top of page

REFLEXÕES Nº 101 — 28/01/2024

Máquina de escrever antiga
Imagem criada com a ferramenta de IA Midjournei

 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

HOJE HÁ TEMPO DEMAIS

Comecei a trabalhar aos quatorze anos. Entrava às 7h15 no serviço, o que me fazia acordar às 6h, já que havia uma subida enorme e eu ia a pé.

Tinha uma hora de almoço e no local não havia refeitório, fazendo com que os funcionários fossem almoçar em casa ou comessem nas lanchonetes da região (o que não era uma opção para mim, já que o salário era todo entregue aos meus pais).

Corria, então, para minha casa almoçar e, nesse tempo, aproveitava para deixar o material escolar pronto, já que estudava à noite.

Saía para almoço às 11h30 e deveria estar de volta às 12h30. Em uma hora, descia até em casa, almoçava, arrumava o material e subia novamente ao serviço.

À tarde saía às 17h30 e corria para casa, tendo a escolha de tomar um banho ou jantar para ir à escola, já que os dois consumiriam um tempo que não tinha.

Entrava às 19h10 em aula e sairia às 22h50.

Muitas vezes ia a pé, já que os horários dos ônibus não combinavam com os meus.

Na saída, corria para não perder o ônibus com horário bom, para que não tivesse que ficar sozinha no ponto aguardando 40 minutos pelo próximo.

Chegando em casa, iria tomar banho ou comer, dependendo do que havia feito antes de ir.

Dois dias por semana, saía direto do serviço para ensaio do coral ao qual fazia parte, indo após o ensaio direto para a escola.

Aos sábados, cursava teatro em São Paulo, tendo que sair cedo de casa, já que morava em Jundiaí, retornando próximo das 18h.

Aos sábados à noite, participava de apresentações teatrais do grupo amador do qual fazia parte, cujos ensaios aconteciam aos domingos.

Além disso, arranjava tempo para sair com os amigos e família, e também para ajudar no serviço de casa aos finais de semana.

Era perfeita? Não, apenas ocupava meu corpo e minha mente.

Hoje, com serviços online e até mesmo cinema em casa, os jovens tendem a ter tempo demais para pensar no que não deveriam.

Criam frustrações e traumas que não tínhamos tempo de ter ou ao menos de enxergá-los. E isso não nos fazia mal.

Era o que nos fortalecia. Nos tornamos adultos fortes, mas criamos jovens frágeis. Não permitimos que nossos filhos passem pelo que passamos, sem perceber que tudo aquilo foi bom para nosso crescimento.

Hoje há muito tempo para que a mente seja povoada por pensamentos perturbadores, enquanto a minha geração não teve tempo para se tornar infeliz.


 

AUTORA ALESSANDRA VALLE

IG: @alessandravalle_escritora


Alessandra Valle é escritora para infância e teve seu primeiro livro publicado em 2021 - A MENINA BEL E O GATO GRATO - o qual teve mais de 200 downloads e 400 livros físicos distribuídos pelo Brasil. Com foco no autoconhecimento, a escritora busca em suas histórias a identificação dos personagens com os leitores e os leva a refletir sobre suas condutas visando o despertar de virtudes na consciência.

 

DOSE DE PACIÊNCIA

No trânsito, se você não sai com o carro no tempo que o outro espera que saia, buzina.

No trabalho, o colega fala pausadamente e te conta a vida inteira de modo prolixo. A você, cabe ouvir, pacientemente, mesmo estando cheio de tarefas a cumprir.

Ao filho desobediente que chama atenção com estripulias, cabe ser amoroso e manter uma comunicação não violenta.

À pessoa que fura a fila no mercado, ao vizinho que deixa bicicleta na porta de casa, impedindo sua passagem, ao governo que cobra valor alto pelo IPVA mesmo havendo falta de manutenção das ruas, cabe um sorriso falso, enquanto se olha com reprovação.

Mas vamos ter paciência, meu povo. Não precisamos nos preocupar com tudo isso. Já é carnaval no Rio de Janeiro e as facções criminosas não estão em guerra, ceifando vidas, desaparecendo com pessoas ou oprimindo comunidades inteiras.

Vamos sair e tomar uma dose de paciência, hoje?


 

AUTORA MIGUELA RABELO


Miguela Rabelo escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia/MG.

 

INCERTEZAS EMBRIAGADAS


E quando mesmo passados anos,

Ainda percebo sentimentos

Ambíguos perduram a permear

Seu âmago e pertubar

O que outrora parecia

Certo...

Porém, que agora

Se mostra incerto...

E o que de fato é o certo

Nesta torre de Babel

Onde cada um carrega

Suas certezas plenas?

Caminho com os pés

Vacilantes na linha do trem,

Pois já me julguei sabia

Perante a eu de ontem...

Porém, quando o destempero

Das emoções estão

A flor da pele...

Onde cabe racional(idade)

Para dizer o que é certo

Ou incerto

Diante a colisão

De sentimentos Revirados

E embriagados de afetos

Que palpitam na alma

E na carne

Em combustão?


 

AUTORA STELLA_GASPAR


Natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

 

COISAS DO COTIDIANO

Há pedras, perdas, pérolas, preços, perdões, povo, prazeres, poderes.

Há vida, sabores, vontades e poemas de amor.

Coisas do cotidiano, planos silenciosos e escondidos, embalados a vácuo, em que as bactérias do pessimismo não prosperam.  

Todos os dias, no cotidiano, encontramos coisas belas, saudáveis e verdadeiras. Podemos nas coisas naturais cantar ou escutar músicas, com composições inspiradoras, dinamizando nossos afazeres.

Há saudades também, que mexem com as articulações do nosso corpo, que doloridos, sentem apertos sentindo falta da voz que não escutamos. Mas, nossos pensamentos correm, levados pelos ventos que tem a sorte de abraçar as flores. Nossos braços viram laços e soltos seguem, rumo ao encontro do fio mestre de nosso amor.

Há, como é bom adoçar a nossa humana arte de viver, pois com esse mel, podemos amar intensamente, um amor que tem o frio da Suíça e o calor da Bahia.

Há, se pudéssemos dar voltas ao tempo e retornarmos aos instantes, poderíamos sentir aquele aconchego do amor no nosso útero, que abraçado ao tempo deixavam esvair todas as mágoas, fertilizando calmarias entre dois amantes.

Seria tão bom seguir em frente, abandonando tudo, começando no instante, a nossa nudez não seria a mesma. Sentimos tanta falta de quem amamos, suas ausências são como “abalos sísmicos” que correspondem a terremotos ou tremores de terra, é um fenômeno natural que faz com que a superfície terrestre trema, como a nossa culpa por sentir tantas coisas ligadas a pessoa que amamos.

Será que você sempre está rodeado de felicidades?

Tua vida é uma feliz Paz?

Esse texto reflexivo, será um poema?


 

AUTORA ROBERTA PEREIRA


Roberta M F Pereira nasceu em 1986 e cresceu na cidade de Brumado, interior da Bahia. É Historiadora, Tradutora, Intérprete de Libras, Professora e Poetisa. Desde bem jovem já demonstrava seu amor e dedicação a escrita, especialmente poesias. Tem suas poesias publicadas em diversas coletâneas e no site Recanto das Letras com o pseudônimo, Betina. É autora do livro “Verdades de um Coração Ferido”.

 

O QUE NÃO DIZER PARA UMA PESSOA QUE TEM DEPRESSÃO


É comum a gente querer ajudar as pessoas ou tentar ser positivo em tudo, mas se queremos ajudar alguém com depressão, precisamos, pelo menos, entender o transtorno, senão, ao invés de ajudar, estaremos piorando a situação de uma pessoa que já está doente.

 

Primeiro, precisamos entender que depressão é um transtorno mental que causa prejuízos sérios na vida pessoal, social, no trabalho, faculdade, ou qualquer outro ambiente em que esta pessoa esteja inserida. Segundo: quem tem depressão é tão doente quanto alguém que tem diabete, problemas cardíacos ou câncer, e assim como essas pessoas precisam de tratamento médico, quem tem depressão também precisa.

Sabendo disso, precisamos tomar cuidado para não julgar, ou ser preconceituosos com as pessoas que têm depressão, e por isso, vale a reflexão para sabermos o que não dizer para essas pessoas. Nunca diga para uma pessoa que tem depressão:

 

  1. Isso é falta de Deus,

  2. Isso é preguiça, é falta do que fazer;

  3. Se estivesse trabalhando não teria nada disso;

  4. Que pessoa melindrosa, chora com tudo;

  5. Ele só está tentando chamar a atenção;

  6. Tem tudo na vida e fica reclamando de barriga cheia, tem tanta gente que está pior no mundo…

 

Também evite frases ou palavras que somente você acha que vai ajudar, como:

 

  1. Pense positivo!

  2. Ah, você tem tudo e está aí reclamando?

  3. Vai para igreja que você ficará bom, isso é falta de Deus!

  4. Fulana tem depressão e ela consegue fazer tudo, não sei porque você está assim…

  5. Você é tão bonita, como pode ter depressão?

  6. Que nada, você é jovem, não tem motivo para ter depressão…

 

Sei que o nosso desejo de falar e tentar ajudar é grande, mas nada do que você disser fará sentido, se for carregado de preconceito ou falta de conhecimento sobre o assunto.

 

Então, vou te dar algumas dicas do que falar ou fazer:

  1. Posso te ajudar de alguma forma? Se precisar, estou aqui.

  2. Posso te dar um abraço?

  3. Pode chorar, se precisar de alguém para conversar ou desabafar, estou do seu lado.

  4. Pode me ligar ou mandar mensagem quando precisar conversar;

  5. Entendo que sua dor é difícil de suportar, então, se você concordar, poderia buscar a ajuda de algum profissional, não passe por isso sozinha.

  6. Se precisar de alguém para ir ao médico com você, pode me chamar.

Essa reflexão é apenas para mostrar como um simples gesto ou apenas estar ao lado de alguém com depressão pode ajudar mais do que você tentar dar uma lição de moral do porquê a vida bela…


Eu não sou psicóloga, mas sou alguém que tem depressão e já passou por muitas situações de preconceito que só me fizeram pensar em desistir ainda mais, o processo de melhora e até remissão dos sintomas da depressão é longo e além de psicoterapia e/ou medicamentos, a pessoa precisa de uma boa rede de apoio.

 

Seja a rede de apoio de alguém com depressão! Sem essa rede de apoio, a pessoa estará lutando sozinha contra uma tão grave que pode ceifar a sua vida, assim como o câncer.


 

AUTORA RIZZON RAMOS


Rizonete Ramos, natural de Penedo Alagoas, reside atualmente na cidade de Itaguaí no Estado do Rio de Janeiro, é escritora em verso e prosa, autora do livro “Rosas no Varal” com lançamento em 2021, pela Dowslley Editora. Coautora da Antologia 21 anos de Um Brinde à Poesia, e Foco na Poesia 2, pela mesma Editora. Assina seus versos como Rizzon Ramos, é apaixonada por fotografias da natureza.

 

PARA QUE O AMANHÃ CONTINUE EXISTINDO

Por que o amor não vive no presente?

Seria bem mais fácil a convivência, as trocas de experiências...

Mas não, projetamos o amor para o futuro, só assim as suas falhas ficam em obscuridade, e lidamos com ele nas fantasias de um presente não existente.

E com o passar do tempo, nos apegamos às lembranças daquilo que não foi vivido, e imaginamos como poderia ter sido.

Hoje, eu repito tudo o que fiz ontem, para que o amanhã possa continuar existindo.


 

37 visualizações2 comentários

Posts recentes

Ver tudo

2 comentários


Luiz Primati
Luiz Primati
28 de jan.

Leitura predileta das manhãs de domingo, enquanto tomo meu café! 😊

Curtir

Stella Gaspar
Stella Gaspar
28 de jan.

Amo todos, adoro estar com vocês!!! 😘

Curtir
bottom of page