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BECO DOS POETAS Nº 151 — 23/07/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

A VIDA PENDURADA NO AR


Na rua Curuzu, os fios de energia dão fruto. Par de tênis pendurado, balançando devagar, cadarços amarrados um no outro como quem deu as mãos antes de pular.


Passo por baixo deles todo dia, indo para o trabalho. Já contei quatro. Tem um branco que já foi branco, um de cano alto verde, um que a chuva desbotou tanto que não tem mais cor de marca nenhuma, só cor de tempo. E o mais recente, que ainda tem cara de calçado — os outros já estão virando outra coisa, um estágio entre o objeto e o ninho.


Ninguém perde um tênis num fio de energia. Isso é o que me intriga. O sapato esquecido na sarjeta é acidente; o tênis lá em cima é pontaria. Alguém parou, tirou o par do pé ou da mochila, amarrou os cadarços com capricho — porque precisa de capricho, senão não enrosca —, girou por cima da cabeça e soltou. Provavelmente errou. Tênis amarrado é desajeitado de voar, roda torto, volta ao chão com um tabefe seco. O arremessador recolheu, girou de novo. Na terceira ou quarta tentativa, o par serpenteou no ar, abraçou o fio e ficou. Aí, imagino, vieram a risada e o bando em volta, algum palavrão de comemoração, e todo mundo foi embora. O tênis não.


Dizem tanta coisa sobre esses tênis. Que marcam ponto de venda de droga, que é aviso de gangue, código secreto do submundo. Pode até ser, em algum lugar. Mas eu desconfio que a explicação, na maioria das vezes, é mais boba e mais bonita: moleque joga tênis no fio porque é difícil e porque fica pra contar história. Pelas mesmas razões que escreve o nome na porta do banheiro da escola e risca o muro que acabaram de pintar. É o jeito que a adolescência tem de dizer "eu passei por aqui" — numa idade em que passar por aqui é a coisa mais urgente do mundo e ninguém parece notar.


A gente enterra os mortos e joga os tênis para o alto. Alguma antropologia deve haver nisso, mas prefiro não estragar com teoria.


O que me pega, mesmo, é o depois. O menino que jogou vai embora e cresce. Arruma emprego, paga boleto, quem sabe muda de cidade. O tênis fica. Anos. Pega sol, pega garoa de junho, vira pouso de passarinho. E vai guardando, do jeito bruto que as coisas guardam, aquele único segundo de glória em que voou. Um objeto aposentado no auge, congelado no ponto mais alto que alcançou. Nós descemos; ele não precisou.


Às vezes penso em quem olha. O menino que jogou talvez passe de carro pela Curuzu daqui a vinte anos, com filho no banco de trás, e nem levante os olhos — ou levante, e não conte nada, porque tem glória que não se explica para filho. A mãe que procurou aquele tênis pela casa inteira, brigou, comprou outro, nunca soube que ele estava ali em cima o tempo todo, assistindo ela passar. Deve haver, espalhadas por Botucatu, dezenas de mães que passaram anos embaixo do paradeiro exato do que procuravam.


E tem o fio, coitado, que não pediu nada disso. Foi esticado ali para levar energia de um poste a outro, serviço sério, e acabou virando varal de juventude. Carrega luz por dentro e tênis por fora.


Um dia esses tênis caem. Cadarço não é eterno; o sol desfaz tudo, até nó de adolescente. Alguém vai achar um tênis sozinho no meio da rua Curuzu e pensar: olha, um sapato perdido, como será que se perde um sapato? — sem imaginar que aquilo não se perdeu nunca. Aquilo foi lançado, voou, morou no alto por anos. Não é um perdido. É um aposentado da altura, de volta ao chão onde os pés moram.


Quando eu passar por ele, prometo que não vou recolher e nem colocar no lixo. Perdido por perdido, todo objeto merece que respeitem a sua história.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

EU TE QUERO COM UM AMOR INTEMPORAL


No orvalho das manhãs, o poema brota,

e a felicidade com cheiro de nós dois,

torna-se o fio que conduz as cores do vento.

Em cada sentimento que nos veste.


Eu te quero com um amor intemporal.

Despertas o sol que aquece as minhas porções de fera,

com beijos de amor, nos estimulando a escolher

O transitório do agora

Pelo permanente de sempre, vivendo o êxtase de ser amado(a).


Eu te quero com amor intemporal.

Depois do café, sonho com teus abraços de paz.

Valorizando o poder do silêncio de nossa cumplicidade.


Tudo nos leva a crer no incrível,

Insistindo em crer no invisível,

e realizar o impossível, sentindo o poder,

do todo-poderoso amor.   


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

DOCE INFÂNCIA


Hoje acordei embriagado de saudade

Dos meus tempos de infância

Onde a criança era livre de verdade

E vivia em mundo mais leve sem ganância.


Do pique-esconde ao pega-pega

Vivemos numa época onde a criança era prioridade

Éramos livres para brincar na rua de cabra cega

E esse foi um tempo de muita felicidade.


E hoje do tempo em que eu era menino

Só me restaram as boas lembranças

Pena que a infância de hoje teve outro destino.


As ruas estão vazias por conta da violência

As velhas brincadeiras não resistiram às mudanças

E a tecnologia prendeu a nossa audiência. 


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

POR POUCO


Te encontrei por pouco tempo. A chuva chegou e tive que ir embora.


Mas fiquei por um instante e apreciei a tua brisa e o canto das tuas ondas.


Meu doce mar salgado.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CAFÉ MATINAL


Tomo o meu café

Olhando pela janela

Gosto de contemplar o céu

Ver as nuvens e admirar

O novo dia nascendo.

Aqui tudo é calmaria

Saio andando pela praça.

Todos em volta dormem.

Entre um gole de café e outro

Sigo olhando a fumaça

Apreciando a quietude do lugar.

Depois é pura algazarra

Crianças brincando

Vida em movimento pulsando

Não é menos belo

É lindo ver também essa rotina

Ela faz bem para a alma e para a retina.

Mas nesse momento

Desfruto da paz de tomar um cafezinho

Ouvindo os barulhinhos do silêncio

Ouvindo a natureza tão bela

Como o canto dos passarinhos.

Ver a vida pulsando 

Seja como for

Na agitação da praça ou na paz matinal

Com a infância imperando

A gargalhada fluindo

É muito gratificante, afinal.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

DECLAMAR


Minha alma,

Declama versos,

Neste universo,

Chamado poesia.


Minha alma exclama,

Cada sentimento,

Que carregamos pela vida,

Colhidos a cada momento.


Minha alma reclama,

Das tristezas e amarguras,

Das longas torturas,

Que são impostas pela vida.


Minha alma te chama,

Para espalhar a alegria,

No raiar de um novo dia,

Pois quanto mais pessoas,

Dispostas a espalhar o amor,

Menos dor,

Haverá recobrindo nosso mundo.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

VIAJAR


Viajar para conhecer.

Viajar para fotografar e postar.

Viajar para relaxar.

Viajar para florescer.

Viajar para se perder e se achar.

Viajar para desacelerar.

Viajar para respirar fundo e conhecer o mundo.

Viajar para ouvir o silêncio.

Viajar para fazer novas amizades.

Viajar para abraçar quem mora longe.

Viajar para aprender e conhecer outros sotaques.

Viajar para provar comida boa e diferente da casa da gente.

Viajar para ver que o mar é grande.

Viajar para pisar na areia ou chão batido.

Viajar para colecionar pôr do sol.

Viajar para guardar cheiros na memória.

Viajar para voltar com muitas histórias na mente.

Viajar para voltar com saudade boa.

Viajar para lembrar que o mundo é grande.

Viajar para provar novos sabores.

Viajar para abraçar gente querida e amiga.

Viajar para voltar com o coração maior e a mente esclarecida.


AUTOR Walter Berg


WALTER BERG, pseudônimo de Valter Alves da Silva, poeta contemporâneo, professor de Língua Portuguesa, Licenciado em Letras Português e Literatura pela Universidade Estadual do Maranhão-UEMA, especialista em Gestão, Supervisão e  Coordenação escolar pela FAVENI, tem participação em várias antologias nacionais.

O CAÇADOR


Era tempo de verão, o sol já se escondia,

Depois de um dia inteiro de trabalho e labuta,

O caçador, cansado, ao cair da tarde,

Preparava-se para a varrida, em sua luta.


Com a espingarda firme, o mocó bem preparado,

E a munição guardada para a hora derradeira,

Subiu silencioso ao alto do mutar,

Para esperar a noite, escura e companheira.


E a noite veio mansa, cobrindo o matagal,

A natureza calou-se em seu profundo mistério;

Nem o vento se atrevia a quebrar o silêncio,

E a lua vigiava o sertão, do alto do império.


Foi quando ele ouviu um pisado lá distante,

Um ruído leve e breve, quase nada, quase em vão.

Mas o ouvido do caçador conhece a mata:

— Era o bicho! — disse o coração.


Veio sentindo o faro daquele homem atento,

Pisando macio, seguindo a trilha escura;

Sem saber que a noite guardava uma sentença,

E que o destino já traçava sua aventura.


O caçador esperou, imóvel, concentrado,

Com a respiração presa e o olhar na escuridão;

E quando o bicho surgiu no caminho,

Recebeu, da noite, a sua sentença então.


Depois, o caçador desceu do seu mutar,

Com a espingarda ao ombro e o silêncio por guia;

Levou consigo a história daquela noite

E voltou para casa quando a madrugada surgia.


Assim termina a jornada do homem da mata,

Que conhece o sertão, seus segredos e seu chão;

Depois de um dia de trabalho e de luta,

O caçador retorna para casa

com a noite guardada no coração


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

MÃO PODEROSA


Próximo àquela praia

Uma árvore me chamou a atenção,

Além do tronco muito inclinado

Os galhos têm o formato de coração.


Talvez ventos muito fortes

Lhe envergaram o tronco.

Fiz, então, uma analogia com a vida,

Com o nosso dia a dia,

Às vezes, os problemas são gigantescos,

Roubam a nossa alegria.


Apesar dos obstáculos

A árvore continua firme,

Frondosa, de folhas verdinhas.

Assim também é a vida:

Um novelo de desafios.

Enfrentamos muitos "furacões",

Contudo, não estamos sós,

Uma

MÃO


PODEROSA

Ajuda a conter os ventos

E a desatar os "nós".


Chacoalhados muitas vezes,

Ainda assim, permanecemos de pé,

Pois uma MÃO PODEROSA nos sustenta,

Ajudando-nos a enfrentar a tormenta.









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