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REFLEXÕES Nº 106 — 03/03/2024

Atualizado: 28 de abr.

Máquina de escrever antiga
Imagem criada com a ferramenta de IA Midjourney

 

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março estará lançando seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso".

 

A JORNADA DO ESCRITOR

Você já se viu diante do desafio de encarar uma página em branco, aguardando que as palavras fluam? Sim, estou me dirigindo a você, aspirante a escritor. Antes da revolução digital, a escrita se revelava na interação simples entre caneta, papel e lápis.

Para nós, que estamos nos primeiros passos da arte da escrita, nem sempre somos agraciados com um fluxo constante de ideias. Há dias em que as palavras brotam com tamanha intensidade que mal conseguimos acompanhar, deixando-nos com frases incompletas e ideias atropeladas.

Por outro lado, enfrentamos momentos de escassa inspiração, quando nos perdemos em pensamentos, com a caneta em mãos, sob o escrutínio de uma folha em branco. Confesso que, no início da minha aventura literária, antes mesmo de considerar seriamente essa carreira, me deparei com essa tempestade. Era um período de exploração, uma tentativa de canalizar minhas ideias.

Lembro-me bem da luta para começar uma simples frase, cercado por um oceano de pensamentos negativos que questionavam a viabilidade da minha aspiração literária.

Essa oscilação emocional tornou-se parte da minha rotina. Os dias passavam sem surgir uma ideia notável. O tema estava lá, mas como lhe dar forma? A frustração era uma presença constante, e a dor, insuportável. Cheguei a passar meses sem escrever uma única palavra.

Entretanto, o tempo, esse grande curador, ensinou-me que para realmente me estabelecer como escritor, eu precisava tratar essa paixão com a seriedade de uma profissão verdadeira. E qual seria o primeiro passo? A resposta estava clara: mergulhar no estudo da escrita.

Comprometi-me a uma leitura voraz, devorando livros de todos os gêneros e autores, o que me permitiu explorar diferentes estilos literários e, eventualmente, encontrar o meu próprio. Recordo as tardes de verão no quintal de minha mãe, absorvido em histórias que me transportavam para realidades distantes, tesouros da minha juventude. Essa prática tornou-se um hábito desde meus 18 anos, mas ainda assim, a escrita me eludia. Faltava um ingrediente.

Esse ingrediente era a disciplina. Para consolidar minha identidade como escritor, era fundamental estabelecer uma rotina diária de escrita, comprometendo-me com uma meta de palavras. Inicialmente, 500 palavras por dia pareciam um desafio insuperável. Mas foi aí que tudo mudou.

Em 2018, decidi assumir de vez a carreira de escritor. Desde então, nada me deteve. Com disciplina, estabeleci o hábito de escrever diariamente, iniciando com um blog semanal para publicar meus contos. O compromisso com meus leitores tornou-se um motor, impulsionando-me a manter uma rotina consistente. As 500 palavras, antes um obstáculo, agora são facilmente superadas. Isso demonstra a importância da perseverança na realização de nossos sonhos.

Desde então, publiquei mais de 10 livros e mantenho o compromisso diário com a escrita. O caminho não foi fácil; enfrentei desafios sem apoio, sem um mentor. Minha motivação vinha da fé e de um desejo ardente de me tornar um escritor.

Quanto ao bloqueio criativo, para mim, ele deixou de existir. Se você se dedicou à leitura, encontrou seu estilo e cultivou a disciplina, o bloqueio criativo não encontra espaço. Se ainda enfrentar essa barreira, talvez tenha negligenciado alguma etapa essencial. E nunca esqueça: acreditar em sua capacidade de escrever é crucial.

Hoje, meu desafio não é mais encontrar palavras, mas decidir quando parar. E há mais na jornada de um escritor do que apenas escrever, ler e disciplinar-se. É necessário estar atento aos obstáculos externos, como a procrastinação e as distrações.

Ao abraçar a profissão de escritor, você deve renunciar a certos hábitos. Afaste-se do celular, das redes sociais e de qualquer coisa que o distraia. Crie seu espaço de escrita, um refúgio livre de interrupções. Essa é a chave para não apenas começar, mas para concluir sua obra.

Para aqueles em busca de mais conhecimento, recomendo duas leituras essenciais: "Sobre a Escrita", de Stephen King, e "A Guerra da Arte", de Steven Pressfield. Estas obras oferecem insights valiosos para qualquer escritor.

Espero que minha história inspire você a seguir seu próprio caminho na arte da escrita, superando os desafios e celebrando cada conquista.



 

AUTORA SIMONE GONÇALVES


SIMONE GONÇALVES, poetisa / escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

 

GATOS

Manhã de quarta-feira.

Costumo sempre reservar um momento das manhãs para curtir algo que me encanta e ensina à cada dia: um momento com meus gatos. Sim, meus três amigos de quatro patas e que me surpreendem o tempo todo.

Eles têm um dom diferenciado dos humanos e isso vem me acompanhando pela vida. Ensinam o amor de várias maneiras e de formas diferentes todos os dias. A paciência é algo que nos envolve sem medidas, porque ter que aspirar, tirar pelos daqui e de lá, limpeza higiênica algumas vezes do dia... ufa!, não é fácil não. Mas... porém, e toda via, nada se compara à troca de afetividade que recebemos dessas criaturas e não os vejo como interesseiros não. São sinceros, carinhosos, mas no tempo deles. Também não aceitam que deixemos nossos "cheiros" neles, imagina. Logo tomam seus banhos de língua para tudo voltar ao normal. Ah… tem uma coisa nesse ritual, é permitido apenas os seus cheiros em nós para identificarem que pertencemos à casa deles. É isso mesmo, a casa passa a ser deles e tudo vai se moldando conforme eles vão tomando conta. Sim, estragam móveis como sofá, para afiarem as unhas (arranhadores nem sempre funcionam) escalam cortinas, móveis altos e assim por diante... dormem mais de dezoito horas por dia(para a madrugada ser o momento das festas gatais) e ser o motivo da minha filha não aceitar: _ Como pode Isso, dormir tanto! Troco conversas com eles e sim… nos entendemos. Só não sei porque eu e tantos outros gateiros têm que fazer voz de neném com eles...haha

São extremamente inteligentes, astutos, mas, no fundo, são apenas criaturas abençoadas por Deus para trazer às nossas vidas algo que não encontramos de outra forma: o amor mais sincero que podemos conhecer.

E tem outra coisinha: os pelos nas roupas... Ah!!

São apenas purpurinas de alegria que se espalham por todos os cantos e carregamos no corpo para mostrar que eles, os gatos, são criaturas mágicas...

 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

NEM TUDO O QUE PENSO PODE SER ESCRITO

NEM TUDO O QUE ESCREVO É O QUE PENSO

Engraçado o que acontece quando passamos a escrever matérias, contos, crônicas, seja o que for.

As pessoas pensam que tudo o que escrevemos é exatamente o que pensamos. Não necessariamente.

Posso escrever sobre um ocorrido que não foi comigo ou um pensamento que não seja meu.

O escritor escreve sobre ideias suas ou alheias. Histórias vividas por outras pessoas, que merecem ser contadas.

Não somos plagiadores. Somos mensageiros de histórias e notícias.

Muitas vezes colocaremos nossos sentimentos em nossas palavras. Outras vezes colocaremos nossas palavras com outros sentimentos.

O escritor para um livro está assim como um ator para um palco.

Damos vida aos personagens sempre colocando um pouco de nós mesmos.

Posso escrever sobre coisas que não penso, mas infelizmente não posso escrever sobre tudo o que penso, principalmente nos dias atuais.

Em poucos minutos nos tornamos racistas, hipócritas, inimigos públicos... dependendo da palavra utilizada (ou mal utilizada) pronto! Perdemos rapidamente a credibilidade perante nossos leitores ou ouvintes.

As pessoas estão tão preocupadas e discordarem que não prestam atenção ao que é dito, e até se provar que focinho de porco não é tomada (será que posso dizer assim?) o mal já estará feito.

Somos feitos de dúvidas e quando algo não me agrada, prefiro fazer cara de paisagem e deixar que o outro imagine o que estou querendo dizer.

Afinal nem tudo o que penso pode ser escrito, então prefiro ficar apenas no pensamento...


 

AUTORA MARINALVA ALMADA


MARINALVA ALMADA é diplomada em Letras Português/Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA, encontrou no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. É professora nas redes públicas municipal e estadual. Tem como missão transformar vidas através da educação e da leitura literária. Deleita-se com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem sua personalidade multifacetada. Escreve regularmente no Recanto das Letras, participa com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023 realizou o sonho de publicar pela Valleti Books, o livro Versificando a vida, juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

 

AGENDA


Na corrida da vida, temos uma agenda sempre cheia e às vezes, não paramos para respirar.

Vivemos ofegantes porque não nos damos conta de que é preciso respirar adequadamente para continuarmos a caminhada.

A vida pede passagem, o tempo é curto.

A ansiedade toma conta do nosso ser.

O tempo está fechado para nós. Ficamos muitas vezes num beco sem saída de nós mesmos. Estamos nos sentindo sós com um nó na garganta. Não conseguimos nem pedir socorro.

O que está acontecendo conosco?

Ficamos mudos com o nosso silêncio interior, mas tudo pode ser diferente. Tudo nesta vida tem jeito.

Fale!

Busque ajuda!

Peça socorro!

Não fique sozinho nessa situação de solidão.

Desprenda-se de todas as amarras do medo, da angústia, da desolação.

 

AUTORA STELLA_GASPAR


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

 

SÓ GRATIDÃO

Último dia do mês de fevereiro/2024, encontro-me inspirada para escrever esse texto. Nada melhor do que aproveitar para agradecer, com a palavra gratidão, tudo que fez parte da nossa chama viva de viver. A palavra gratidão é derivada do latim “gratus”, que pode ser traduzida como agradecido, ou “gratia”, que tem o mesmo sentido das palavras “graça”, “bênção e dádiva”. Sendo assim, “gratidão” significa o reconhecimento das coisas boas que existem na vida.

O que pode ser bom? A beleza humana, a chuva de uma noite de verão, o calor que sua a pele, uma volúpia doce, dando sentidos aos nossos prazeres e sensações...

O que pode ser ruim? As faltas dos abraços, as fugazes ternuras, a guerra, a falta de amor...

A vida é surpreendente cultivada por metáforas e verdades, tristezas e incredulidades, alegrias e propulsão, nos levando ao encontro do amor. Ela não nos deixa com vazios, nossas bocas sentem fomes e sedes, buscamos felicidades e energias, no dia a dia, com agradecimentos por vivermos com sonhos, medos, da violência, da morte e da doença.

Ser grata(o), por tantas horas silenciosas ou ritmadas por nossos corações orquestrados e fortificados, tem um vigor virginal, nos faz sentir gratidões nascidas nos nossos costumes de buscarmos a felicidade, sem lamentos. Sei que nada é tão paradisíaco, mas podemos, nos imaginar no paraíso das acolhidas, pertinho de uma paz tão apetecida.

A gratidão é mansa, quando percebemos que um mês se vai e outro chega com celestes estações que vão se aproximando. No inverno adormecemos com neves imaginárias, nas refeições agradecemos aos desejados alimentos, o gosto das belas palavras nos deixa derretidos e românticos, as gratidões aparecem por termos jardins em florações, gratidão pelos laços fraternos antigos, novos ou renovados.

A gratidão é plena de humildade, naquilo que nos traz agradecimentos, sem hora de agradecer ou planejamentos. Caminhamos, levando nossos pensamentos, nossos versos que sempre nos movimentam.

Gratidão pelas esperanças de um mês, gratidão por tantos olhares tecidos por mim, em meu corpo interior, em meu rosto, em minha voz, em minhas entregas, revendo meus mundos secretos. Os afagos, o sentir, as ânsias e vontades e minhas dúvidas, tudo me motivam a ser grata, só gratidão.

Para o mês que se foi… gratidão.

Para o mês que começa… gratidão!


 

AUTORA BETÂNIA PEREIRA


BETÂNIA PEREIRA, historiadora / enfermeira, colunista na Revista The Bard. Participou de várias antologias poéticas. Escreve desde que aprendeu a escrever. Escreve poesias, prosas, textos de autoajuda, reflexões. Escreve sobre todas as pessoas que rondam as vidas que viveu e as que ainda viverá.

 

SEMPRE SOBRE INICIATIVAS

Quando tomamos consciência de que nada é eterno, percebemos o quão é importante viver bem: refiro-me a fazer o que realmente te faz feliz, não porque o outro quer, pediu, necessita. Porque alguém ditou regras de bem viver, baseado em suas próprias vivências. Receitas prontas não nos servem, precisamos dar o nosso próprio toque para ficar na medida exata. Só então passamos a avaliar nossas limitações e dilatamos as nossas potencialidades. Descobrimos nossas capacidades e até onde podemos ir e como podemos, que figurino nos cabe e de que forma usá-lo.

Iniciar ou continuar, é sempre sobre iniciativas, se continuo considerando que não sou capaz, não serei mesmo. Para dar passos, temos que acreditar. A decisão de colocar os dois pés é sempre nossa, o insight pertence a nós individualmente.

Iniciar etapas, independente de marcos temporais, é levantar-se e andar, tirar as vestes, contemplar a nudez e buscar aquela roupagem que se adéqua a teu ser agora e que te fará bem para os próximos momentos. Impressionante como passam anos e saem anos e as pessoas ainda acreditam em “achismos” de frases feitas.

Vamos nos permitir. Vamos acreditar em nós, os melhores encontros são aqueles que acontecem quando estão seguros de quem somos e do que queremos. O melhor encontro nessa estrada é aquele que acontece entre você e seu eu, algo de extrema necessidade. Hoje é fundamental o autoconhecimento para adquirir autoamor, autoconfiança, autoestima e tomar decisões coerentes.

Os melhores encontros acontecem quando o sol entra e se faz lua em nós.

Vamos?


 

AUTORA LUCÉLIA SANTOS


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista e contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escreve poemas e minicontos infantis.

 

A FORÇA TRANSFORMADORA DA EMPATIA

Antes de formular um julgamento diante do sofrimento alheio, é essencial pausar e refletir. O que pode parecer trivial para alguns, pode representar uma montanha de desafios para outros. A singularidade do ser humano reside na sua capacidade de experienciar o mundo de maneira única, carregando consigo um conjunto de traumas e dores que são só seus. A empatia não é uma habilidade inata, mas sim uma virtude que cultivamos ao longo da vida, à medida que aprendemos a amar e respeitar os outros sem nos colocarmos em posição de superioridade.

Empatizar é mais do que simplesmente entender a dor do outro; é sentir essa dor como se fosse sua, buscando oferecer ajuda ou consolo de maneira genuína e compassiva. A verdadeira empatia se manifesta em atos de disponibilidade desinteressada para auxiliar, mesmo na ausência de um pedido explícito. Quando a empatia flui, cada abraço se torna mais acolhedor, cada palavra de consolo carrega um peso emocional verdadeiro, e o olhar compartilhado revela uma sinceridade profunda. É assim que, ao compartilharmos a dor do outro, conseguimos aliviar o seu fardo, transformando a empatia em uma poderosa força de apoio e cura.

 

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