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BECO DOS POETAS Nº 143 — 28/05/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

FELIZ ANIVERSÁRIO


Hoje é seu aniversário, meu amor.


Caminho até a praça nas noites quentes — é quando o tempo me deixa, quando a cidade baixa um pouco a guarda e eu consigo me mover sem a sensação de que estou atrasado para algum lugar. De manhã não dá. De manhã a vida já começa em dívida, e a feira que ainda deve acontecer lá na praça, em frente à igreja, segue sem mim. Deve estar lá — as barracas, as vozes, o cheiro de pastel frito na hora e de fruta fresca — mas faz tempo que não passo por lá nesse horário. O tempo não me deixa parar.


Caminho pela avenida. Ela mudou tanto.


Lojas modernas ocuparam o que antes era outra coisa — não lembro bem o quê, só lembro que era diferente, que tinha uma escala humana que a cidade foi trocando aos poucos por fachadas de vidro e letreiros luminosos. Não era assim quando a conheci. Nada era assim. Ou talvez fosse, e sou eu que guardo uma versão mais antiga de tudo porque foi nessa versão que você apareceu pela primeira vez — e o que a gente ama fica preservado num âmbar particular, imune às reformas do mundo.


A praça continua lá. A praça sempre continua.


Quando chego, vejo os bancos. E aí o tempo faz o que o tempo faz — dobra, embaralha, devolve o que eu não pedi e precisava. Vejo os bancos e lembro de quando sentávamos ali, você e eu, namorando ou apenas deixando o domingo passar enquanto crianças corriam atrás das pombas. Tinha domingos tristes, daqueles pesados e lentos que não prometem nada — e mesmo nesses a gente ficava, lado a lado, vendo o tempo ir embora sem pressa de ir junto. Hoje eu não consigo mais parar assim. O tempo não me deixa.


E lembro dos pastéis.


A feira fritava na hora — aquele barulho do óleo quente, aquela fumaça que subia e dobrava a esquina antes da gente chegar. Você gostava tanto. Escolhia com cuidado, como quem toma uma decisão importante, e mordia com aquela satisfação sem culpa que eu sempre admirei em você. Eu comia olhando mais para você do que para o pastel. Ainda hoje, quando passo perto de qualquer barraca que frite alguma coisa, algum nervo antigo acende — e por um segundo estou de volta à feira, e você está escolhendo com cuidado, e o domingo ainda não acabou.


A cidade não sabe nada disso.


Ela nunca soube — segue abrindo e fechando suas bocas de asfalto, engolindo gente e cuspindo pressa, trocando suas fachadas antigas por vidro e LED, indiferente como sempre foi à geometria dos encontros que acontecem dentro dela. A feira some de manhã, as lojas abrem na avenida, o banco da praça esfria na noite. Ninguém presta atenção. Ninguém para.


Mas eu guardo essas lembranças.


Guardo o sábado à noite em que te vi pela primeira vez — a boate, a música alta demais para qualquer conversa, a multidão que era um organismo só, pulsando, e você dentro dela e ao mesmo tempo fora, e aquela certeza quieta que o corpo entende antes da cabeça: que alguma coisa havia acabado de começar. Guardo os domingos lentos no banco da praça. Guardo o pastel frito na hora e o seu jeito de morder com satisfação sem culpa. Guardo a avenida como ela era, a feira como ela cheirava, o tempo como ele era quando ainda deixava a gente parar.


Hoje é seu aniversário, meu amor.


E eu atravesso a noite quente com a sua data dentro do peito como se fosse uma pedra preciosa e um peso ao mesmo tempo. Porque os anos passaram. Porque o tempo que passou junto é a única riqueza que não cabe em nenhum cofre e não some em nenhuma mudança. Porque hoje, quando olho para você, ainda vejo aquele sábado à noite — e ainda sinto que alguma coisa está começando.


A praça continua lá. Os bancos, os mesmos.


E eu, meu amor, carrego o dia em que nos conhecemos como quem carrega uma cidade inteira dentro de si: barulhenta, transformada, viva, insubstituível.


Feliz aniversário.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

INFINITO PARA MIM


Segura minhas mãos,

sinto meu coração pulsando,

como grandes ondas em um mar,

um mar infinito como você.


Te amar me faz encontrar uma vida bonita,

que atrai vitórias infinitas,

como a cada dia te olhar,

com olhos de eternidades.


Te desejo com a arte de desejar,

e de sentir uma paixão delicada e doce,

infinita como teu ar puro.


Sempre serás o meu primeiro pensamento.

Quero contigo conhecer as manhãs do amor.

Adorna-me com teus beijos;

és tão irresistível.

O que queres que eu faça?

para que tenhas a certeza,

do meu amor infinito por ti.



AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

SONHO LOUCO


Enquanto eu declamava

Poesia, mergulhei na ternura de Luzia

E enquanto a madrugada se findava,

No meu coração, ela se tornava primazia,

E diante dela, o seu perfume me embriagava

E a personificação da sua beleza reluzia

Cada vez mais, e me enfeitiçava.


E diante da lua que nos iluminava

Uma paixão fulminante me conduzia,

Me consumia e me despertava

E o seu olhar me seduzia

E, ao mesmo tempo, judiava

De mim, porque no fundo, Luzia

Só me atiçava, mas não me amava.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

CORTINA DO CORAÇÃO


Às vezes, fechar

a cortina do coração

é preciso,

porque a razão

também precisa

ter razão

em querer resolver

o que o coração

insiste apenas

em sentir.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

AMAR


Não foi falta de juízo…

foi excesso de coragem

para quem se achava tão covarde!

Porque quem não ama

não sofre, mas também não vive.

Às vezes, a gente sabe que não vai ter continuidade.

E isso não é burrice!

É se permitir ser feliz,

nem que seja por um tempo,

 com mais intensidade.

Talvez o juízo tenha chegado depois.

E isso também é maturidade.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

DECEPÇÕES


As decepções,

Muitas vezes,

Partem de quem amamos,

Castiga as almas,

Machuca os corações.


As decepções,

É o remédio amargo,

Que tomamos e não queremos,


Que fere,

 Que machuca,

Sem aviso prévio,

Surge, a qualquer momento.


A decepção,

É a pior desilusão,

É uma grande sensação,

De impotência e ingratidão.


A decepção,

É o veneno,

Daqueles que nos ferem,

É dói, eternamente.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

O TEMPO NÃO PARA


O dia passa e a noite vem.

E a gente mal percebe: o tempo corre.

Às vezes rápido, às vezes devagar, mas nunca para.

Um dia a gente chega.

Chega onde sonhou, onde almejou, onde merece.

Para isso, é preciso ter foco.

Garra pra levantar depois da queda.

Coragem pra seguir quando tudo pede pausa.

Força de vontade que não se explica, só se sente.

Lutar.

Batalhar.

Acreditar.

Porque vencer não é sorte, é persitência.

Então continue.

Sem arrependimento do que ficou pra trás.

Sem medo do que vem pela frente.

O único caminho que não dá em nada é o de quem não tem fé.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

DANÇA DAS SOMBRAS


Tem dias em que a luz se afasta

De mansinho,

E a sombra se instala no caminho.

Nuvens escuras

Acompanham-me em todo lugar:

No trabalho, no lar.

Como barco à deriva,

Na iminência de naufragar,

As sombras convidam-me para bailar,

Mas recuso essa dança.

Na luz ou na sombra,

Carrego a esperança.

O brilho prevalece,

Ilumina e aquece

Meus dias,

Como uma linda poesia.


AUTOR Gabriely Ramos


GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.

O IMPÉRIO DO VERMELHO


​Na quietude mansa do jardim,

Ela desperta, rainha absoluta,

Vestida de um veludo sem fim,

Que o próprio tempo respeita e escuta.

​Não é apenas uma flor que brota no chão,

É um segredo sussurrado pelo vento,

A rosa vermelha é pura vibração,

Um pedaço de fogo feito sentimento.

​Seus espinhos guardam a sua nobreza,

Enquanto as pétalas desenham o amor,

Há um mistério em sua beleza,

Que cura a alma e acalma a dor.

​Vermelho vivo, cor da paixão,

Que o olhar cativa e o peito abriga.

De todas as flores, é a pulsação,

A tua favorita, tua eterna amiga.

​Espero que esse poema tenha trazido um pouco do encanto das rosas vermelhas para o seu dia!


AUTOR Lucélia Santos


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.

ENTRE TROVÕES E SAUDADES


Gotas frias de chuva a me tocar,

como segredos do céu a sussurrar.

E o vento fresco, ao meu rosto beijar,

traz teu nome que insiste em ficar.


Há perfume de amor no entardecer,

e um silêncio bonito a florescer.

No brilho manso que o mundo deseja,

meu coração em teus braços veleja.


O tempo dança em doce calmaria,

feito canção bordada de poesia.

E nesse instante tão puro assim,

a chuva cai… mas floresce em mim.


Teus olhos guardam luas sobre o mar,

mistérios que desejo decifrar.

E cada gesto teu, sereno e profundo,

faz primavera nascer no meu mundo.


Nas noites calmas de estrelas acesas,

teu amor desfaz minhas incertezas.

Como um rio que procura o oceano,

vou me entregando ao teu amor sem engano.


Se o céu escurece em melancolia,

tua voz me devolve a alegria.

E entre trovões, saudades e jardim,

teu amor faz morada em mim.


Que nunca cesse esse doce abrigo,

nem o tempo desfaça o que eu digo.

Pois mesmo quando o inverno surgir,

teu amor será meu eterno florir.


AUTOR Simone Gonçalves


SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

LIBERDADE


Nosso amor foi lindo!

Isso foi... se foi.

Esse sentimento tão incrível

Que tanto me fez viver entre nuvens

Se partiu, se desfez... evaporou.

Deixou livre meu coração

E respiro agora levemente

Sem pressa, sem me sentir presa

Por algo que, de tão grande, de desejos

Me aprisionou feito passarinho na gaiola.


E, agora

Sou borboleta fora do casulo.

Não uma que morrerá em horas

Mas uma borboleta que nasceu para viver

Leve, livre e sempre voando

Fazendo morada a cada noite de luar

Ou naquelas frias de inverno

Em jardins adubados com essência de puro amor, liberdade e vida.


AUTOR Maximilian Santos


MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.

SEM VOLTA


As lágrimas correm em meu rosto,

Já não seguro de tanto desgosto,

A ingratidão irradia em instante.


Pareço abandonado,

Lugar distinto, sombrio e

Sem carinho, palavras já não fazem mais sentido.


Já não consigo esconder a

Decepção, palavras jogadas ao vento me deixaram sem ação.

Dúvidas e medos tomaram conta de mim,

A noite chega e parece ser o fim.


Escondo-me em minhas lágrimas,

uma tristeza sem fim,

O tempo passa e ainda estou ali, vida sem sentido,

À beira de um precipício.


Já não conto os dias e nem as horas,

Não faz mais sentido esperar por um amor

Que me fez refém, incondicional do destino.


Momentos desperdiçados,

carinhos afastados,

Quanta saudade de teus abraços.


No começo foi bom,

Carinho, afeto, beijos, tudo de bom

Mas, no final, o amor ficou de fora ,

Como flechas lançadas, sem retorno e sem respostas,

Rumo ao fim.


Promessas foram feitas,

Mas nenhuma cumprida,

De um dia ser amado e cuidado,

mas esquecido, com desprezo, solidão,

Que tomaram conta do meu peito.


Verdades foram ditas,

Esquecida em instantes,

O tempo passa, ainda estou aqui,

Como um inquilino, que não tem moradia,

Com arrependimentos, foragido do tempo.


AUTOR Nayara Santos


NAYARA SANTOS LOPES, natural de Feira de Santana, Bahia, é Técnica de Enfermagem, Tradutora e Intérprete de Libras e poetisa, cuja relação com a escrita nasceu ainda na adolescência e permanece viva como expressão de sua essência. Entre palavras e sentimentos, encontra na poesia um refúgio e uma forma de dar voz ao que pulsa em sua alma. Com sensibilidade e profundidade, tem seus versos publicados em antologias poéticas, onde compartilha fragmentos de emoção, vivências e amor pela arte de escrever.

PORQUE ME QUERES AO TEU LADO


Há carinhos e afetos

que ferem como espinhos.

O que era pra ser doce e singelo

deixa só desconforto pelo caminho.

Não me pergunte…

nem eu sei explicar.

Se não é sincero,

pra que fingir amar?

As marcas ainda vivem aqui,

não dá pra esconder.

Só é belo pra mim

quem sabe merecer.

Então eu me fecho,

me afasto e me congelo.

Falta afeto, atenção,

falta cuidado no elo.

Se não me amas,

por que me queres ao teu lado?

Então me diz…

por que foi a mim que escolheste, afinal?


AUTOR Simone Caetano


SIMONE CAETANO FARIAS, nasceu em Salvador (BA) e traz consigo a força de uma leonina. Desde a infância, foi inspirada pelas obras de Monteiro Lobato e pela coleção “Tesouro da Juventude”, pertencentes a seu pai, Almir de Abreu Farias — ex-combatente da Marinha do Brasil e escritor autodidata. É bacharel em Comunicação Social – Jornalismo (Faculdade Social da Bahia, 2010), pós-graduada em Relações Públicas (Universidade do Estado da Bahia, 2002) e também bacharel em Química (Universidade Federal da Bahia, 1992). Atua como Perita Criminal Grafotécnica e Documentoscópica do Estado da Bahia. Publicou artigos, textos acadêmicos e reportagens, como “Major Cosme de Farias – Vida e Memória” e “O choro alegre de Salvador”, entre outros. É autora do livro-reportagem “A voz de Armandinho Macêdo” (Ed. Vento Leste, 2012 / Ed. Garimpo, 2024) e participou de onze coletâneas de contos e poesias com as editoras Neila Bruno (Canal 6 e Kibbutz) e Luiz Primati (Valleti Books), entre 2022 e 2024, com textos como “Reverso da Tristeza”, “Lar dos Pets”, “É Natal”, “Por Toda a Minha Vida”, “Mãe, Olhe para Mim” e “Vidas Entrelaçadas”. Em 2025, organizou “Versos e Universos de Meu Pai Almir de Abreu” (Valleti Books). Recentemente, concluiu o curso de Sommelier pela ABS-RS, unindo o jornalismo à paixão por vinhos, eventos e cultura. Viajante entusiasta, escreve sobre as cidades que visita — no Brasil e no exterior —, transformando suas experiências em crônicas e reflexões que revelam seu olhar sensível e poético. E-mail: simonecaetanofa@gmail.com

MEUS AMORES ANCESTRAIS


Felippa, trisavó querida, fale-me da senhora, sussurre que eu te escuto de coração comovido suas dores sentidas, os desejos femininos, solitários, que não podias expressar.


O seu prenome lhe definia: “Benicia”.


Conte-me, Guilhermina, linda trisavó, como conseguiu sobreviver nesse seu mundo hostil e machista, de homens que proibiam às mulheres soltarem a voz, e até a amarelinha.


Infelizmente, muito tempo passou e essa mazela psico-cultural ficou, esse ranço nojento que mata e ainda dizem ser “por amor”.


Quem ama de verdade ceifa da mulher a tristeza e a dor, e ainda transforma em beijos românticos como um herói no seu cavalo branco,


Diga-me, bisavó Ana, a senhora que trilhou caminhos escusos que eu não vou mais trilhar, grata eu sou, por mim sofreu por amor:

Esse seu espanhol sedutor, que te arrancou do clã de afeto, aonde a levou no seu cavalo negro? Ao lhe desonrar, disse palavras de paixão?


Gratidão por perdoar, e assim me ajudar a quebrar esse ciclo violento e nocivo que traz vontade de morte à mulher subjugada. Mas, a justiça divina fez retornar essa dor ao algoz gerador, eu creio!


Maria da Assunção, te honro, minha bisa ancestral, prometo trilhar caminhos mais seguros e calmos do que a senhora trilhou, pois já sofrestes nas pedras da sua caminhada, sem conforto, mimos nem condição, sem sombras nos dias de sol, tudo transformou em castelo de amor: guloseimas fazia com maestria, bordava e costurava as roupas dos meus entes passados.


Vovó Zilda, te guardo no coração e honro sua memória, pois te conheci atrevida, falante e sagaz, e no abandono do meu avô por outra mulher sem graça e rica, buscou novos prazeres ao invés do amor, este ficou na raiva incontida que lhe arrancou a saúde e vida. Ser leitora voraz me inspirou, por isso lhe tenho amor.


Júlia, vozinha amorosa, sinto ainda o seu abraço com cheiro de talco de flor, herdei sua fé religiosa em Jesus e nos Santos, na sua reza diária no santuário de luz com minha mãe Marina, ficou registrado no meu coração e assim fiz o meu altar de devoção.


Honrar nossas raízes, em especial às mulheres, é resgatar tesouro de memórias, retirar da sombra a força feminina, nos espelhar na sua coragem, respeitar seus limites e condições primárias; é ressignificar suas dores, pois elas sofreram por nós. É comprometer-se na prece a quebrar ciclos de aflições, transformando-os em bênçãos, e refazer caminhos mais seguros usando o conhecimento inexistente no passado,


É agradecer o dom da vida, nossos talentos herdados, tradição e cultura,


É rezar pelos reencontros e reconhecer a dignidade dos nossos ancestrais, que realizaram o melhor possível para nossa felicidade.









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