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REFLEXÕES Nº 119 — 02/06/2024

Máquina de escrever antiga
Imagem criada com a ferramenta de IA Midjourney

 

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em julho de 2024.
 

SOCOS NO ESTÔMAGO


Você já sentiu um soco no estômago? A sensação é avassaladora, um prenúncio de morte iminente. O ar falta, as pernas tremem, a mente vacila. É uma dor que se assemelha a apendicite, concentrada em 30 segundos de puro sofrimento. Clarice Lispector tinha o dom de causar essa sensação com suas palavras. Mas eu, diferente dela, não quero que você sinta esse golpe. Quero apenas compartilhar os inúmeros socos no estômago que levei na vida.


Dizer que a vida é curta e que devemos viver cada instante como se fosse o último é um clichê de quem abandonou as preocupações. Na realidade, a vida não é assim. Se soubéssemos que hoje é nosso último dia, talvez fizesse sentido aproveitar cada segundo. Mas viver dessa forma diariamente teria suas consequências. A vida real não é como o filme "O Dia da Marmota" ou a série "A Boneca Russa", onde o personagem revive o mesmo dia infinitamente, podendo agir sem medo das repercussões. Na vida real, não há reset.


Os socos no estômago da vida são muitos. A primeira vez que senti isso foi com uma dor aguda do lado direito, que se revelou apendicite. A dor persistiu por mais de 12 horas até que os médicos diagnosticaram e operaram. O alívio veio rapidamente após a cirurgia.


Outro golpe devastador foi quando minha mãe foi levada por Deus. Do diagnóstico de câncer ao seu falecimento, passou-se menos de um ano. Ela se foi em 1999, sem ver o novo milênio chegar. A notícia de sua morte chegou em um domingo à noite, deixando-me devastado. Na pressa para chegar ao seu velório, fui parado por um policial e multado, mas isso pouco importava diante da perda. A tristeza foi profunda, e as palavras não ditas, os abraços não dados, assombraram-me por muito tempo.


A vida não parou de me golpear. O primeiro câncer que enfrentei foi um verdadeiro teste de perseverança. O diagnóstico chegou de forma abrupta, e o choque foi imenso. Para poupar minha esposa, que já estava fragilizada por conta de um mioma, operei sem que ela soubesse, contando apenas com a ajuda de minha filha. O pós-operatório foi solitário, mas necessário.


Não conto essas histórias para reclamar, mas para mostrar que sempre me levantei. A vida é cheia de socos no estômago, e é preciso estar preparado para cada um deles. Desistir nunca foi uma opção para mim. Afinal, vale a pena ser apenas uma lembrança? As lágrimas nos velórios secam rápido, e a vida segue. Somos espíritos eternos, e nossa missão é evoluir, não nos prender a este mundo.


Os golpes da vida são duros, mas nos moldam. Persistir é necessário. E assim, sigo em frente, preparado para os próximos socos, pois sei que cada um deles me fortalece e me prepara para o que está por vir.


 

AUTORA SIMONE GONÇALVES


SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
 

O CALOR DE UM ABRAÇO


Abraço é aconchego

Na química entre corpos

Que se entregam a um momento

De ternura e afeto


Abraço é morada

Que se enche de alegria

De alguém que chega

Trazendo luz e paz

Com a alma apaixonada


Abraço revigora

Conforta

Alivia o peso do cansaço

Faz acontecer festa

No sorriso de quem espera

O encontro acontecer


O ato de abraçar tem um sentido especial

Diferente

Que nos aproxima de forma mais intensa

Do calor humano

Do calor do amor


Que tal nos abraçarmos

Mesmo em pensamento?

E fazer dessa experiência

Algo que contagie mais e mais

Nos permitindo abraçar mais

Quem está próximo de nós


 

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA


ZÉLIA OLIVEIRA é natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
 

POR QUÊ?


Tantos gestos de carinho,

Demonstração de cuidado,

Preocupação, amor.

Porém tudo resulta em dor.


Como o outro reage?

Com ignorância, dando patadas,

Com a língua atirando farpas.

Emudeço diante de tanta frieza,

Oceanos de indelicadezas.


É difícil receber tanta ingratidão

Quando você emana bondade, afeto.

Qual é a explicação?

Ah, não sei!

É paradoxal a situação.


Carradas de desafeto despejadas na alma.

O coração esmigalhado,

Dilacerado,

Grita socorro por todos os lados.

Anos a fio de perseverança,

Luta constante...

Exaurido,

Pensa que foi vencido.


Enfim, o coração desperta

Precisa agir.

É necessário postura

Para a vida prosseguir.

Quem sabe a alma

Voltará a sorrir!


 

AUTORA STELLA_GASPAR


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
 

HONESTIDADE, UMA DAS ÉTICAS DO VIVER


A cada instante, criamos uma confiança que se manifesta em tudo que fazemos por nós ou por alguém.


Escrever sobre a ética da honestidade, é uma prova de resistência, atualmente, porque, entendemos que o nosso papel na vida é sermos, a cada instante, o espelho da verdade, pois é preciso e necessário termos respeito pelos nossos semelhantes.


Frequentemente observamos a ausência dessa ética em certas pessoas, que nos julgam, independente de dizer o que sentem, o que não aceitam, em que poderíamos melhorar. Somos coletivos apesar de nossas singularidades, participamos de um grande universo de pessoas que acertam e erram.


A honestidade é silenciosa, benéfica e companheira nos encontros, agradecimentos, solidariedades.


É um ato de amor e maturidade. A humildade é inevitável. Todos progredimos crescendo, e nem sempre percebemos isso, pois a compulsão de querer ser a sombra do outro(a), o orgulho e a competitividade, simplesmente faz de sua própria carência o seu guia.


Honestidade não combina com jogos de interesses, ela é do “bem”, e a sua sustentação está numa aura de pessoas evoluídas e desprendidas.


O ser amadurecido na ética da honestidade, coopera com a liberdade, com o aprimoramento, respeita limites e acredita no seu potencial interno.


Atenção: somos nós mesmos, quem decidimos, sermos sábios, éticos e honestos.


Ser honesto, ser verdade, ser real

Ser credibilidade, derrubando a falsidade

Ser original

Ser a paz interior de alguém

Ser honesto é ser leal

Ser porto seguro.


A cada instante estamos criando impressões

A cada instante defendemos fatos e certezas

A cada instante, um envolvimento

A cada instante uma aceitação

A cada instante uma ocorrência

A cada instante uma possibilidade.


Honestidade com a vida

Honestidade com o que tecemos nas relações pessoais

Honestidade nos nossos amadurecimentos

Honestidade nos limites

Honestidade no bom senso, emoções e sentimentos.


 

AUTORA LUCÉLIA SANTOS


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista e contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escreve poemas e minicontos infantis.
 

DOR SOLITÁRIA


Em um caminhar solitário por entre arvoredos ao entardecer, a tristeza se entrelaça em cada passo, causando um vazio que envolve o coração fortemente, como se uma frente fria devastadora trouxesse consigo um frio estarrecedor.


O aperto no peito amedronta e causa aflição, pois cada suspiro provoca uma dor que tira o ar. Lágrimas caem, desfazendo o nó na garganta, molham o rosto cansado e triste, como uma neblina no fim da tarde. Sente-se como se a vida fosse cessar, pois a angústia sufoca como se não fosse possível respirar, tornando cada segundo de vida doloroso, desesperador e melancólico. Parece inalcançável encontrar um alento para um ser que está despedaçado.


Cada alma sente sua dor sozinha e, por mais que tente, é difícil explicar ao outro que nunca se sentiu assim; é difícil ser compreendida e sentir-se abraçada. O coração corre em busca de uma palavra amiga de consolo ou de um momento de alegria e alívio, para que assim consiga juntar os pedaços que estão ao chão.


 

AUTORA JOANA PEREIRA


O meu nome é JOANA PEREIRA e sou autora no blog "Tem juízo, Joana!". Nasci em Lisboa e segundo as estrelas, sou Leão - ascendente Touro. A minha identidade atravessa cores, ritmos, dança, música e palavras. Gosto de ler e de escrever, acreditando ser na escrita que me torno mais consciente. Numa voz firme e rebelde escrevo entre o certo e o errado, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…
 

POLICROMIA

Ninguém nos pinta de todas as cores. Somos espectros obscuros amarrados, dissimulados e livre nos pensamentos. Somos cor, pálidas, garridas, terra, somos policromia. Espirros de tinta que ficou a secar sobre a velha tela. Salpicos coração de várias dermes que tanto tingem como despigmentam.

Ninguém nos sabe de cor. Somos tantos cheiros, tantas memórias, tanta pele, somos tudo dentro de nada ou vários nadas dentro de tudo. Um tudo, todo, tanto sem fundo, fim, nem porquê.

Novelos de cores emaranhadas, nas sombras dos raios de luz mais fulminantes. Tantas são as sombras, quantas mais fagulhas tem o nosso sentir. Tais são os arco-íris, quanto maiores são as trevas que nos incendeiam.

Somos seres camaleónicos, débeis, aguerridos, putrefatos, sorrisos, cuidado, firmeza e, também dor. Somos os nós, o lixo, a flor, abraços, molhos. Somos olhar e… amor.

Somos cordas bambas, hirtas, gastas, rotas. Somos caducos, férteis, passos, despidos, alvos, mascarados, livres e terror.

Somos um coração com batimentos que não são nossos… mas dos outros.

Tocamos a discrepância nas próprias terras e, sem dar conta, semeamos vários “eu’s” em solo estéril. Envergamos o conjunto, sabendo que não sabemos vestir em separado.

Ninguém nos pinta de todas as cores, porque a abundância tem os tons do infinito mesmo num corpo parco.

Somos…

Somos o mundo e uma casa.


 

AUTORA MIGUELA RABELO


MIGUELA RABELO escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.
 

CHEQUE-MATE


Nesse jogo da vida,

Perder nem sempre

É de fato uma perdição...


Às vezes pode ser a oportunidade

De nos encontrarmos

Neste grande tabuleiro da verdade

E da vida em questão.


Eu que nunca soube jogar

Hoje sou desafiada

A todos os dias

Não desistir

E a encarar dias e até noites,

Insalubres....


Nas quais duvido se ei

De no final chegar...

Do dia ou desta partida

De xadrez que a vida

Que me bota em cheque-mate

A cada emboscada

Que que esta rainha majestosa

Me faz temer

E estremecer...


Eu que nunca soube jogar

Era a última escolhida,

Como quem sobrava

A perecer no banco de reservas...

Assim permanecia a uma chance ter

Naquela partida que em muitos

Corações também fui esquecida...


Declarando de fato,

Não saber jogar com as bolas,

Cartas e ironias que

A vida me arremessava..

Preferindo observar pela janela

A partida de baixo de chuva

Que rolava...


Eu que nunca soube jogar,

Me arriscava a jogar

madrugadas a fio

Com meu conterrâneo uterino

Enfrentando meu medo

Da derrota...


Porém,

Quando esta é marinada

A resiliência das tuas fraquezas

E encorajamento dos teus combates...

A vida parece valer a pena,

Diante a cada derrota

E aprendizado nas curvas

E ladeiras desta escalada...


Por isso, faz falta

Jogar olhando nos olhos,

Despidos de qualquer falsete,

Com as cartas na mesa,

No modo analógico...

Sem receio de perder

Ou se perder...

Nas curvas, sabores

E dissabores desta aventura

Alucinante que é a vida...

Apreciando as minucias

E nuances que nos revelam

Que ela nunca será a perecer

Em vão...

Exceto dos vãos entre olhares

Dos encontros

e desencontros...


 

AUTOR JOSÉ JUCKA SOULZ


JOSÉ JUCA P SOUZA, professor, ator, psicopedagogo, analista de sistema, ambos por formação acadêmica… Desde pequeno imbuído nas artes, com o desenho. Como profissional, agente administrativo no Ministério da Agricultura, técnico em edificações na Companhia Energética de Brasília. Assim segue, vendedor de tudo na infância (“triste realidade”), almoxarife, gerente lojista… Em seguida, veio o teatro, com poucas temporadas, lecionou artes na escola pública do DF, estando até hoje, trabalhando com informática, afastado de sala de aula… Embora escreva desde criança, com textos engavetados… Se reconhece poeta em um concurso para novos poetas, em 2019, classificado e publicado em uma determinada editora. Hoje providencia seu primeiro livro.
 

SONETO A SUPERAÇÃO


Fraco, o pavio de minha alma chora;

Frio, é o olhar que emplaca fleumática cor;

Forte e nublada aplasia, é tudo, mora;

Fica, permanece e vigora o teor.

Subscreve na face, há tatuar o ser;

Sustenta a dor, acolhe, não dissipa;

Salienta e frutifica a não dispuser;

Sôfrego, o breu acolhe e nada extirpa.

Emoções afligem e dissemina;

Esperança não descansa sob baú;

Escolhas estão ante clara retina;

Escritas a mesa de norte a sul.

            Fragmentos da dor ladeada ao léu e ao vento;

            Fomenta resiliência sob pensamento.


 

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