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BECO DOS POETAS Nº 153 — 06/08/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2026.

A BATERIA DO CARRO QUE DESCARREGA DE TANTO FICAR PARADO


Descarregar a bateria do carro é uma façanha que já executei algumas vezes. O pior é que descobri isso quando mais precisava. A última vez que lembro disso ter acontecido foi na pandemia. Ficamos isolados no apartamento, eu e Mônica. Sem visita dos filhos e netos. Medo de contaminar a gente, os mais velhos, e a gente partir antes da hora. Foi uma fase difícil.


O carro ficava meses parado no subsolo -1 da Cardoso de Almeida, e, adivinhem? Isso mesmo, não dava partida. Nas primeiras vezes, chamei o seguro, que mandava um funcionário com uma bateria, ligava a bateria dele na minha, eu dava a partida e deixava carregando. Após algumas vezes, resolvi comprar um carregador portátil no Mercado Livre e não acionei mais o seguro.


Fiquei refletindo sobre esse momento e concluí que, quando abandonamos as coisas, elas morrem. Ocorreu isso com minha bike, que murchou os pneus e travou a corrente por falta de óleo. Ocorre isso quando ficamos muito tempo sem abrir uma janela e ela emperra. Mas as coisas se recuperam. Colocamos óleo, enchemos o pneu, damos carga na bateria. Mas e as pessoas?


Tinha um amigo que virou alcoólatra, perdeu a esposa, foi proibido de ver os filhos, o emprego se foi e ele virou andarilho. Esquecido, acabou sucumbindo ao frio de uma noite de julho. Eu poderia ter evitado seu fim trágico? Talvez...


E os velhinhos? Sem visita dos filhos e netos, definham até o coração parar. Acabam virando um incômodo para os jovens, que não têm mais tempo para uma visita "chata".


Tinha um vizinho lá do prédio em que morei em 2018/2020, em São Paulo, seu Arlindo, que a mulher morreu e os dois filhos moravam em outro estado. Um dia, ele me contou que, no começo, ligavam todo domingo. Depois, a cada quinze dias. Depois, só no aniversário. Ele continuava descendo para pegar a marmita do iFood na portaria, cumprimentando todo mundo com um bom dia alto demais para aquela hora, quase gritado — hoje entendo que aquilo era a bateria dele tentando pegar no tranco. Eu e os outros moradores respondíamos ao bom dia e seguíamos para o trabalho. Não é que fôssemos maus. É que também estávamos com pressa de coisa nenhuma, só com o hábito de ter pressa.


Um dia, o motoboy reparou que o seu Arlindo não tinha descido para pegar sua comida. Deixou na portaria e se foi. Levou dois dias para alguém perceber de verdade que ele tinha sumido. Não foi um filho. Foi o síndico, que precisava que ele assinasse um documento.


Isso não sai da minha cabeça: bateria a gente carrega chamando o seguro, comprando o carregador portátil, agindo. Pessoas a gente carrega com visita, com telefonema, com aquele "vou aí te ver" que a gente promete e nunca cumpre porque sempre parece que dá tempo de cumprir depois. E dá, quase sempre dá. Até o dia em que não dá mais.


Minha bike eu recuperei com uma lata de óleo de trinta reais. O seu Arlindo, ninguém recuperou com nada, porque quando a gente finalmente resolveu ir ver o que aconteceu, não tinha mais o que fazer.


Não sei se isso é sobre maldade ou sobre distração. Acho que é sobre distração, principalmente — e isso, de certo modo, é pior, porque maldade a gente pelo menos escolhe. Distração é coisa que acontece sem ninguém decidir nada, dia após dia, até que um dia vira ausência definitiva.


Fico pensando se tem alguém, agora, descarregando a bateria devagar por minha causa. Alguém que eu prometi visitar. Devia ir ver.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

NÓS PENSAMOS ASSIM...


Colinas, montanhas, planícies,

entre o possível e o ilimitado.

Te ver sorrindo: tudo fica mais lindo.


Além do horizonte,

estamos em um especial

e profundo sentimento.


Assim somos nós dois:

dois em um,

em mergulhos de permissividades.



AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

FÚRIA PELA LIBERDADE


Dentro de mim,

Uma tempestade arde em fúria,

Se acumula, e sem pausa

É um vulcão que não dorme,

Não se apaga e aquilo que guardo

Em minha alma precisa ser liberado

E os sentimentos guardados

Precisam ser revelados

E as pedras que me impedem

De caminhar e de viver precisam

Descer ladeira abaixo.


Sinto o peso dessa carga

Que carrego dia e noite,

Ela me ameaça e me consume,

A pressão aumenta e a dor é intensa,

A raiva e a frustração são sentimentos

Que precisam ser curados

E eu não posso mais guardá-los,

Eu preciso libertá-los

Para viver a vida que me espera.


Mas essa fúria não quer me libertar

Por isso preciso buscar forças

Para impulsionar definitivamente

E romper as correntes quebrando

Todas as barreiras até ouvir o grito

E o choro por sentir o vento da

Liberdade soprando em meu rosto

E agora que conquistei

Sei o quanto é bom ser livre. 


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

BELOS DIAS DE FÉRIAS


Filhos em casa… muitas conversas, risos espalhados e tantos passeios.

A casa cheia, muita movimentação, a alegria de ter todos por perto.

Mas as férias acabaram… e o ninho, novamente, ficou vazio.

Fica a saudade… e difícil mesmo é ser amiga dela.

A vida é assim… feita de encontros, despedidas e amor que permanece.



AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CAMINHO DE DENTRO


Às vezes paro e me escuto

como quem recolhe o silêncio

para descobrir o som secreto

que a alma faz quando respira.


Percebo que a vida fala baixo,

sussurra coisas que só entendo

quando desacelero o passo

e deixo o coração responder por mim.


Nem sempre sei para onde vou,

mas aprendi a aceitar

que alguns caminhos se revelam

somente depois que os pés se movem.


E, no fundo, compreendo:

o que procuro lá fora

mora aqui dentro —

quieto, profundo, vivo.


Por isso sigo, leve,

sabendo que cada dia me ensina

a ser um pouco mais inteira

e um pouco menos urgente.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

EXAUSTA


Sim,

O corpo cansa,

A mente cansa,

Chegamos à exaustão,

Tanto na alma,

Como no coração.


Muitas vezes,

O corpo padece,

Entristece-nos,

Mesmo que queiramos ir além.


Tudo há um limite,

E às vezes,

Temos que seguir em frente,

Sem mesmo ter condições.


Então,

Apoiamo-nos em Deus,

Em nossas orações,

Pedindo forças,

Para seguir adiante.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

AGRADECER


Todos os dias devemos agradecer mais e reclamar menos.

Exercitar a paciência para evitar a discórdia.

Ser mais resiliente.

Acreditar em Deus, Pai Criador.

Ser conforto na hora da dor.

Ser abrigo, selo colo de amor.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

ATRIZ DO SILÊNCIO


Coagida pelas circunstâncias,

A representar,

Fingir que está bem,

Vendo tudo desmoronar.


Atuando como atriz,

Vivendo por um triz.

Palavras que dilaceram a alma

Questionam o seu valor.

Ser julgada sem amor

E esconder a própria dor.


Carrega o peso da incompreensão.

Como é grande a aflição!

Coração mergulhado em tristeza,

Diariamente lacrimeja,

E almeja compreensão.









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