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REFLEXÕES Nº 224 — 09/08/2026

9 de ago.
20 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno
Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

O OUTRO COMO CONDIÇÃO DO EU


Gravei um programa inteiro sozinho, uma madrugada, no meu estúdio improvisado aqui no escritório. Levantei de propósito àquela hora para escapar do barulho da Rua João Passos, no centro de Botucatu — de dia é buzina, caminhão de entrega, motor de ônibus passando embaixo da janela; de madrugada, silêncio de sobra. Gravei uma hora inteira, fazendo piada, brincando com "os ouvintes" que iriam escutar depois, empolgado com o próprio texto. Quando terminei, fui ouvir o resultado. Não tinha gravado nada. Um erro bobo de configuração, microfone selecionado errado, e a hora inteira tinha ficado só no ar do escritório, sem registrar em lugar nenhum.


Fiquei estranho por dias. Não pela hora perdida — isso se regravava. Estranho porque, durante aquela hora inteira, eu tinha sido um sujeito específico: o Luiz do podcast, animado, ligeiro, cúmplice de gente que ainda nem tinha ouvido nada. E quando descobri que não tinha ficado registro nenhum, aquele sujeito meio que desmoronou para trás. Sobrou só eu, na cadeira, de madrugada, com a rua lá fora começando a acordar sem mim.


Fico pensando nisso desde então. Quem eu sou quando ninguém está olhando?


A resposta óbvia é "o mesmo, só que sem plateia". Mas desconfio que não é bem assim. Sozinho, eu não rio do mesmo jeito. Não termino as frases da mesma forma. Até o corpo muda — reparei outro dia que ando com as costas mais curvadas em casa do que na rua, como se a rua exigisse uma postura que eu só lembro de manter quando alguém pode reparar. Não é fingimento, veja bem. Ninguém está me vendo mentir. É que parte de mim só liga quando tem quem receba o sinal.


Minha neta — bom, não é bem minha neta, é a filha de uma antiga funcionária, mas a gente adotou um ao outro — outro dia me perguntou por que eu falo diferente ao telefone com a Mônica e diferente quando estou gravando o podcast. Fiquei sem resposta na hora. Ela tinha oito anos e tinha acabado de flagrar uma coisa que levei sessenta e quatro para nomear mal e mal.


Tem gente que chama isso de máscara, como se por baixo existisse um rosto verdadeiro esperando, intocado, o momento de tirar tudo e aparecer. Não sei se acredito nisso. Tiro a máscara do locutor de podcast e aparece o marido. Tiro a do marido e aparece o avô emprestado que engana criança sobre Clingers. Tiro essa também, e aparece — o quê? Nunca cheguei ao fundo. Talvez não exista fundo. Talvez seja máscara até embaixo.


E ainda assim, cada uma dessas versões de mim é real enquanto dura. O locutor daquela madrugada foi real — ele riu de verdade, sentiu de verdade o timing de uma piada, mesmo sem microfone nenhum funcionando para guardar aquilo. Só que era um real incompleto, como fósforo aceso e apagado antes de encostar em qualquer pavio: existiu o fogo, mas faltou o que o fogo deveria ter servido para acender.


Isso me assusta um pouco, se penso demais. Quer dizer que eu preciso dos outros para ser gente por inteiro? Parece fraqueza, dependência, coisa que a gente devia superar com a idade. Mas hoje acho o contrário: talvez seja a coisa mais generosa que existe, essa dependência. Ninguém se basta. Nem o eremita mais convicto: ele precisa de Deus olhando, ou da própria posteridade lendo seu diário, ou de si mesmo desdobrado em dois — um que vive e outro que testemunha. Sozinho de verdade, sem testemunha nenhuma, nem de si mesmo, eu duvido que exista quem aguente.


A Mônica tem um jeito de olhar para mim, enquanto eu falo, que muda o que eu digo antes mesmo de eu terminar a frase. Não sei explicar o mecanismo. Só sei que penso melhor com ela na sala do que sozinho — não porque ela ajude com ideias, ela quase nunca fala nesses momentos —, é só a presença. Existe uma versão minha que só aparece quando ela está por perto, e essa versão pensa com mais clareza do que a que fica sozinha na sala matutando.


Queria fechar isso com uma resposta boa para a menina de oito anos, mas ainda não tenho. Só sei dizer: eu falo diferente porque em cada telefonema, em cada gravação, tem alguém do outro lado emprestando um pedaço de espelho, e eu me viro conforme o espelho que pego.


Da próxima vez que ela perguntar, vou tentar isso. Ou vou continuar sem saber, o que também é uma resposta, só que mais sincera.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

CAMINHANDO COM ESPERANÇAS RENOVADAS


Construímos castelos com nossa imaginação, criando aquilo que gostaríamos que existisse – e, graças a essa força criadora, muitas dessas coisas passam a existir. Afinal, boa parte do que compõe o mundo humano nasceu do desejo de superar limites e transformar esperanças em realidade.


Seguimos caminhando, sem nos privar de sentir que as janelas abertas para a renovação permanecem dentro de nós. Entre o ato de prosseguir e o de permanecer, há um espaço essencial: o fazer existir. Nada é eterno. Por isso, investir na esperança, acolher a incompletude e celebrar a vida tornam-se gestos de coragem.


O passado e o presente, fundidos em um amálgama de dor e alegria, nos convidam a refletir sobre a força de renovar. É nesse movimento que encontramos novos momentos, encontros e sentimentos, todos eles inevitáveis e inadiáveis, convocando mais fé, perseverança e esperança – passo a passo.


Cada novo dia traz consigo uma nova esperança que nasce com o sol, oferecendo chances e renovações. Quando deixamos de crer, sonhar e caminhar, perdemos o equilíbrio que sustenta nossa existência.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

A DIFICULDADE DE OUVIR NÃO


Essa é a geração que só pensa no ter

Ao invés de pensar no ser,

Essa é a geração com direitos sem deveres,

Essa é a geração dos amantes dos prazeres,

Essa é a geração da liberdade promiscua,

Essa é a geração da ostentação,

Essa é a geração dos ídolos fajutos,

Essa é a geração que prega o vitimismo

E enaltece a implantação do socialismo,

Essa é a geração sem princípios

E com ideais distorcidos,

Essa é a geração que diz aos quatro Cantos que o mundo é dos espertos,

Essa é a geração que vive intensamente

Como se não houvesse eternidade,

Essa é a geração que aceita o errado

E condena aquilo que é certo

Essa é a geração que tem

Dificuldade de ouvir não,

Essa é a geração que enaltece um bandido

E crucifica aquele que é honesto

E isso nos remete a uma escolha

Que foi feita a mais de dois mil anos atrás

Quando Jesus foi crucificado entre dois bandidos.



AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

NINGUÉM ENTENDIA


Ninguém entendia seu jeito de gostar das coisas delicadas e dos sonhos que queria realizar.


Ninguém entendia o que pretendia com tantas surpresas que a vida preparava.


Ninguém entendia de onde vinham tantos encantamentos pela vida.


Ninguém entendia.


Mas ela pressentia que tudo aconteceria, algum dia.



AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

O QUE HAVIA POR BAIXO DA FACETA


Nesta semana, eu sonhei com muitas coisas. Sonhos movimentados, daqueles em que a gente acorda sem conseguir organizar direito o que viveu. Mas uma imagem ficou comigo decorrente desses sonhos.


Eu tinha uma faceta em um dos dentes da frente. Na vida real, tenho uma de resina, feita pela minha irmã, que é dentista. No sonho, ela se soltava.


Eu tentava colocá-la de volta no lugar, mas já não encaixava bem. Ficava grande, grosseira, desconfortável. Até que pensei:


“Quer saber? Vou tirar.”


E tirei.


Então olhei para o dente que estava por baixo.


Era bonito. Limpo. Natural.


E me veio uma surpresa:


“Mas por que eu estou usando isso se o meu próprio dente é bonito?”


Fiquei pensando nisso depois que acordei.


Talvez a vida também nos faça usar algumas “facetas”. Coisas que colocamos sobre nós para sermos aceitos, para parecermos fortes, para agradarmos, para correspondermos ao que esperam de nós.


E algumas dessas coisas nem começaram em nós.


Vieram da nossa história, da nossa família, das crenças que atravessaram gerações. Talvez alguém antes de nós tenha precisado ser forte, calar, agradar, suportar ou esconder a própria dor. E, sem perceber, podemos continuar repetindo aquilo que um dia foi necessário para alguém pertencer ou sobreviver.


Mas honrar quem veio antes não significa precisar repetir tudo.


Podemos reconhecer a história, agradecer pela vida que chegou até nós e, ainda assim, escolher o que continua.


Às vezes, algo se solta justamente para nos mostrar que já não precisa ser recolocado no mesmo lugar.


E talvez seja nesse momento que descobrimos aquilo que sempre esteve por baixo.


Algo nosso. Natural. Inteiro.


No sonho, eu pensei:


“Eu não devo satisfação a ninguém.”


Talvez essa tenha sido a verdadeira mensagem.


Não precisamos abandonar tudo o que escolhemos ser. Mas podemos perguntar:


“Isso é realmente meu ou estou usando isso para corresponder ao olhar de alguém?”


E quando alguma coisa se desprender, talvez, antes de tentar colar de volta, possamos parar e olhar.


Talvez descubramos que, por baixo de tantas coisas que aprendemos a usar para pertencer, existe simplesmente quem sempre fomos.


E talvez seja bonito.


Talvez seja suficiente.


Talvez sempre tenha sido.



AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

ANJO NEGRO


Ela tinha um jeito doce, um falar manso e suave. Sua voz pequena contrastava com seu corpanzil negro que, por sua vez, fazia sobressair o branco dos cabelos, o branco dos olhos e dos dentes que se abriam num largo sorriso, alegre e franco apesar de todas as dificuldades financeiras pelas quais passava e pela enfermidade da filha, que estava sempre internada em decorrência de uma anemia falciforme.


Assim era minha amiga, professora de voz baixa que acalmava toda a turma, que como ela mesma dizia “até um mosquito que passar por aqui dá para se ouvir”. Que era admirada por todos pela sua coragem, pois estudou depois de adulta, mostrando que para se estudar não tem idade, nem limite, nem dificuldade quando se quer e se tem vontade de aprender. Assim ela fez o ginásio, o segundo grau em formação de professora.


Alguns achavam ridículo ela colocar uniforme de colégio naquela idade, com aquele corpo; outros a elogiavam pela coragem; outros se inspiravam nela para fazer o mesmo. O fato é que ela se formou, trabalhou e sustentou a casa por um tempo com o seu trabalho. Isso foi motivo de grande honra para sua família e amigos. Eu fui uma que a auxiliou em tudo o que ela precisava. Depois de um tempo, a doença a assolou.


Iniciado o tratamento, ela foi ficando na cama, emagrecendo. Sempre era visitada e ajudada. Ela não reclamava de nada, sempre resignada à vontade de Deus. Quando ela não pôde mais prover o sustento da casa, seu marido regressou ao lar e de todos cuidou. Em um ano a doença a levou de todos nós, deixando-nos o exemplo de nunca reclamar e sempre dá graças por tudo, pois Deus sabe o que faz.


Eu nunca a esqueci, passo por lugares onde lanchamos juntas e lembro-me dela, passo pelos lugares onde trabalhamos ou vejo uma pessoa com suas características e lembro-me dela. Ela era simplesmente uma amiga, uma irmã de fé, mas que se fez inesquecível como exemplo de paz, perseverança, resignação, sabedoria cristã e vida secular.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

AJUNTADOR DE LETRINHAS


Sou apenas um ajuntador de letrinhas,

Que entre algumas linhas,

Tenta levar paz, amor e paixão,

Para sua vida, seu coração.


O meu apreço,

Este dom pago preço,

Viver todos os sentimentos,

E transmitir os momentos.


Sou apenas um espelho,

Que reflete apenas amor,

Que tem como recompensa apenas seu sorriso.


E quando tudo estiver estabilizado,

Serei deixado de lado,

E sua vida segue em frente


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

PATERNIDADE DERIVA DE DAR DESTINO AO SER


Assisti recentemente a um filme espanhol que chamou muita atenção. O título é: “Destinos à deriva”, visto que o dia dos pais está chegando, achei muito interessante o contraste da data que se aproxima e a  analogia do enredo do filme retratar características de maternidade que homens jamais conseguiriam entender, tentei seguir a analogia reversa de me colocar no lugar de uma mãe. O filme inspira sentimentos maternos que podem tocar tanto homens quanto mulheres e acredite que ao final realmente podemos ficar com lágrimas nos olhos e ter uma breve sensação do que é dar a vida para uma criança vinda de nós.


O filme trata da história de uma mãe que acaba sendo separada do seu companheiro e escapa de uma chacina, vê seu container cair do navio durante uma tempestade e fica à deriva sozinha no oceano, onde acaba por dar à luz e cuidar de sua filha sozinha enquanto luta para sobreviver e evitar que a água afunde o container em que elas estão, tendo que alimentar a si e a sua filha em condições totalmente inesperadas e sem recursos de alimentos, higiene e perigos desconhecidos.


Este enredo traz o sentimento que muitas mulheres devem sentir, tendo as incertezas de como criar uma vida, lidar com suas dores que somente elas sabem, e os desafios íntimos que nós homens jamais teremos, pois ser pai progenitor é uma bênção incrível, mas ser portador da vida é qualidade exclusiva da mulheres.


O sentimento-chave do filme é demonstrar a transformação e força interior despertado no coração de uma mãe em virtude de criar e instruir uma vida, e serve de inspiração para qualquer pai ou mãe que tenha a sensibilidade de absorver o amor e força divina vindas tanto da maternidade quanto da paternidade.


Em contrapartida, faço um link com as experiências de vida que temos através da nossa aptidão profissional e pessoal em nos capacitarmos por meio de estudo, pesquisa e vivência. Sabemos que, se nos dedicarmos a estudar sobre vida marinha e sua geologia, seremos especialistas em vidas marinhas, habitat de algas e saberemos como são as características de diversos peixes, tubarões e baleias.


Por outro lado, poderemos nos transformar em renomados exploradores de oceanos, mas se nos colocarem de prontidão o desafio de liderar uma expedição até as gélidas condições de explorar a Antártida, podemos não ter o sucesso desejável, pois pode nos faltar a domínio suficiente para lidar com a inconstância de resistência do corpo humano sob frio extremo e como lidaremos com a fauna local de ursos polares e perigos não tão conhecidos, ao menos por um pesquisador de habitat marinho de climas tropicais.


Pare para pensar como a nossa consciência é traiçoeira, quando achamos ter total domínio de uma profissão, somos considerados especialistas, mas se tentarmos utilizar as mesmas qualidades em ambientes aos quais não estamos preparados, podemos obter positiva ou negativamente bons resultados.


Aí é que encanta a amplitude da vida em inspiração da paternidade e maternidade, para quem é pai ou mãe de primeira viagem, muitas vezes a experiência transmitida por avós ou bisavós da criança que virá ao mundo, não será suficiente pois somente o pai e a mãe é que irão ter que se especializar na criação e educação inicial da criança que virá ao mundo.


Assim, inspirar-se e exercer a paternidade, sem de fato experimentar as agruras do parto, independentemente das circunstâncias, pode ser comparado a estar à deriva em um vasto oceano, carregando a responsabilidade de aplicar o melhor que se aprendeu na vida, sem a imposição de se tornar um especialista. Pois, assim como um médico pode ter ou não êxito ao desenvolver a função de um engenheiro, frequentemente isso não está relacionado ao nível acadêmico, mas à forma como ele internalizou experiências e aprendizados por meio de interações com indivíduos, obras cinematográficas, literatura ou pela convivência com alguém que se destacou como um grande engenheiro, conseguindo, assim, alcançar resultados notavelmente positivos na execução de tarefas que extrapolam seu conhecimento.


Sendo assim, que exista inspiração para pais que não geraram uma vida, mas que, através da resiliência e amor alimentados pela inspiração de uma vida e um futuro que depende dele, mesmo sendo um pai que cria sozinho um filho.


Porque uma mulher pode se sentir perdida ao enfrentar seus medos e seu corpo durante a gestação, mas, ao longo dos dias e anos, se transforma numa mãe excepcional. Um progenitor pode, igualmente, encontrar-se no mesmo mar, dentro de um contêiner, enfrentando seus medos e incertezas e, de fato, sentir-se inspirado a futuramente ser um pai exemplar, celebrando neste dia 9 de agosto e experimentando interiormente a gratificação de ser um expert em exercer a paternidade especial.


Lembre-se de que se cobrar demais nunca será uma forma de obter resultados positivos.


Universo do Tio Dudú 


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

LEMBRANÇAS QUE O TEMPO NÃO APAGA


O Dia dos Pais é uma data muito especial, principalmente para quem teve a oportunidade de viver momentos de carinho, cuidado e amor ao lado do pai.


Meu pai é parte do meu mundo. Desde pequena, sempre gostei dos seus carinhos, da sua atenção e da maneira como ele cuidava de mim. Hoje, a vida me permite retribuir um pouco de tudo aquilo que recebi: hoje, eu cuido de quem um dia cuidou de mim.


Guardo na memória as lembranças da minha infância: as brincadeiras, os momentos simples e até as balinhas que meu pai trazia quando voltava da feira. Eram pequenos gestos, mas que, para uma criança, significavam muito.


São doces lembranças de uma convivência que o tempo não conseguiu apagar. O que vivi ao lado do meu pai ficou guardado em minha mente e, principalmente, em meu coração. Gosto de recordar, porque algumas memórias têm o poder de nos levar de volta a momentos que foram verdadeiramente especiais.


Hoje, no Dia dos Pais, celebro não apenas a presença do meu pai na minha vida, mas também tudo aquilo que ele representa na minha história: amor, cuidado, proteção, ensinamentos e lembranças que levarei comigo por toda a vida.


E você? Que lembrança da convivência com seu pai ficou marcada para sempre em seu coração?



AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

PERSISTA


A vida é feita de acertos, tropeços, Quedas e recomeços.


Muitas vezes erramos No intuito de acertar; O que não pode acontecer É você desanimar.


Costure seus sonhos Com os fios da esperança, Tenha foco e persista: Quem acredita sempre alcança.


Não seja soterrado Por quem duvida do seu valor; Faça ouvido de mercador E lembre-se: será vencedor.


As nuvens passarão, O sol brilhará; O sabor da vitória Você conquistará.


Tudo no seu tempo, Deus sabe todas as coisas. Com persistência e determinação, Dias de glória virão.


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

PAIS PERFEITOS NÃO EXISTEM


Quando somos crianças, vemos nossos pais como uma espécie de super-herói: aquele que sabe de tudo, nos protege e nunca erra.


Depois crescemos e percebemos que não é bem assim.


Meu pai não foi um exemplo de pai. Teve muitas falhas, cometeu muitos erros, deixando lembranças que eu gostaria de esquecer e outras que, com o tempo, aprendi a olhar com maior compreensão.


Deixou alguns ensinamentos — nem que fossem do tipo “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço” —, histórias de vida e momentos em que percebi que ele mesmo não sabia o que fazer.


Mas também deixou coisas boas.


Sempre participou de todas as festinhas escolares. Sempre me deu uma festa de aniversário, por mais simples que fosse. Proporcionou passeios incríveis, nos quais não se gastava muito, mas nos divertíamos bastante.


E é aí que entra a parte em que amadurecemos: perceber que uma pessoa pode ter nos machucado e, mesmo assim, ter nos amado. Pode não ter sido o pai que uma criança idealizou, mas fez o que sabia, dentro das possibilidades que tinha.


A vida não nos dá histórias perfeitas. Dá-nos histórias possíveis.


E talvez não seja justo exigir que nossos pais fossem perfeitos, já que eles também estavam aprendendo.


Hoje, olhando para a minha própria família, penso especialmente em meu marido.


Ele perdeu o pai muito cedo, não tendo tempo de ter um exemplo masculino a seguir. Aprendeu a ser pai sendo pai. E acredito que se saiu muito bem.


Ele não tinha manual nem respostas prontas. Foi o convívio diário com os filhos que o tornou um pai incrível.


Um pai que está sempre presente, que aprendeu a ouvir — mesmo nas vezes em que não presta muita atenção — e que entendeu que é preciso deixar os filhos fazerem suas próprias escolhas e levarem seus próprios tombos.


Talvez, baseado naquilo que lhe faltou, tenha decidido dar aos filhos aquilo de que sentiu falta.


Também não é um pai perfeito, já que isso não existe. Mas é o melhor pai que meus filhos poderiam ter.


Neste Dia dos Pais, penso em todas as lembranças que meu pai deixou, boas ou difíceis. Sem idealizar mais nada, apenas escolhendo guardar aquelas que me trazem alegria.


E penso em meu marido com uma admiração ainda maior.


Ele transformou aquilo que não recebeu naquilo que decidiu oferecer.


Não é preciso repetir a nossa história com nossos filhos. Guardamos o que foi bom, compreendemos o que foi difícil e escolhemos fazer diferente onde for necessário.


Os pais não são perfeitos. Mas os melhores deixam a certeza de que, mesmo em meio às imperfeições, o amor esteve ali.


AUTOR Akira Ordine


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

INSTANTE


Não havia mais nada a ser feito

A metástase já consumia suas vísceras

Os medicamentos não funcionavam mais

E seu fim era iminente


Contudo, todos os dias ele abria a janela

Para olhar aquele gigante de pedra

O enjoo constante nunca poderia usurpar

Tamanha alegria


Vez ou outra, ouvia tiros, a rua alagava

Sentia-se fraco, falido, fosco

E pensava na chegada do derradeiro dia


Mas olha, da janela vê-se o Corcovado

O Redentor, que lindo

Aprecia esse instante infindo


AUTOR Gleicy Kelly


Me chamo Gleyce Kelly, tenho 18 anos, sou natural e residente de Caxias, Maranhão. Sou apaixonada por literatura clássica e russa, tendo o romance como meu gênero favorito.


Encontrei na leitura uma fuga para os dias difíceis e, na escrita, uma forma de expressar aquilo que nem sempre consigo dizer. O poema me encontrou em 2022, mas foi apenas alguns anos depois que ele ganhou força em minha vida.


Desde então, a poesia deixou de ser apenas um hobby e tornou-se uma forma de terapia, por meio da qual busco transformar sentimentos, experiências e pensamentos em uma bela arte.

PRIMAZIA


Ela é assim, diferente de muitas, cujas condições lhe trazem uma vida de luxúria; ela:


Não se importa com maquiagem, saltos ou joias, porque sua verdadeira beleza não está em lojas.


Se afunda em um olho vermelho, mas nunca levanta um dedo para se recompor; o silêncio está sempre em seu favor.


Não liga se as roupas são fora de moda ou que as unhas não estejam feitas; para ela, sua primazia já transmite riqueza.


É cheia de valores e princípios que não deixa de seguir seus caminhos; fala de amor mesmo que esteja na dor.









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