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REFLEXÕES Nº 226 — 23/08/2026

23 de ago.
24 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


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Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

O TEMPO COMO ILUSÃO


Há cinco minutos eu estava pensando em como começar este texto. Agora releio a frase que acabei de escrever e percebo: aquele momento já não existe mais. Ou pelo menos não encontro ele em lugar nenhum — nem na minha cabeça, que já pulou para a frase seguinte, nem no mundo, que continuou girando sem pedir licença para os meus cinco minutos de hesitação.


E o pior (ou o melhor), ainda decidindo — é que isso não para nunca. O "agora" em que escrevo esta palavra vira passado antes que eu termine de escrever a próxima. Enquanto meus dedos ainda estão no meio de uma frase, o começo dela já morreu. É como tentar segurar fumaça com a mão fechada: quanto mais aperto, mais rápido ela escapa por entre os dedos que deveriam prendê-la.


Fico pensando: quando alguém, daqui a um dia, ler este texto — esse "agora" que estou vivendo nesta cadeira, neste instante, vai estar tão morto quanto o domingo em que visitei minha mãe com pressa, tão distante quanto o dia em que descarreguei a bateria do carro na pandemia. Não sei se existe diferença de categoria entre 'cinco minutos atrás' e 'cinco anos atrás'. Os dois já são passado, ao que parece — os dois, igualmente inacessíveis. Só a dor de cada um é que muda de tamanho, não o fato de já não poder ser tocado — porque o tempo, uma vez que passa, não guarda importância, só guarda a marca de ter passado.


Então onde é que eu vivo, exatamente? Porque o passado eu já não habito mais — só visito, como quem revisita a rua onde minha casa foi vendida, através das grades do portão, sem poder entrar. E o futuro eu nunca habitei — é terreno que ainda nem foi loteado, promessa que pode não acontecer, plano que a vida gosta de mudar, sem aviso. Sobra o presente. Só que o presente, quando tento definir onde ele está, já foi. Fica quase impossível apontar o dedo: "aqui, agora" — porque no tempo que levo para dizer essas duas palavras, o "agora" que eu queria apontar já trocou de lugar duas vezes.


É engraçado que a gente vive discutindo se tem tempo ou não tem tempo — "não tenho tempo para isso", "preciso de mais tempo" — como se o tempo fosse uma coisa que a gente pudesse estocar, guardar numa gaveta, economizar para usar depois. Mas ninguém nunca trancou um segundo no cofre. A gente tem só a lembrança dele, que já é outra coisa, já é reconstrução, já é história contada pelo cérebro sobre um evento que ele mesmo não consegue mais acessar direito.


Talvez viver não seja estar no presente — talvez seja justamente essa corrida impossível de tentar alcançar um trem em movimento. A gente não vive "no" tempo. A gente vive perseguindo ele, sempre um passo atrás, sempre chegando no lugar certo um segundo atrasado.


Não sei se isso é motivo de desespero ou de alívio. Tem dias que penso: que bom, então nada precisa ser perfeito agora, porque esse agora já vai passar mesmo, então relaxa. Tem outros dias — a maioria — que penso o contrário: tenho pressa, frustração, porque cada instante que eu não aproveitei direito já era, sem chance de rebobinar o tempo, sem opção de tentar de novo de modo diferente.


Você que está lendo isso agora — e note: agora, para você, é um momento completamente diferente do meu agora, que já se foi há quem sabe quantos dias, meses, quem sabe anos — talvez sinta o mesmo desconforto. Ou talvez não sinta nada, porque para você isso é só um texto, palavras estáticas numa tela, e o tempo de verdade, o seu, está acontecendo em outro lugar, levando você para o parágrafo seguinte, ou para o celular que acabou de vibrar, ou para a vida lá fora que não espera ninguém terminar de ler nada.


De qualquer forma, este texto, que era presente enquanto eu escrevia, já é passado enquanto você lê. E quando você terminar de ler esta frase, ela também já terá sido.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

PENSO QUE A HUMILDADE VEM DAS ESTRELAS


Contemplar a imensidão do universo provavelmente tem sido uma das atividades que mais causam admiração em nós, humanos. Grandeza, mistério, angústia, gratidão, medo, atração, dúvida. Olhar para as estrelas por alguns minutos pode trazer qualquer um desses sentimentos, ou todos eles ao mesmo tempo.


Quando olhamos para o céu à noite, vemos as estrelas brilhando e, de alguma forma, estamos conectados com outras pessoas naquele instante. Muitas vezes pensamos em alguém que está longe, e outras pessoas que nem sabem da nossa existência humildemente pedem por nós todos.


A grandeza que há nas estrelas, de alguma forma, cabe inteira dentro de mim, dentro de você, dentro de nós. Cada um tem o seu lugar no mundo, com o nosso próprio brilho. A humildade e a simplicidade são formas de ser, não de parecer.


Então, pensemos nas estrelas: elas brilham em silêncio, como cantou o poeta, iluminam parte da escuridão e, em suas constelações, podemos nos situar diante da imensidão do universo.


Essa analogia com as estrelas pode ser bem oportuna. As estrelas encorajam-nos a elevar o nosso olhar para cima e enchem nossa alma de mistério e de grandeza. Tocam o nosso coração. Fazem-nos sentir como pequenos organismos que marcham no mundo inferior sem deixar pegada alguma ao seu passo e, ao mesmo tempo, como seres importantes que partilham o enigma do universo.


As estrelas fazem parte de nossos grandes aprendizados. Elas nos levam para outros mundos, em silêncios intocáveis.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

A CULPA QUE HABITA EM MIM


Diante da fome e da desigualdade

Social que, por este Brasil afora,

É brutal e gritante no anteparo Da ilha, a população ribeirinha Sofre e vive em uma miséria Profunda, famintas e com

Muitas bocas para alimentar, Pais saem em busca de pão

Para sustentar a sua família Com dignidade, sem se

Render ao jugo dos poderosos.


E, infelizmente, muitas vezes 

A moeda de troca para conseguir

Matar a fome de uma família são As próprias filhas iludidas, Aliciadas e oferecidas para Os piratas, elas acabam se Tornando parte de um plano

Perverso que na maioria das Vezes é arquitetado por aquele Que deveria amar, cuidar e proteger.


E, dessa forma, diariamente os usurpadores

Navegam e ficam à espreita e disfarçados

De nobres turistas, eles deixam os seus Barcos ancorados em alto-mar, mas

Enquanto esperam os piratas

Retornarem com o seu banquete, Eles brindam com os seus Whiskies

E são maquiavélicos e sedentos pela

Maldade a distância, eles aguardam

E observam por meio de um binóculo

Às suas presas que em seguida desaparecem.


E, infelizmente, em alguns lugares No Brasil, já normalizaram essa conduta Que se tornou banal e ao invés dessas Crianças viverem a plenitude da sua Infância no seu mundo de fantasia,

Elas estão perdendo precocemente A sua inocência para esses abutres  Que estão desaparecendo com elas Na beira da ilha, quando elas

Acreditam nos seus próprios Pais e acenam para os seus Algozes que salivam o mal Em suas vísceras.


E foi isso que aconteceu com seu Agenor,

Que é pai de seis filhos, do primeiro para O sexto são doze anos de diferença, a Miséria costumeira traz uma angústia

Visceral e a fome é maior do que O amor de um pai que deságua Em um rio que está seco, por isso A vida de um pescador não tem Sido fácil, já que por aqui todos Têm fome de pão ao amanhecer E fome ao anoitecer, são oito Bocas para sustentar e, para A tristeza da família, não Há nada para comer.


Um lugar esquecido onde há necessidade

Fala mais alto que chegamos ao ponto de

Um pai achar que perder um dedo da mão não Faz muita diferença, afinal, hoje nós vamos

Dormir de barriga cheia, assim levada pelas

Mãos de seu pai, Jacira teve o seu destino Traçado e, como era uma filha obediente,

Seguiu para a ilha feliz e cantante, Acreditando nas falsas promessas Daquele que ela achava ser o seu

Protetor, mas que na verdade, Era o seu mercador.


E sem saber que estava prestes a cair nas mãos 

Inescrupulosas dos seus devoradores, Jacira

Entrou na canoa com a sua boneca de pano

Sem se dar conta de que era uma moeda De troca e parte de um plano que

Culminava com um ato desumano

Que o seu próprio pai estava Cometendo ao jogar a sua

Própria filha, ao mar para

Os tubarões brancos.


E, após cruzar o rio e adentrar no barco

E se acomodar o salão da embarcação Jacira

Olhou para a ilha procurando pelo o seu pai, Ao avistá-lo, ela sorriu e, com a mão direita,

Acenou dando tchau sem saber que isso era Um adeus e na sua mão esquerda, ela Segurava firme a sua inseparável boneca De pano, em seguida, Jacira desapareceu

Na imensidão do mar, deixando

A semente da culpa plantada na

Consciência do seu pai, que após Aquele dia nunca mais teve paz Tanto que o seu olhar perdido

Denunciava o remorso profundo

Que ele sentia, mas não admitia.


Quarenta dias após o desaparecimento de

Jacira seu Agenor se viu no olho do furacão,

Encurralado e vítima das mesmas mazelas,

Mas agora, sem a sua filha, seu Agenor Sucumbiu a dor, a culpa e o remorso

Que o consumia e que estava

Atormentando a sua mente Que era o único lugar de Onde ele não podia fugir, Enfim, ele enxergou na corda

E no laço, a solução para acabar Com aquele sofrimento e se Pendurou nela e suicidou-se.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

TALVEZ SEJA UM REFÚGIO


Às vezes eu fico pensando na história de uma mulher que sofreu muito desde pequena. Ainda criança, viu o pai ir embora de casa e levou muitos anos até conseguir reencontrá-lo. Depois, já adulta, viveu um relacionamento cheio de conflitos e também de violência. Talvez ela tenha carregado para a vida inteira dores que nunca conseguiu realmente deixar para trás.


Hoje, essa mulher tem Alzheimer. Mas tem dias em que ela conversa normalmente, lembra das coisas, parece completamente lúcida. E isso me faz pensar: será que é só a doença? Ou será que, de alguma maneira, ela também encontrou um jeito de se esconder um pouco do mundo?


É curioso porque, perto de algumas pessoas, ela parece voltar a ser criança. Perto de outras, aparece a mulher adulta de sempre. E eu fico sem saber onde termina a doença e onde começa tudo aquilo que ela viveu.


Hoje ela mora em uma casa de apoio, confortável, bem cuidada, com alimentação, companhia e amigos. Não precisa mais se preocupar com tantas coisas.


E às vezes penso se aquilo não virou, de certa forma, um refúgio.


Talvez, depois de uma vida inteira carregando dores, algumas pessoas simplesmente encontrem um lugar onde possam descansar.


Não sei se é isso. Talvez nunca saiba.


Mas hoje eu penso que nem tudo precisa ser explicado ou julgado. Existem histórias tão complicadas que a gente só consegue olhar para elas com um pouco mais de silêncio e compaixão.


Porque talvez, no fundo, aquela mulher só esteja tentando encontrar um pouco de paz dentro de tudo aquilo que viveu.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

O INESPERADO


Uma viagem que nos faz observar cada cidade, cada carro que passa, as conversas paralelas que não nos deixam dormir.


Lemos um livro, olhamos para quem está sentado ao lado, puxamos conversa e até sorrimos um pouco.


O ônibus para, lanchamos e retornamos à estrada.


E o engraçado é que nada disso estava nos planos.


Nem por isso ficamos chateados com a rotina que mudou.


Afinal, o bom da vida são os imprevistos que nos despertam para um doce movimento,

como quem diz:

venha, viver.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

AS LIBÉLULAS


Quando eu era criança brincava muito com as libélulas. Era cada uma mais bonita que a outra! Eu e minhas irmãs não tínhamos brinquedos e ficávamos no quintal brincando com elas.  Nós a chamávamos de lavadeira, porque elas ficavam onde havia água. Na época, eu não as conhecia como libélulas e nem o motivo delas ficarem perto das águas; hoje sei! A presença das “lavadeiras”, as libélulas, indica água limpa, pois elas atuam no ambiente como fatores de indicadores biológico.


Como está difícil atualmente encontrar água limpa, as libélulas podem entrar em extinção.


No Japão, a libélula é associada à felicidade, coragem e prosperidade. Na América, ela significa renovação nos períodos de dificuldade. Na China, simboliza inconstância, e os suecos, acreditavam que o diabo usava as libélulas para pesar as almas. Cada um com sua crença! Para mim, era um bichinho lindo, inofensivo e que, atualmente, me remete à minha infância.


As libélulas passam por três fases em sua metamorfose, desde a eclosão do ovo, à fase larva, que dura anos, até se tornar um espetáculo de libélulas, com suas cores brilhantes. Como larvas, alimentam-se de moscas, besouros, abelhas, vespas, etc. Essa jornada pode durar de três a seis anos.


Elas ajudam a controlar as pragas por meio de sua agilidade ao pegar os insetos durante o voo.


Elas têm a visão apurada, parece um radar!


Elas batem as asas cinquenta vezes por segundo, e chegam a percorrer cem quilômetros por dia!

Que voo! Que liberdade!


As libélulas, para fugir dos predadores, se jogam no chão em pleno voo e se fazem de mortas. Como são espertas as libélulas!


No ato do acasalamento, elas morrem de amor, apesar do belo malabarismo em formato de coração que fazem, pois morrem logo após o ato sexual.


Ô vida! Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, já dizia Caetano Veloso em sua música “Dom de iludir”.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

LAMÚRIAS


Deus,

Esta noite estou triste,

Sei que o senhor existe,

E assiste todo meu trabalho.


Faço de minhas orações,

Pedidos ao senhor,

Para acalmar corações,

E a tantos outros levar amor.


Mais uma vez,

De joelhos novamente,

Peço paz, para todos eles.


Nem minhas dores da enfermidade,

Irá atrapalhar meu compromisso,

Levar serenidade, antes de meu sumiço.



E por mais que eu seja apedrejado,

Por pessoas sem compreensão,

Peço nosso senhor Jesus Cristo,

Luz para este coração.


E adiante vou seguindo,

Pelas injúrias perseguidas,

Um coração aflito,

Que apenas busca paz.


Para algumas pessoas,

Isto que faço, tanto faz,

Mas no mundo ainda existe pessoas boas.


Então me fortifique,

Para que eu não esmoreça,

E mesmo que aconteça, ajude-me.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

SAUDADE NÃO SE MEDE


Saudade de quem está longe,

Saudade de quem está perto.

Qual é a saudade mais sentida?

Difícil de mensurar...


Quem está longe,

Você não pode abraçar.

E quem está perto

E não quer se aproximar?


Independentemente da distância,

Pode existir proximidade;

Depende da importância

Que o outro tem

Na sua vida.


Não se trata de espaço geográfico,

Mas da “presença” que se faz constante;

Pois, às vezes, quem está distante

Permanece no coração,

Enquanto quem está ao nosso lado

Pode nos fazer viver na solidão.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

O que estamos fazendo pelo nosso planeta?


O que está acontecendo com o nosso planeta? A Terra parece pedir, em silêncio, um pouco mais de cuidado. Terremotos, enchentes, secas, queimadas e tantas outras catástrofes nos lembram de que a natureza tem seus próprios caminhos, mas também sente o peso das escolhas humanas.

Enquanto isso, rios, riachos, mares e córregos recebem aquilo que não deveria lhes pertencer. As queimadas transformam paisagens em cinzas, o lixo se acumula e o ar, que deveria ser livre e puro, torna-se cada vez mais difícil de respirar.

Diante de tantos acontecimentos, uma pergunta permanece no coração: o que estamos deixando para os nossos descendentes?

Talvez ainda haja tempo para mudar. Tempo para cuidar das águas, preservar as florestas, reduzir o desperdício, respeitar os animais e compreender que a natureza não é apenas um lugar onde vivemos — ela faz parte de nós.

Não precisamos perder a esperança. Cada árvore preservada, cada rio protegido, cada resíduo destinado corretamente e cada atitude consciente pode ser uma pequena semente de futuro.

Porque, afinal, que futuro esperançamos encontrar em um planeta sobrecarregado de lixo, se hoje não aprendermos a cuidar da nossa própria casa?

Que a esperança não seja apenas um desejo. Que seja uma atitude. Que o amanhã encontre em nossas mãos os sinais de quem escolheu cuidar, preservar e amar a vida.


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

ESCOLHAS PROGRESSIVAS OU UM SALTO EM FORMA DE DROP SET?


Eu vou ao supermercado, faço compras e carrego inúmeras sacolas. No percurso para casa, penso: nossa, como está pesado, mas olho para trás e percebo que já andei mais da metade do percurso até meu lar. Ora, eu necessitava e queria comprar o que quis, e o fiz com prazer. Daí sigo tranquilo com aquele peso, que até se alguém me perguntasse se eu queria ajuda para carregar as sacolas pesadas, eu recusaria, e seguiria feliz.


Fui para a academia e comecei a executar minhas séries corriqueiras e, inspirado no devaneio dos pesos da sacolinha, comecei a fazer séries de exercícios dropando. Sim, na academia, a técnica de “drop set” consiste em realizar os movimentos do exercício começando com o máximo de carga que você aguentar para executar perfeitamente os movimentos e não se machucar, e ir regressivamente abaixando os pesos para maximizar o objetivo do exercício. Note que você escolhe o que seu corpo suporta de peso para iniciar as séries.


Na vida, a gente nem sempre tem a oportunidade de escolher os pesos máximos para iniciar algo, sempre somos pegos de surpresa ao iniciar um novo ciclo, uma nova tarefa e o trilhar de um novo objetivo tido como meta.


Noto que as pessoas, numa alusão a um convívio numa academia, inspiram uma reflexão sobre escolhas e como se comportar diante de tais escolhas aleatórias na vida.


Existem aqueles que são professores e têm uma constante vontade de corrigir os outros antes mesmo dos instrutores o fazerem.


Os iniciantes que estão fora do peso ou têm medidas muito parecidas mostram no olhar que estão desanimados. Eles também sentem uma certa rejeição e ficam envergonhados ao lado de alguém que já tem o corpo mais definido e consegue levantar três vezes mais peso do que eles.


Entretanto, existem aqueles em que se percebe uma admiração que transcende o aspecto físico; trata-se de uma combinação de adoração e flerte, manifestada pela apreciação das formas adquiridas ao longo dos anos. Esse sentimento pode inspirar o surgimento de relacionamentos, amizades ou algo mais profundo, cujas possibilidades permanecem desconhecidas.


Sabe, escolhas na vida, que podem nos impulsionar ou serem percalços, dependem da maneira como estamos preparados para enfrentá-las. É igual à prática de exercícios numa academia; temos que ir por motivos de mudar o aspecto do corpo, como estamos saudáveis, ou é uma obrigação quando passamos de certa idade, e se não houver prática de atividade física, a saúde dará lugar a doenças.


O mais incrível, é que as doenças físicas afetam nosso corpo, não por mero acaso, mas sim devido à escolha do estilo de vida que escolhemos para nós. Enquanto sadios, pode ter certeza de que, se você passou dos 40 anos, conhece alguém que tem uma dor nas costas, um joelho debilitado ou índices de diabetes ou quaisquer outras doenças provenientes de escolhas de estilo de vida.


Eu não quero explicar como fazer suas atividades. Mas eu penso que escolher a quantidade certa para começar uma decisão é muito importante. Será que começo escolhendo e mantendo foco nos meus sonhos, ou começo pelo final, me sobrecarregando e me afogando na arrogância de achar que o resultado é inerente ao processo de realização.


Pode ser que minhas escolhas em realizar um objetivo não tenham o mesmo ritmo e resultado que a técnica de realizar o “drop set” progressivo de uma academia, mas posso me inspirar no dia a dia, imaginar o peso da consequência de minhas escolhas e regredir em ações mais comedidas a fim de alimentar meus objetivos sem sobrecarregar meu ímpeto de realizações.


Afinal, escolhas malfeitas podem ter um peso muito maior do que carregar umas sacolas de compras no percurso do seu lar interior.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

A MELHOR TERAPIA NÃO ACEITA CONVÊNIO


Existe um remédio que não se guarda em prateleiras, não se compra em farmácias, muito menos pela internet. Não precisa de receita, mas faz um enorme bem, principalmente para a alma. O nome dele é amizade antiga.


Na última sexta-feira, às seis da tarde, oito mulheres com algumas décadas de histórias em comum se reuniram de pijamas, pantufas, espumantes e muitos “causos” para relembrar.


Nosso refúgio foi a casa, que hoje está à venda, de uma das “meninas”. Local que, por algumas horas, deixou de ser apenas um imóvel e voltou a ser um lar.


Somos amigas do tempo de adolescência. Amizade que passou por variados cortes de cabelo, diversos modismos, namorados que não deram certo, mensagens pelo Orkut, casamentos, filhos, rugas e, para algumas, netos.

A programação era simples: conversar, abrir um espumante (ou vários), relembrar momentos vividos e rir.


Tudo começou com a maior civilização possível – pelo menos para amigas que se conheceram em um grupo de teatro, onde as brincadeiras eram constantes.


Até que uma delas se levantou e começou a fazer gestos para que alguém adivinhasse a mímica que estava representando. Baita na porta, na garrafa, na parede, e os nomes dos filmes eram os mais variados: Batem à porta, Os Deuses devem estar loucos, Uma parede entre nós... Qualquer filme que tivesse ligação com os objetos mencionados. Após alguns minutos, a dona da mímica deixou claro que a palavra que ela procurava era duro. Imediatamente, as observadoras disseram, quase em uníssono:


- Duro de Matar!


A partir daí, escrevemos nomes de filmes em papéis para serem sorteados, e a civilidade foi deixada para atrás.


A intenção era fazer as mímicas da melhor forma possível para que fossem acertadas. Mas nem sempre era o que acontecia. Algumas passavam ótimos minutos tentando fazer com que os gestos fizessem sentido, enquanto as demais conseguiam apenas rir. E quanto mais demorava o acerto, maior era a crise de gargalhadas.


Como o grupo já soma meio século de vida, as risadas se transformavam em disputas por idas ao banheiro. Enquanto sete riam como se fosse a última coisa a ser feita na vida, a oitava desaparecia em uma corrida frenética rumo ao cômodo mais cobiçado da casa naquele momento.


E cada uma que voltava, era recebida com mais gargalhadas.


Quando percebemos, já eram três da manhã e a movimentação para dormirmos se iniciou. Cada uma encontrando seu colchão, ajeitando seu travesseiro e iniciando seu processo de descanso – ou tentando depois de tanto rir.


Entre sete e meia e oito horas da manhã, uma a uma foi despertando e, em pouco tempo, a cozinha se transformou em ponto de encontro. Enquanto algumas arrumavam mesa e cadeiras na varanda dos fundos, outras organizavam os quitutes e bebidas para nosso café da manhã padrão cinco estrelas.


Às dez horas, mais três amigos se juntaram a nós, fazendo com que novas histórias surgissem, e naturalmente mais gargalhadas.


Com o passar das horas, a realidade começou a chamar. Algumas precisaram sair mais cedo; outras ficaram até o café da tarde. A própria dona da casa partiu antes, mas deixou alguém encarregado de trancar a porta.


Todas queríamos que o tempo desse uma paradinha, para que aqueles ótimos momentos durassem um pouco mais.


A última que saiu trancou a porta.


Mas a casa já não era mais a mesma.


Seu valor havia aumentado, de uma forma que nenhum corretor descreveria em qualquer anúncio: uma noite inteira de amizade, gargalhadas, memórias, cumplicidade e felicidade.


Lembranças felizes transformam uma casa em lar.


Há amizades que são a melhor terapia do mundo.


Sem consulta nem receita médica.


E, felizmente, sem convênio.


AUTOR Lucélia Santos


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.

A CORAGEM DE PERMANECER


"Há batalhas que o mundo vê, outras, apenas Deus e o coração conhecem"...


A vida, muitas vezes, pesa. Há dias em que tudo parece fugir do lugar. Os planos mudam, o silêncio dói e a alma se pergunta de onde tirar forças para continuar caminhando.


Existem perdas que rasgam o coração. Perdas que deixam um vazio que ninguém consegue preencher. Elas marcam a alma com cicatrizes profundas, daquelas que o tempo não apaga completamente. A saudade permanece, a ausência ecoa e há dias em que respirar parece exigir mais coragem do que qualquer outra coisa.


Também existem aqueles que carregam um espinho na carne. Lutas silenciosas que poucos conhecem. Feridas que não aparecem no rosto, mas consomem por dentro. São pessoas que aprendem a viver um dia de cada vez, vencendo a batalha de hoje sem saber como será o amanhã. E isso também é coragem.

Resiliência não é fingir que está tudo bem.

É enxugar as lágrimas e seguir em frente, mesmo quando o coração ainda está ferido.

É levantar quando a vontade é permanecer no chão.

É acreditar que o sofrimento não terá a última palavra.

É encontrar coragem para recomeçar depois da mais terrível das tempestades.


A vida não promete caminhos fáceis. Ela nos molda, nos fortalece e, muitas vezes, nos revela sentidos que só compreendemos com o passar do tempo.


Não desista por causa do caos. Nenhuma noite dura para sempre. Depois da tempestade, a luz sempre encontra uma fresta por onde entrar.


Confie no seu esforço. Valorize cada pequeno passo, cada conquista, por menor que pareça. Há dias em que a maior vitória não é conquistar o mundo, mas simplesmente conseguir continuar.


Se hoje você está lutando contra a saudade, enfrentando uma perda, carregando uma dor que ninguém vê ou convivendo com um espinho que insiste em permanecer, saiba que sua caminhada tem valor. Cada amanhecer vencido já é uma grande conquista.


Continue...


Porque quem persevera transforma lágrimas em aprendizado, cicatrizes em testemunhos de superação e sofrimento em força.


E, um dia, ao olhar para trás, perceberá que Deus sustentou cada passo. Que a sua maior vitória não foi a ausência das dificuldades, mas a força que nasceu dentro de você para atravessá-las sem perder a esperança.


"Porque, às vezes, o maior milagre não é a tempestade passar, mas descobrir que Deus nos deu forças além do normal para atravessá-la."


AUTOR Akira Ordine


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

MEU AVÔ AMAZONENSE


Como sentir saudade de quem você nunca conheceu? Pois bem, na sexta-feira da semana passada, dia 14 de agosto, meu avô materno faria 89 anos. Porém, nunca o conheci; sou de 2006 e ele faleceu em 2003.


Por mais paradoxal que pareça, a cada ano que passa eu sinto mais falta dele. As histórias que escuto da minha avó, da minha mãe e das minhas tias só me fazem cada vez mais querer tê-lo conhecido. Ao que parece, somos muito parecidos, seja no humor ácido, nas visões de mundo e na paixão visceral por futebol. Ele, um amazonense que inexplicavelmente se apaixonou pelo Bonsucesso, um pequeno clube da Zona Norte carioca, e eu, tricolor alucinado.


Como conviver com esse desejo profundo de realizar algo impossível? Como lidar com a falta de momentos que, ao menos neste plano, nunca ocorrerão? Eu trocaria tudo no mundo para abraçá-lo, conversar com ele e fazê-lo viver, mesmo que para isso tivesse que trocar de lugar com ele. Sensação de incompletude que não tem fim...


AUTOR Eliana Rocha


ELIANA ROCHA, da cidade de Brumado, interior da Bahia. Licenciada em Letras Vernáculas pela UNEB - Universidade do Estado da Bahia; Pós-graduada em Psicopedagogia, pela FACINTER - Faculdade Internacional de Curitiba. Professora aposentada, atualmente Coordenadora da Escola Particular "O Pequeno Príncipe" - Brumado.

AS GAVETAS DA SAUDADE


Há dias em que as gavetas, já não cabem tanta saudade. É tanta dor que atravessa o corpo e chega à alma, mas não encontra por onde sair. Então, fica ali, presa, amarrada em nós que parecem jamais se desfazer.


Depois que se perde um filho, talvez a palavra felicidade nunca mais tenha o mesmo significado. A vida continua nos presenteando com momentos doces, pessoas queridas, a família, os amigos, os netos… e somos capazes de sorrir, de agradecer, de viver momentos felizes. Mas existe uma parte de nós que ficou para trás, naquele tempo em que éramos inteiros.


Deus nos dá força, consolo e discernimento. Ele nos sustenta nos dias mais difíceis e nos ensina a continuar. Mas o amor e a dor permanecem juntos, misturados dentro da gente.


Aquela vida que tanto amei, que enchia meus olhos de brilho e meu coração de paz, continua viva em mim — agora em forma de memória, saudade , amor e dor.


Não quero esquecer. Não quero que o tempo apague seu rosto, sua voz, seus gestos. Quero continuar lembrando, porque lembrar dela também é uma maneira de mantê-la viva em mim.


Aos que permanecem ao meu lado, de perto ou de longe, só posso agradecer. Amo cada um, cuido como posso e faço tudo o que está ao meu alcance. Sei que também sou amada. E esse amor me fortalece, porque ainda existem pessoas que precisam de mim — e eu também preciso delas.


Por isso, talvez eu seja forte não porque não sofra, mas porque sofro e continuo. Choro, guardo lágrimas que ninguém vê, sinto saudade todos os dias… e ainda assim sigo de cabeça erguida.


Às vezes, com um sorriso que esconde o que existe por dentro, mas que, de alguma forma, ainda consegue fazer alguém sorrir.


Porque o amor que ficou lá atrás não foi em vão.

Ele continua aqui. Bem guardado no lugar mais profundo do meu coração. E enquanto eu viver, minha filha viverá em mim.









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