REFLEXÕES Nº 201 — 01/03/2026
- Luiz Primati
- 1 de mar.
- 13 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
O PESO DE UM "PARA SEMPRE"
Dizem que o amor se revela na tempestade. Não na fotografia do casamento, não no jantar de aniversário, não nas palavras bonitas ditas quando tudo está bem. O amor verdadeiro aparece — ou desaparece — quando a vida apresenta a conta.
Eu conheço uma mulher que viveu isso. Ela tinha um canal no YouTube, uma vida compartilhada em vídeos, um amor exibido ao mundo como prova de que o bem existe. Parecia daqueles amores que a gente assiste e pensa: se é possível para eles, é possível para mim. Até que um tumor cerebral mudou o roteiro. Para salvar a própria vida, precisou retirar a hipófise. O corpo respondeu como pôde — os hormônios se desregularam, o peso chegou, a silhueta mudou. E, com ela, aos poucos, foi embora também o homem que dizia amá-la.
Existe uma crueldade silenciosa, quase covarde, que se esconde por trás de homens que abandonam mulheres ao primeiro diagnóstico sério. Não é a saída barulhenta de quem briga e vai. É o olhar que esfria, a presença que vai rareando até virar ausência. A doença cerebral, especificamente, carrega um peso duplo: ela não apenas adoece o corpo — ela ameaça a identidade, a memória, a personalidade. E é justamente aí que alguns homens revelam o tamanho real do seu amor.
Que tamanho pequeno.
Ele não reconheceu mais a mulher que estava diante dele. Mas a pergunta que fica é perturbadora: era mesmo outra pessoa? Ou apenas um corpo que mudou, enquanto a alma — aquela que ele escolheu, que ele disse amar — permanecia intacta dentro dele? Somos, afinal, espíritos habitando cascas temporárias. O corpo envelhece, adoece, se transforma — essa é a condição humana, inevitável para todos nós, sem exceção. Mas a essência permanece: as ideias, a forma de rir, o jeito de ver o mundo, a profundidade de quem se é. Quando o vínculo real se forma, é nessa essência que ele se ancora. E foi exatamente essa essência que ele abandonou — não por ela ter mudado, mas porque ele nunca soube de fato amá-la.
Porque amar alguém que está mudando, que está lutando contra a própria mente e o próprio corpo, exige algo que vai muito além do sentimento. Exige escolha diária. Exige ficar quando ficar dói. Exige enxergar a pessoa por trás da doença.
Mas há quem olhe para a mulher que amou e veja apenas o inconveniente. O peso. O que não estava nos planos.
"Ela não é mais a mesma", dizem os covardes — como se amor fosse um contrato vinculado à saúde e à silhueta do outro.
A mesquinhez humana não mora nos grandes vilões. Mora nos que prometeram e fugiram. Nos que disseram para sempre e mediram esse sempre em dias de conveniência. Palavras bonitas, ocas por dentro — levadas ao vento no primeiro momento em que custaria algo ser quem disseram ser.
O que fica, depois da partida de quem devia ficar?
Fica a mulher. Mais forte do que ele jamais foi. Lutando com o cérebro que a trai e sem o braço que prometeu sustentá-la. E ainda assim — ainda assim — ela continua.
Isso também é uma forma de amor. O amor que ela tem por si mesma. O que ele nunca irá abandoná-la.
O que podemos dizer sobre um homem que, com pressa e descaso, abandona a mulher a quem jurou amor eterno?

AUTORA STELLA_GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
FELIZ NOVO MÊS
Há meses que chegam silenciosos, quase tímidos, como quem não quer interromper nada. Outros chegam com força, abrindo portas, mexendo no que estava parado, lembrando que a vida não espera a gente estar pronto. Mas, de um jeito ou de outro, cada novo mês é um convite — não para recomeçar tudo, mas para olhar com mais calma para o que já existe.
A luz da vida continua, a nossa cor preferida também.
Esperamos sorrisos e tudo que puder ser do bem, que nos encontre especialmente no mês que inicia, março pode nos levar para mundos com a humildade e as asas de nossa imaginação.
Vamos refletir sobre nossas vivências, o que foi e o que não foi, nada será igual e isso é fascinante. Uma conversa que evitamos, um cuidado que adiamos, uma coragem que fingimos não ter. O novo mês não resolve nada sozinho, mas ele oferece uma chance discreta de reorganizar o que importa, de respirar fundo e ajustar o passo na magia de renovar-se.
Talvez o mais bonito seja isso: perceber que não precisamos ser versões perfeitas de nós mesmos para seguir. Basta sermos versões presentes. O resto, o tempo ensina, o caminho ajeita, e a vida surpreende.
Desejo para mim, para você, para nós encantos e belezas.
O novo mês somos nós, com sonhos, abraços, vontades.
Tudo é possível, dias melhores sempre estão nos esperando.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
A ESPERANÇA DE UM NOVO COMEÇO
Eles nos enganaram nas eleições, dando falsas esperanças
E, diante dessas falácias, precisamos urgentemente de mudanças
Pois precisamos pensar seriamente no futuro das nossas crianças
Que estão com o seu futuro comprometido por causa dessa maldita herança
Que há anos os nossos eleitos usam para encher a sua pança
E, enquanto isso, nós continuamos amargando essa dança.
E pagando rigorosamente cinco meses do ano só de imposto
Que ano após ano vem nos causando o maior desgosto
E agora, com essa taxação que passou a ser cobrada no mês de agosto
Quem fez o L tem que pagar mesmo a contragosto.
E agora ficou bem claro para o povo brasileiro
Que aqueles que estão no poder fizeram uma grande aliança
Para perseguir, oprimir e realizar a sua doce vingança
Contra aqueles que levantaram o fel da desconfiança
Fazendo parte do povo brasileiro acordar e perder a confiança
E, após isso, foi só cobrança em cima de cobrança
Até que o povo viu naquele homem uma liderança
E acreditou em um novo começo mesmo sem esperança.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, Título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
O QUE AS MARTELADAS NOS ENSINAM
A vida é cheia de marteladas.
Nem sempre estamos prontos para enfrentá-las, nem para lidar com o que está por vir à nossa frente.
Somos seres humanos e temos sensibilidade às dores, principalmente às emocionais. Faz parte do nosso contexto de vida. Há dias mais cinzentos. E são justamente esses dias que nos dividem entre crer ou não crer que algumas possibilidades podem se tornar verdadeiras.
Cada momento que passamos neste mundo terreno nos conduz a diferentes compreensões. Nosso comportamento pode mediá-las ou não.
A forma como recebemos as situações e também como nos descontraímos revela, mais adiante, a nossa verdadeira identidade.
Algumas vezes, ficamos presos demais apenas à herança que recebemos de nossos pais e esquecemos que também podemos plantar algo diferente; que podemos regar e dar continuidade ao plantio de coisas boas, se assim quisermos.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
A ESPERA
A dimensão de um amor é incalculável:
sem descrição, sem nome, sem endereço.
Ninguém.
São dois brilhos iguais,
estrelas de luz.
Se existe algo assim?
Ah, existe, sim.
Um belo dia, quando menos se espera,
ele aparece de surpresa,
porque o amor é assim:
cheio de mistérios.
E, se você encontrou, agradeça.
E, se não, espere —
mas espere feliz,
pois ele pode bater
na porta do seu coração,
sem hora marcada.
Só espere feliz.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
SONHAR
Sonhar com a magia,
Com a doçura de seus lábios,
Com o perfume da vida,
E nesta vida contigo dançar...
Que nossa canção,
Toque todos os dias,
E que eu consiga colocar,
Um sorriso, em você, todas as manhãs.
A vida é assim,
Quando menos esperamos,
Ela nos surpreende...
E as lágrimas que você derrama,
São as mesmas que me chamam,
Para em meus braços te acolher...
E quando você se sentir sozinha,
Serre os olhos e lembre-se,
Eu estou aqui,
Para te fazer sempre sorrir...
E se isto não for o suficiente,
Esteja crente,
Que segurei minha vida,
Esperando por você...
E quando sua alma,
Procurar por atenção,
Encontrará meu coração...
E seus lábios,
Finalmente estarão junto aos meus,
E assim para sempre seremos felizes.

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
TEMPO
Sentada à beira da cama, imóvel diante do nada, percebo que o vazio não é ausência, é presença não compreendida. Há em mim um silêncio que não é de paz, mas de suspensão. Algo dentro de mim morreu. E quando algo morre dentro de nós, não há velório, não há vela, não há fósforo, não há luto público. Há apenas um apagamento íntimo, um blackout daquilo que sustentava o sentido de viver.
A sensação de abandono não vem do outro.
Vem daquilo que deixa de existir em nós.
Dizem que o tempo cura. Eu acho que não cura nada!
Por que o que é curar?
Curar pressupõe restaurar ao estado anterior.
E o tempo jamais restaura, ele altera.
O tempo não recompõe. Ele substitui.
Não apaga a dor, apenas dilui sua intensidade até que ela se torne memória.
Ele age com a paciência das forças invisíveis, desgasta, desloca, redefine.
Transforma a presença em lembrança, a lembrança em ideia, a ideia em quase nada.
Se já não dói como antes, foi cura?
Ou apenas adaptação?
O tempo não elimina a matéria da dor, muda sua composição.
O que antes era ferida aberta torna-se cicatriz.
Mas cicatriz não é pele original, é sinal de que houve ruptura.
Então não, o tempo não cura.
Ele nos ensina a existir apesar de...
E, nesse aprender a continuar, aprendemos a viver de outra forma e chamamos sobrevivência de cura.
Tenho sobrevivido, isso eu tenho certeza!

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
NÃO ADIE A VIDA
Há uma ilusão silenciosa de que sempre haverá um depois.
Depois eu ligo.
Depois eu perdoo.
Depois eu abraço.
Depois eu digo que amo.
Mas o “depois” é um território incerto. Ele não nos pertence.
O que temos de fato é o agora, esse instante delicado que pulsa em nossas mãos como um pássaro vivo.
A vida é bruma que se desfaz ao primeiro sopro. É chama que dança, bela e frágil. E enquanto adiamos gestos simples, o tempo, esse viajante apressado, segue seu curso sem olhar para trás.
Quantos abraços ficaram suspensos no ar?
Quantos beijos foram engolidos pelo orgulho?
Quantas palavras ficaram presas na garganta, esperando um amanhã que talvez nunca venha?
O amor não foi feito para ser arquivado.
O perdão não foi criado para amadurecer na espera.
Os sentimentos não florescem no adiamento.
Se é importante, faça hoje.
Se dói, resolva hoje.
Se ama, diga hoje.
Porque pode ser tarde para recomeçar.
Tarde para se reconciliar.
Tarde até para amar.
O amanhã é promessa, e promessas podem se desfazer como neblina ao sol.
O hoje é realidade, é uma oportunidade.
Abrace apertado enquanto há braços.
Peça perdão enquanto há ouvidos.
Declare amor enquanto há corações batendo ao alcance do seu.
Não deixe que o tempo transforme sentimentos em arrependimentos.
Não adies a vida...
A eternidade começa nos gestos simples de agora, e só o hoje é definitivo.

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
ENTRE O TOQUE DE UM BOTÃO E UM APERTO DE MÃO
A automação chegou para ficar, fazendo com que a presença humana seja cada vez menos necessária em diversas atividades. Com isso, também diminuem os empregos, já que muitas profissões antigas foram extintas ao longo do caminho.
Lembro-me de quando era criança e, ao entrarmos em um elevador, havia sempre uma pessoa sentada em um pequeno banco preso ao painel de controles. Ela perguntava a qual andar íamos e apertava os botões para cada “passageiro” que entrasse. Essa pessoa, chamada ascensorista, podia ou não ser simpática, mas era imponente. Tinha o controle de uma máquina que, aos olhos infantis, parecia grandiosa. Muitas crianças — inclusive eu — sonhavam em ocupar aquele lugar.
Outra profissão que eu invejava era a de caixa de supermercado. Aquelas máquinas enormes, com botões saltando para fora — grandes demais para serem embutidos — despertavam minha admiração. Eu observava fascinada a pessoa que manuseava tamanha engenhoca. Hoje, ao irmos ao supermercado, nos deparamos com pequenos totens nos quais nós mesmos passamos nossas compras e finalizamos o pagamento. O mesmo acontece nos bancos: os caixas humanos deram lugar aos caixas eletrônicos e aplicativos.
Os vendedores ambulantes, que batiam de porta em porta oferecendo enciclopédias, produtos de beleza, itens de limpeza ou até roupas de cama e banho, também praticamente desapareceram. Levavam horas para concluir uma venda, pois a conversa corria solta e, muitas vezes, acabávamos conhecendo metade da vida do vendedor. Hoje, basta entrar em uma tela, escolher a mercadoria e, com um simples toque, comprar o objeto de desejo. Prático, rápido — e cada vez menos humano.
Ser vendedor era uma arte. Alguns dominavam essa habilidade com maestria: eram precisos nos argumentos e convincentes a ponto de nos fazer levar algo que nem sabíamos que “precisávamos”. Havia ali um talento que ia além da técnica — era leitura de pessoas, sensibilidade, improviso.
E assim caminha a humanidade: a máquina ocupando o espaço do homem. É claro que ainda precisamos de pedreiros, entregadores, médicos, enfermeiros e tantas outras profissões que sobrevivem e até se fortalecem com a tecnologia. Mas, às vezes, tenho a impressão de que o próprio ser humano dá um tiro no pé. Ao criar algo que elimina o trabalho humano, acaba, de certa forma, excluindo a si mesmo.
Não sou contra a tecnologia — muito pelo contrário. Acho-a fascinante e, em muitos momentos, emocionante. Quando alguém que amamos está longe, poder conversar olhando em seus olhos, com resposta imediata, é algo extraordinário. Antes, escrevíamos cartas que levavam dias ou semanas para chegar.
A tecnologia é maravilhosa. Mas jamais substituirá o calor humano, a dica sincera sobre o melhor produto, o aperto de mão ao agradecer pelo atendimento e o sorriso verdadeiro no rosto de quem está ali, presente. Porque, no fim das contas, nenhuma máquina consegue reproduzir aquilo que só uma pessoa sabe oferecer: humanidade.





Foi excelente percorrer seus textos, com uma atenta escuta. Parabéns por suas narrativas tão interessantes e necessárias! 😍😊