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REFLEXÕES Nº 109 — 24/03/2024

Atualizado: 28 de abr.

Máquina de escrever antiga
Imagem criada com a ferramenta de IA Midjourney

 

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em julho de 2024.

 

SOB O CINTILAR DAS ESTRELAS

Em meio à vastidão celeste, onde o brilho das estrelas tece o manto da noite, mora minha incansável curiosidade. Questiono a essência do ser e do existir, o engenho por trás de cada criação, descoberta e invenção. Quem, senão um ser supremo, poderia arquitetar tamanha magnificência?

A resposta sussurra com a simplicidade do divino: Deus. No entanto, sua presença, dita ubíqua, flutua em abstrações, estando Ele em todas as coisas. "Em todas as coisas" — como pode ser?

Cresci à sombra de um pai ateu, para quem o deus era o dinheiro, partindo sem conhecer a promessa da vida eterna. Pergunto-me se, no limiar de outro mundo, minha mãe o acolheu, suavizando sua surpresa ao descobrir a realidade de Deus.

Deus, sob inúmeros nomes — Jeová, Criador, Senhor, Allah — a essência permanece. Será que você acredita que, além da mão humana, existe um Criador universal? Para mim, esse é Deus.

Como, então, perceber o imperceptível? Como crer na sua benevolência diante das adversidades? A justiça divina parece incognoscível quando contrastamos nossas vidas repletas de disparidades. Enquanto alguns desfrutam do conforto e abundância, outros clamam por migalhas nas encruzilhadas da existência.

Questionamentos sobre a equidade celestial me consumiram, até que o Espiritismo iluminou meu entendimento. Essa fé, mal interpretada por muitos como um reino de sombras, revelou-me a lógica das desigualdades: vivemos em um mundo de Provas e Espiações, cada alma em sua jornada evolutiva.

Essa compreensão renovou minha fé, inspirando-me a vislumbrar um amanhã mais justo. Acredito, agora, num destino onde as provações de hoje moldam a glória do amanhã, e onde a má gestão das dádivas pode resultar em lamentos nos umbrais.

Minha crença no Criador encontrou repouso na contemplação das estrelas. Testemunhas eternas da grandiosidade divina, elas me lembram, a cada olhar ao céu, da existência de um poder supremo. Mesmo ocultas pelas nuvens, sei que permanecem vigilantes, guiando-me até o dia em que me encontrarei com o artífice de sua beleza.


 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

JANELAS ABERTAS

Esta semana passei por uma rua que não é habitual e vi que uma das casas (térrea por sinal) estava com todas as janelas abertas.

E quando digo abertas, quero dizer escancaradas, sem grades ou qualquer outra proteção.

Pensei na confiança que os moradores desta casa têm, em não colocarem grades de proteção em suas janelas e achei isso fantástico.

Infelizmente hoje em dia as lindas janelas foram cobertas por telas ou grades, com medo de que alguém entre sem ser visto, que nos roubem a casa ou façam mal a algum morador.

Vivemos incertezas que nos tiram a liberdade.

Num passado não tão distante assim, vivíamos de janelas e portas abertas.

Me lembro de morar em uma casa cujo portão não tinha mais de um metro de altura e servia apenas para decoração da entrada, já que nunca houve uma chave que o trancasse.

Hoje em dia os tipos de trancas para nossas portas são em número muito maior do que podemos imaginar.

Se passarmos a pesquisá-las, poderemos perder um dia inteiro (ou mais) até que se encontre o modelo ideal para nossas portas.

Saudades de quando não era necessário termos este gasto extra. Saudades de quando as portas e janelas serviam apenas para embelezar nossos lares.

A proteção se faz necessária.

Afinal, hoje vivemos muito mais com medo do que com janelas abertas.

 

AUTORA STELLA_GASPAR


Natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

 

OLHAR E PERCEBER...

Percebo que as experiências de vida são úteis e reflexivas. A vida a cada dia, momento, segundo e hora é um grande encontro. Um encontro, de nós mesmos, em vários ângulos, com significados e verdades. Cada um, com o seu jeito de ser, cada um uno e, ao mesmo tempo, plural. Olhar e perceber, que não conquistamos tudo e nem todos, sofremos por antecipação e expectativas, nos sentimos partes e nem sempre um todo sistêmico com nossas emoções e razões. Assim, desejo que possamos apreciar o mundo, o olhando com amorosidades e apreços. Somos unidos por uma força mais profunda do mundo, “a força do amor.”

Tenho a felicidade em conhecer pessoas, que me fazem feliz, que têm histórias como eu, que sabem ouvir, olhar e confortar, nas fazes de tristezas e angústias. É tão especial a relação com quem tem sensibilidade, sinto-me privilegiada, por ter perto de mim, quem sabe olhar e perceber, que tem momentos, em que eu preciso de conforto psicológico e emocional, verbalizando para mim, riquíssimas palavras extremamente importantes e humanas, acima de tudo.


A vida, um universo de singularidades,

encontros e desencontros,

surpreendentes e inesperados.

Temos a sorte de viver e superar as adversidades, com a resiliência que nos tira das incertezas e nos leva para caminharmos em frente, acompanhada por um céu.

A realidade, o encanto, nascem das nossas percepções, e das escutas de nossos olhares. Uma doce e profunda existência, eis o meu desejo!



 

AUTORA SIMONE GONÇALVES


SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

 

E A VIDA COMEÇA

E a vida começa

Logo pelas seis da manhã

Uma agitação que desperta a todos

Pois a obra precisa continuar...

Uma casa de carnes está prestes a ser inaugurada

E o tempo é crucial para tudo dar certo na inauguração que não pode atrasar

Na pequena fábrica de cadeiras, que fica ao lado da futura casa de carnes

Começa o trabalho às sete da manhã

Mas tem dias que começa às seis e meia

Outros às oito

Pois tem muito trabalho por lá

Os clientes já estão à espera da encomenda

E o dia voa...

Mas também tem a garagem dos ônibus da cidade, na mesma avenida

E o trabalho começa por volta das quatro e quinze da madrugada

Logo ouço os passarinhos anunciando o novo dia e tudo se refazendo, se recompondo

A cama parece ter imã, mas preciso me levantar...

Ah... Então

Tudo isso que conto aqui acontece realmente aqui onde moro

A casa de carnes vai funcionar abaixo do meu apartamento

A oficina das cadeiras me permite ver da minha área de serviço, os funcionários criando coisas maravilhosas

Os ônibus passam o dia todo aqui em frente

Tudo aqui à minha vista

E tem também a autoescola

Ah! Eu adoro ver o pessoal saindo e chegando das aulas

Observo os que já sabem dirigir e os que nem imaginam como proceder na direção

Agora, você também que está lendo tudo isso e que chegou até aqui, deve estar se perguntando: qual o propósito de falar sobre isso?

Pois, eu vos digo: Pode até parecer algo sem sentido

Mas que vale muito para refletirmos

Como tudo parece igual, todos os dias

Mas no fundo não é e nós não sabemos como tirar alguma lição do cotidiano

É preciso parar um instante e observarmos

Como as pessoas estão no automático

Até mesmo numa caminhada, que também digo que aqui onde moro é um lugar propício para essa prática, que as pessoas parecem saírem de casa de forma robótica

E o problema está aí e cada vez mais vai piorando...

Será que um dia tudo voltará ao normal?


 

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1 comentário


Stella Gaspar
Stella Gaspar
24 de mar.

Abundâncias de palavras e reflexões. Lindas, e penetram no âmago de nossas almas. Feliz domingo querido e queridas! 😍🕊️

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