei reproduzir aqui, baseado em vivências e observações, o quanto muitos demoram em serem diagnosticados, acumulando muitos prejuízos, e questionamentos, olhares atravessados e bullying. O diagnóstico tardio, ou seja, aqueles que nunca o tiveram durante a infância e adolescência, dificulta a convivência e o bem-estar.


Não pretendo aqui trazer um tratado médico ou de enfermagem a respeito dos sintomas, causas e tratamentos, mas refletir sobre a dor de ter uma condição ou síndrome e ser julgado sem conhecimento de causa.


Segundo padrões sociais, pessoa normal, é aquela que apresenta um comportamento e aparência que é socialmente aceitável e comum. Agir com normalidade é o mesmo que seguir os comportamentos esperados de acordo com determinada situação, por exemplo. Anormal que ou o que está fora da norma; diferente, irregular. Para a medicina a condição do indivíduo é considerada patológica quando produz sofrimento para ele e/ou para o seu grupo social.


Reflito eu e pergunto quem elaborou essas normas? Quem te dá o direito de rotular alguém de anormal, por ser diferente, do que a sociedade chama de normal! Normal é respeito, empatia, solidariedade, discernimento. Normal é amar: a você e ao próximo. É viver que veio viver. É reconhecer o outro como semelhante, independente de sua forma de encarar o mundo, de suas escolhas.


 


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4 comentários


Betânia P
Betânia P
07 de ago. de 2022

Incrível a conexão

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Betânia P
Betânia P
07 de ago. de 2022

Incrível como houve conexão entre os textos. Amei todas as reflexões

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Stella Gaspar
Stella Gaspar
07 de ago. de 2022

Parece que combinamos e não foi isso que aconteceu. Nossas mentes criativas, sempre nos surpreende com encontros que vão além de nossos corações. Belos textos autorais! 🕊️

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miguelarabelo
miguelarabelo
07 de ago. de 2022
Respondendo a

Pensei o mesmo, como os textos se complementam!!😍👏👏

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